Casamento

Ana Bolena, muitas vezes agiu independentemente de seu futuro marido, capaz de conceber petições, receber diplomatas, presidir compromissos de patrocínio e política externa. O embaixador de Milão, escreveu em 1531 que era essencial ter sua aprovação, se alguém quisesse influenciar o governo inglês, uma visão corroborada pelo embaixador francês no início, em 1529.

Durante este período, Ana Bolena, de fato, desempenhou um papel importante na posição internacional da Inglaterra, consolidando uma aliança com a França e uma quebra de aliança anglo-espanhola, a partir da anulação do casamento de Henrique com Catarina. Ana estabeleceu um relacionamento excelente com o embaixador francês, Gilles de la Pommeraie, que ficou fascinado por ela. O diplomata John Barlow espiava no Vaticano às suas ordens.

Ana e Henrique participaram de uma reunião com o rei francês em Calais, no inverno de 1532, em que Henrique esperava obter o apoio de Francisco I de França para o seu desejado casamento. Henrique dotou sua futura esposa de uma posição adequada. Em 1 de setembro de 1532, em Windsor, ela foi nomeada Marquesa de Pembroke, e se tornou a mulher não pertencente à realeza mais prestigiada do reino e primeira mulher inglesa enobrecida em seu próprio direito, sem herança ou casamento. O título de Pembreko foi significativo para a família porque o tio-avô de Henrique Tudor, Jasper Tudor, detinha o título de Conde de Pembroke, e Henrique realizou ele mesmo a investidura.

A família de Ana também lucrou com o relacionamento. Seu pai, já Visconde Rochford, foi feito Conde de Wiltshire. Henrique também chegou a um acordo com o primo irlandês de Ana, e tornou o pai de Ana, Conde de Ormond. No banquete magnífico para comemorar a elevação de seu pai, Ana teve precedência sobre as duquesas de Suffolk e Norfolk, sentando no lugar de honra ao lado do Rei, que normalmente era ocupado pela rainha. Graças à intervenção de Ana, sua irmã viúva, Mary, recebeu uma pensão anual de £ 100 -, e o filho de Mary, Henrique Carey, foi educado em um mosteiro cisterciense de prestígio.

A conferência em Calais foi algo de triunfo político, mas, apesar de o governo francês ter dado apoio implícito para o novo casamento de Henrique, e Francisco I ter tido uma conferência privada com Ana, o rei francês mantinha alianças com o Papa, que ele não podia explicitamente desafiar. Logo após o retorno a Dover, Henrique e Ana se casaram em uma cerimônia secreta. Ela logo engravidou e, como era costume da realeza, houve uma segunda cerimônia de casamento, também em segredo, que teve lugar em Londres em 25 de janeiro de 1533, no Palácio de Whitehall.

Palácio de Whitehall

Uma curiosidade sobre este lugar é que os planos de construção do Palácio de Whitehall (reforma e reconstrução sobre o York Place tomado do Cardeal Wolsey em 1530) foram enviados para Henrique e Ana para aprovação, e, curiosamente, Henrique permitiu-lhe uma palavra significativa em decorações. Ana era quase certamente a única esposa de Henrique VIII com um interesse particular na arquitetura, que ela dividia com o marido.

Os acontecimentos já começaram a se passar em um ritmo rápido. Em 23 de maio de 1533, Cranmer (que tinha sido nomeado com parecer precipitadamente favorável do Paap, para a posição de arcebispo de Canterbury recentemente deixado vago pela morte conveniente de Warham) presidiu a setença de um tribunal especial convocado no Priorado de Dunstable para se pronunciar sobre a validade do casamento do Rei com Catarina de Aragão. Ele então declarou o casamento de Henrique e Catarina nulo e sem efeito. Cinco dias depois, 28 de maio de 1533, Cranmer declarou o casamento de Henrique e Ana bom e válido.
Catarina escreveu ao embaixador imperial Chapuys:

“Eu estou separada de meu senhor, e ele se casou com outra mulher sem haver obtido o divórcio; e esta última ação foi realizada enquanto a questão ainda estava pendente, numa demonstração de desprezo e desafio por aquele que tem na terra o poder de Deus. Eu cubro estas linhas de lágrimas, enquanto escrevo. Confio em vós como num amigo. Ajudai-me a suportar a cruz de minha tribulação…”

Chapuys escreveu ao imperador Carlos V:

“Perdoai-me a franqueza, mas Vossa Majestade não deveria hesitar. Agora que esta maldita Ana está com a faca e o queijo na mão, fará todo o mal que puder à rainha e à princesa Mary. Vangloria-se dizendo que um dia terá a princesa em seu séquito; talvez um dia a envenene, ou case com um vassalo qualquer, enquanto o reino será dominado pela heresia. Uma conquista seria muio fácil: O rei não tem um exército treinado.”

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