A morte na Inglaterra Tudor

Mesmo antes de ler o artigo, sei que todos estão cientes de que a morte atormentava a mente dos Tudors mais do que a morte nos atormenta hoje. A falta de saneamento, a presença de uma grande variedade de doenças epidêmicas e a falta de conhecimento médico significava que a morte estava em toda parte. O professor Marshall, da Universidade de Warnick oferece-nos algumas estatísticas surpreendentes e muito tristes:

“A expectativa de vida média no início do século XVI era de quase trinta anos, e eram medidas pelas porcentagens de mortalidade infantil: 25% das crianças morriam antes do seu primeiro aniversário, e 50% antes do décimo.”

Eu estava bem consciente de que um grande número de crianças morriam na infância, mas eu não sabia que a taxa de mortalidade era tão elevada. É triste também que ainda há países hoje em dia em que a média de vida não é muito mais do que na era Tudor de Henrique VIII. A falta de antibióticos e outros fatores significam que mesmo em nossa sociedade “moderna” muitos ainda suportam dor excruciantes que vem com altos níveis de mortalidade infantil e pouca expectativa de vida.

As principais causas de morte na Inglaterra dos Tudors eram as doenças epidêmicas, que não haviam curas eficazes. Os Tudors sempre lutavam contra a disenteria, febre tifóide e a varíola; para não mencionar as visitas periódicas de praga, cuja doença mais misteriosa e mortal era conhecida como a doença do suor.

Não é de admirar, então, que Henrique VIII fosse tão paranóico sobre doenças. Naquela época se acreditava que a morte era algo para qual todos nós precisávamos nos preparar e que as doenças, quando pegavam as pessoas de surpresa, eram assustadoras. As pessoas eram ensinadas desde jovem que a morte não era o fim e isso não era algo que todos os bons cristãos temiam mais do que a condenação eterna.

A “unção”, dada após a morte, tinha um outro objetivo importante além de ser a última oportunidade de confessar seus pecados e receber a absolvição – e isso era garantir que os mortos não voltassem para assombrar os vivos. Os Tudors acreditavam em fantasmas. Eles acreditavam que, se uma pessoa não tivesse conseguido uma “boa morte”, isto é, se arrepender dos seus pecados e afirmar a crença e confiança em deus, sua alma voltaria para assombrar os vivos. Isso explica porque os leitos de morte eram tão movimentados. Além do padre, não era raro que a família inteira mais os vizinhos fossem ver a pessoa no leito de morte, para ajudá-la a passar esse desafio e não perder a fé, caso contrário, essa pessoa poderia voltar para assombrá-los.
Então por que tinham relatos de fantasmas voltando e pedindo orações? Porque se acreditava que as orações dos vivos poderiam encurtar o tempo de uma alma no purgatório, esse que era tido como um lugar de dor, fogo e castigo, muito semelhante ao inferno. Ou seja, se você não quisesse ficar centenas de anos no purgatório, era essencial que aqueles deixados para trás lembrassem de você e orasse por você. A fim de ser salvo, tornou-se comum as pessoas darem presentes no momento da morte, deixar dinheiro para manutenções da igreja, doar cálices ou vitrais com o seu nome inscrito na esperança de que seu nome fosse lembrado e seu tempo no purgatório encurtado.

Qual era o ponto de vista de Henrique VIII sobre o assunto? Bem, parece que ele também era um pouco inseguro. Em 1536, um funcionário deu essa declaração sobre a nova Igreja de Henrique: “Rezar pela alma dos mortos era um ato de caridade, mas observe que o lugar das almas, ou o nome apropriado para ela, e a natureza das dores sofridas, estão todos incertos para nós.”
Mesmo com todo o conhecimento que temos sobre o período Tudor,ainda não se sabe como as orações e missas beneficiavam os mortos, mas diz-se que era insistido para que não se usasse o nome purgatório.

É muito interessante notar também que, embora a dissolução dos mosteiros tenha reduzido a prática de rezar pelas almas (pois os protestantes não acreditam em purgatório), Henrique disse que na sua morte “Deve ser dado 1000 marcos em esmolas aos pobres, com instruções para se rezar pela minha alma, e quatro comemorações anuais devem ser feitas na Capela São Jorge de Windsor, onde também um altar deve ser construído para missas diárias, enquanto o mundo durar.”

Assim, parecia que Henrique temia o que iria encontrá-lo após a morte e resolveu não arriscar.

Eu gostaria de terminar o artigo com uma citação do professor Marshall que afirmou que “como todos os visitantes de Hampton Court irão reconhecer – se existem fantasmas ou não, eles mantém a capacidade de assombrar a imaginação do presente.”

Traduzido do artigo 'Death in Tudor England' escrito por Natalie Grueninger.
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