Jane Bolena, a infame Lady Rochford [1º Parte]

Jane Bolena é uma das personagens em torno da qual dura séculos de confusão. De acordo com várias fontes, Jane foi a principal testemunha contra Ana Bolena, a rainha da Inglaterra e George Bolena, irmão de Ana e marido de Jane. Mas será que o testemunho dela realmente ajudou a condenar Ana e George? Como que Jane foi fundamental para a queda dos dois? Durante a sua execução, em 1542, Jane confessou suas falsas acusações? Todas as respostas poderão ser encontradas neste artigo.

Jane Parker, era filha de Henry Parker, 10º Barão Morley e Alice S. John. Ela nasceu em Norfolk, mas a data ainda é desconhecida, mas dizem que era 1505 e 1512. Ela tinha nascido no coração de uma família rica e politicamente fluente e altamente respeitado entre as classes superiores do reino. Seu pai era um grande intelectual que estudou em Oxford, com um grande interesse pela cultura e educação. Em sua juventude, Henry Parker havia servido na casa de Margareth Beaufort, condessa de Richmond e mãe do rei Henrique VII. Mais tarde, em 1523, herdou o título de Barão Morley.

Na sua residência em Norfolk, Jane e seus irmãos haviam crescido cercado de babás e governantas. Ela recebeu uma educação tradicional das mulheres de sua época, sabia ler e escrever e também administrar uma casa. Também sabia costurar e bordar, passatempo mais comum entre as senhoras da nobreza. Provavelmente com doze anos foi enviada à corte para se juntar à comitiva da rainha Catarina de Aragão. Jane foi uma das damas do reino que acompanhou a comitiva real à sua famosa visita a França, em 1520, que ficou conhecida como “O Campo do Tecido de Ouro”. Essa reunião diplomática reuniria os dois mais famosos dos monarcas do Renascimento, Henrique VIII e Francisco I.

Não se têm registro sobre sua aparência física, nem qualquer desenho dela. Podemos supor que era provavelmente bonita, se considerarmos que ela foi uma das oito mulheres escolhidas para participar da peça chamada “Château Vert”. Esse evento, organizado em 1522 pelo cardeal Wolsey em York Palace, seria uma recepção aos embaixadores imperiais. Jane representou a “Honra”, enquanto Ana Bolena representou a “Perseverança” e Maria Bolena a “Bondade”. Os homens também representavam as virtudes desejáveis em um homem, e o rei Henrique representou o “Amor”. A presença de Jane, nesse prestigioso projeto, indica que ela deveria ser bem vista no seu tempo, junto com sua família.

No final de 1524 ou no início de 1525, Jane se casou com George Bolena, ficando assim conhecidos como lorde Rochdord e lady Rochford. Os Bolena tinham chegado de longe e gozavam do favor real, em parte graças ao caso de Henrique VIII com as irmãs de George. Como presente de casamento, o rei deu para eles a casa Grimston, em Norfolk. A influência e a riqueza da família estava em ascensão desde que Henrique VIII era apaixonado por Ana Bolena, em 1526. O rei ficara encantado com a sua “donzela fresca e jovem”. Ele deu a Jane e seu marido o Palais de Beaulieu, que foi utilizada como sua residência principal.

A maioria dos argumentos diz que o casamento de Jane e George era infeliz. Em sua biografia de Ana Bolena, Retha Warnicke diz que o motivo era a orientação homossexual de George. Entretanto, Warnicke é famosa por sua originalidade e polêmica – de acordo com ela, todos os homens acusados de adultério com a rainha eram homossexuais. Este argumento não encontrou muita aceitação entre os historiadores.
Têm-se uma opinião diferente sobre o casamento de Jane na única biografia moderna de Jane Parker: “Jane Bolena: a verdadeira história da infame Lady Rochford”. De acordo com Julia Fox, autora do livro, o casal teve uma relação estreita e feliz. Ela rejeita a tese sobre homossexualidade. Ela diz que se o casamento foi mal-sucedido, era porque George era conhecido por ser jovem, atraente, talentoso e promíscuo.

Não há provas de que Jane e George tiveram filhos. Acreditava-se que George Bolena, Decano de Lichfield, poderia ter sido seu filho. É de estranhar, uma vez que ele herdou títulos Bolena sem ser realmente herdeiro. Entretanto, é mais provável que ele fosse um primo distante.

Como resultado da ascenção de Ana, Lady Rochford apareceu ao lado de Ana em um baile de máscaras em Calais em 1531. Foi um show dedicado à Francisco I da França. Quando Ana foi coroada rainha da Inglaterra em 1533, Jane foi nomeada uma de suas damas.
É amplamente aceito que Jane gostava de George. Não se sabe se isso é verdade, e não se sabe quando que começou o período de más relações entre eles, mas sabe-se que em 1534, por razões pouco claras, Jane voltou-se contra a Rainha. No verão de 1535, ela foi longe demais ao participar de uma manifestação contra Ana, juntamente com outras esposas de vários cidadãos de Londres.
Um motivo para que Jane não gostasse de Ana é que ela era partidária da Reforma, e Jane e sua família eram católicos.

Em maio de 1536, Ana e George foram presos por adultério, traição e incesto. Ana foi acusada de cometer adultério com quatro homens, e que havia forçado o rei a se casar por meio de bruxarias. É amplamente reconhecido que as acusações eram falsas e que não havia provas suficientes, mas Jane testemunhou contra eles?

O julgamento de George foi depois do de Ana. As provas contra ele, de incesto com a irmã eram quase patéticas. O assassinato da reputação, que veio muito mais tarde, dava a entender que a rainha, “querendo muito ter um filho homem para suceder ao rei e vendo que o rei não a satisfazia”, usara o irmão (entre outros) para gerar um filho. Isso era muito diferente das provas apresentadas na época. O pior que aconteceu foi a alegação de Jane sobre uma “familiaridade indevida” entre irmão e irmã. Diante disso, dizem que o próprio lorde Rochford teria exclamado com amargor para seus juízes: “Com base no depoimento de apenas uma mulher, os senhores estão dispostos a acreditar que cometi esse grande pecado”. Quanto ao mais, havia comentários vagos sobre o fato de que lorde Rochford estar “sempre no quarto da irmã” – ofensa que nada tem de mortal e, pelo que se poderia deduzir, não era prova de incesto.

A questão da impotência do rei, sobre a qual havia muita especulação reservada, podia ser usada com perfeição para eles se desfazerem da supérfula rainha Ana. Foram então apresentadas as fatais palavras que a rainha Ana supostamente dirigiu a lady Rochford: “que le Roy n’estait habile en cas de soy copuler avec femme, et qu’il n’avait ni vertu ni puissance” (que o rei era incapaz de copular com sua mulher e não tinha nem habilidade nem virilidade). As palavras estavam anotadas no tribunal, embora lorde Rochford, com certo espírito, as lesse em voz alta. Isso foi muito mais prejudicial do que os absurdos ditos sobre incesto, porque havia maior probabilidade de que fosse verdade.

Julia Fox, autora da biografia de Jane, diz que “a prisão tão repentina e inesperada fazia com que não houvesse tempo para especulações de que o depoimento poderia ser prejudicial ou tendencioso. Jane não estava propensas a histórias, mas cedeu à pressão do questionamento”.
Lembremo-nos que houve não a tortura de cinco homens acusados de adultério – o único torturado foi Mark Smeaton, uma vez que os outros réus não podiam ser torturados por causa do seu alto status. Talvez Cromwell tenha ameaçado Jane que, se ela não revelasse tudo, ela iria para o cadafalso?

Seja com for, o efeito de palavras tão terríveis condenaria Ana com o máximo de eficiência. Ninguém podia criticar o monarca de maneira assim tão arrasadora e íntima e continuar vivendo.
Os motivos de Jane continuam obscuros: o pai dela tinha sido um dedicado partidário da rainha Catarina, e ela mesma pretendera ajudar a causa da filha de Catarina, Maria. Como alternativa, e o que é mais simples, ela poderia ter tido a esperança de continuar do lado vencedor (como, de fato, aconteceu), apesar da desvantagem da “culpa” do marido.

Segundo várias fontes, as últimas palavras de Jane Bolena, antes de sua morte em 1542 foram:

“Eu estou morrendo hoje porque apresentei provas contra meu marido e a rainha Ana. O que eu disse não é verdade”.

É bem improvável, entretanto,  que ela tenha dito isso. De acordo com testemunhas, ela fez um ‘discurso convencional’, ou seja, um discurso que se limitou a reconhecer o crime pela qual foi condenada. Marillac, o Embaixador Francês, e Johnson Ottwell, dizem que ela fez um longo discurso e que admitiu ‘muitos pecados’, mas não especificaram o que ela disse.

Entretanto, na época ninguém se atreveu a ter piedade da rainha Ana e seu irmão. George Bolena foi executado à machadadas em 17 de maio de 1536. Dois dias depois, Ana foi executada por uma carrasco ‘encomendado’ da França. As palavras de Jane foram vitais e cruciais para este desfecho trágico, mas ninguém poderia entrar no pensamento desta enigmática senhora.

Fontes: Los Líos de La Corte, Anne Boleyn e As Seis Mulheres de Henrique VIII.

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Um comentário sobre “Jane Bolena, a infame Lady Rochford [1º Parte]

  1. Great site and yes May be lady Jane got her just deserts for what she did to her Husband and sister in law Anne

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