A vida da mulher na era Tudor

Na Inglaterra dos Tudor, como em muitas outras culturas, as mulheres eram consideradas inferiores aos homens. Tanto os homens quanto as mulheres acreditavam nisso, porque a Igreja lhes disse e Deus ordenara. Mesmo com o advento da Reforma, isso não significou qualquer mudança no pensamento. O líder protestante John Knox, uma vez escreveu: “As mulheres em sua maior perfeição nasceram para servir e obedecer os homens”. Se você se lembrar, o tema era familiar ao da terceira esposa de Henrique VIII, Jane Seymour (“Pronta para obedecer e servir”).

Desde o nascimento, as mulheres tinham como dever ser uma boa filha e obedecer ao seu pai sobre tudo. Mesmo os tios, irmãos mais velhos e amigos dos pais de família deveriam esperar obediência imediata das meninas.

Para a maioria das mulheres eram ensinadas a arte de ser uma esposa ideal, por exemplo, como gerenciar uma casa, bordar, costurar, desenvolver soluções, preparar alimentos, os seus deveres com o futuro marido.

Na primeira metade do século XVI, a maioria das pessoas não acreditavam em educação feminina. Eles achavam que ensinar a ler e escrever era um desperdício de tempo. Eles temiam que elas passassem os dias se entretendo com cartas de amor.

Como esperado, a educação era um privilégio das damas de alto status. Seus pais ou chefes de famílias eram responsáveis pela contratação de professores, geralmente clérigos, cuja principal missão era a de transmitir dogmas religiosos. Eles também eram muito importantes nas artes musicais e nas línguas clássicas como latim, grego, além de espanhol, francês e italiano.

Apenas quatro das seis esposas de Henrique VIII receberam uma educação formal: Catarina de Aragão, Ana Bolena, Ana de Cleves e Catarina Parr. Jane Seymour e Catarina Howard mal eram alfabetizadas. Catarina de Aragão era considerada uma senhora virtuosa; Ana Bolena tornou-se conhecida por seu talento musical e sua habilidade de comunicação em francês. Elizabeth I teve uma educação extraordinária e era aficcionada pela leitura.

Os maridos das senhoras bem-nascidas eram escolhidos por seus pais ou outros parentes do sexo masculino da família. Muitos poucos homens e mulheres tinham o privilégio de escolher os seus próprios parceiros. As chances de uma mulher ter um bom casamento dependia muito de sua riqueza e posição social de sua família, de sua beleza ou realizações.

Os casamentos eram arranjados por razões políticas, para cimentar alianças, juntar riquezas, terras, status, forjar laços entre duas famílias. A idéia de se casar por amor era considerada absurda e bizarra. O casamento real era feito em vista de vantagens políticas, militares e comercial. Ás vezes, acontecia do casal só se conhecer no dia do casamento.

Os monarcas faziam casamentos com princesas de outras nações para ampliar seus poderes. Mas nem sempre dominada por interesses, às vezes o amor rompia barreiras. O caso de Eduardo IV, que se casou com Elizabeth Woodville, uma plebéia, por amor, o escândalo se espalhou pela Europa. E quando seu neto Henrique VIII se casou com quatro mulheres que não eram de sangue real, tal ato passou ‘despercebido’. O que chamou mais a atenção é que Henrique se casou com a maioria de suas esposas por amor, completamente fora das regras. Alguém podia dizer que havia motivos políticos no meio de tais uniões. Dentro da corte, havia várias facções tentando se beneficiar através do casamento do seu monarca.

Normalmente, as negociações para os casamentos reais levavam anos para serem finalizados. Geralmente começavam na infância para ambas as partes. O cortejo real era composta por cartas formais, com declarações de amor e presentes simbólicos, geralmente jóias.

Na maioria dos casos, devido à grande distância entre o casal, era impossível saber a aparência antes de se casar. As pessoas tinham que se contentar com descrições e retratos. Ás vezes se tinha uma decepção ocasional, como é conhecido o caso de Ana de Cleves, quarta esposa de Henrique VIII. Quando o rei viu seu retrato, amou, mas não gostou dela ao conhecê-la pessoalmente.

Richard of Shrewsbury and Anne de Mowbray WeddingNão havia idade legal para o noivado. O casamento de crianças não era desconhecido. Este foi o caso de Ricardo de Shrewsbury, duque de York (filho de Eduardo IV), que quando tinha cerca de quatro anos casou-se com Ana de Mowbray, que tinha cinco anos. A idade usual era quatorze anos, pois a mulher já era vista como demasiada velha para se casar e uma boca para alimentar, sem nenhuma renda extra entrando na casa. Ninguém questionava a idade precoce, uma vez que a expectativa de vida de uma mulher naquela época era de trinta anos. As chances de uma mulher ter um bom casamento dependia muito de sua riqueza e posição social de sua família, de sua beleza ou realizações.

Uma vez casadas, a principal função da mulher era produzir um filho para continuar a linhagem da família. Isto era a verdade desde o rei até o camponês comum. Na Inglaterra Tudor, a gravidez e o parto eram especialmente perigosos para uma mulher, e a morte no parto não era incomum. Uma das tradições nessa época era que a esposa preparasse um novo berçário para o bebê e fazer arranjos caso ela morresse no parto. Este ato era assistido por uma ‘parteira’, sendo esta geralmente um parente ou vizinho idoso do sexo feminino, sem conhecimento médico. As complicações eram frequentes, e mesmo se o parto fosse bem sucedido a mãe ainda poderia ser vítima de doenças devido à falta de higiene durante o parto. A mais famosa vítima Tudor de morte pós-parto é Jane Seymour, que morreu após dar à luz a Eduardo VI.

O modo como as mulheres se vestiam também eram estritamente controlados. As mulheres casadas não podiam usar o cabelo solto. Elas tinham que esconder seus cabelos sob um véu ou um capuz. As rainhas podiam usar os cabelos soltos em ocasiões de Estados, mas isso só era tolerado se elas usassem uma coroa. O cabelo de Ana Bolena era longo o suficiente para que ela pudesse se sentar nele – mas apesar de sua natureza forte, ela fez o esperado e escondia o seu cabelo, após o seu casamento com Henrique VIII.

Os vestidos, claro, cobriam quase tudo. As mangas iam até os punhos, e os vestidos de verão iam até o chão. Os espartilhos eram comuns, e um decote era considerado aceitável. Para as rainhas, os vestidos cerimoniais eram bonitos para quem olhasse, mas eram volumosos e pesados, geralmente incrustados com pedras preciosas. Usados em noites quentes, os vestidos deveriam ser bem desconfortáveis. As roupas eram feitas de lã ou de linho. Só as mulheres ricas podiam comprar algodão e seda.

A maioria das mulheres usavam capelos ou chapéus. Foi Ana Bolena que introduziu a moda do capelo francês na Inglaterra. Também era moda para as mulheres terem a pele pálida (se você fosse mais morena isso mostrava que você era pobre, pois tinha que trabalhar no sol quente). As mulheres deixavam seus lábios e bochechas avermelhados com chochonilha, um corante feito a partir de besouros triturados.

A partir do século 14 e até meados do século 17 havia leis para prever o que cada classe poderia ou não usar, de modo que só as pessoas de determinadas categorias pudessem usar determinados tipos de materiais em suas roupas. Isso era para que as pessoas pudessem ser facilmente reconhecidas pelas suas roupas, mas as leis se provaram ineficazes, uma vez que as pessoas simplesmente a ignoravam.

A lei dava ao marido plenos direitos sobre sua esposa. Ela se tornavam efetivamente sua propriedade. Uma mulher que cometesse adultério poderia ser queimada na fogueira, se a rainha/rei concordasse. A mulher que matasse o marido também era queimada na fogueira. Se a esposa apanhasse do marido, a lógica era de que a esposa teria provocado a briga e o marido não a teria agredido se ela não tivesse provocado. Portanto, ela era a responsável. Em teoria, uma mulher podia sair do casamento, mas para quê? Quem ficaria com ela, quem iria se casar com ela? Portanto, as mulheres tinham de permanecer no casamento, mesmo se fosse algo brutal, havia poucas coisas a se fazer.

As profissões eram fechadas para as mulheres (médicos, advogados e professores sempre eram do sexo masculino) e o emprego feminino era muitas vezes braçal e mal pago. No entanto, as mulheres eram autorizadas a participar de algumas guildas (organização de comerciantes e trabalhadores qualificados).
Em 1562, uma lei tornou ilegal empregar um homem ou uma mulher em um comércio a menos que tenha servido de aprendiz por sete anos. No entanto, no caso das mulheres, a lei muitas vezes não era aplicada. Muitas vezes, as guildas permitiam que os membros do sexo masculino empregasse sua esposa ou filhas. Além disso, se um artesão morresse, sua viúva muitas vezes trabalhavam em seu lugar.

Algumas mulheres trabalhavam na preparação de alimentos (na padaria, confeitaria ou fazendo cervejas), ou como chapeleiras, sapateiras, bordadeiras, lavadeiras. Muitas vezes, a esposa de um comerciante fazia suas contas se ele estava viajando e cuidava dos negócios. Se ele morresse, provavelmente deixaria seu negócio para ela – porque ela seria capaz de executá-lo.

No século 16 a maioria das famílias no meio rural eram praticamente auto-suficientes. Uma dona de casa tinha de cozinhar o pão e fermentar a cerveja (pois não era considerado seguro beber água), além de ser responsável pela cura do bacon, salgar a carne, fazer picles, geléias e compotas. Elas também faziam velas e sabão. A esposa de um fazendeiro também ordenhava as vacas, alimentava os animais, cuidava das ervas e legumes. As donas de casa também tinham de ter algum conhecimento sobre medicina e ser capaz de tratar de doenças da sua família, pois só os ricos podiam comprar um médico.

O uso de cosméticos ou maquiagem era desaprovada em alguns pontos da história, mas as mulheres ricas e nobres da era Tudor usavam maquiagem como uma indicação de seu status e classe social. A maquiagem também tinha o senso prático de esconder cicatrizes de várias doenças, como varíola, por isso a maquiagem pesada não era moda durante o reinado de Henrique VIII. Os perfumes eram populares junto com os cremes e pomadas para amaciar a pele.

Embora era dito naquela época que mulheres não tinham alma, muitas mulheres independentes no século 16 tinham firmes convicções sobre a religião. Algumas delas foram martirizadas. No reinado da rainha Maria, que era católica e perseguia os protestantes, 56 mulheres foram queimadas por suas crenças.

Elizabeth I era protestante, e durante o seu reinado você poderia ser enforcado se abrigasse um padre católico. Várias mulheres, como Anne Line, Margaret Clitheroe e Margaret Ward foram enforcadas por ajudar padres católicos ou ajudá-los a fugir da prisão.

Bibliografia:
JOSÉ, Caroline Barrio. ‘La vida de las mujeres en la Inglaterra Tudor‘. Acesso em 7 de maio de 2011.
LAMBERT, Tim. ‘Life for women in Tudor Times‘. Acesso em 7 de maio de 2011.

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7 comentários sobre “A vida da mulher na era Tudor

  1. Amei! A história dos Tudors me fascina. Adorei o site, fácil, prático e muito esclarecedor. Excelente!!

  2. Sempre gostei muito de história, e assistindo o filme “A Outra” me deu muita vontade de pesquisar sobre Ana. Foi assim que vim parar nesse site e estou achando facinante! Entro aqui todo dia e me delicio com tudo que leio!

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