Cartas que Henrique VIII escreveu para Ana Bolena [2º Parte]

A violência da paixão de Henrique VIII por Ana Bolena é comprovada pela sequência de cartas de amor que ele escreveu para ela. Todas são manuscritas. Ao todo, existem 17 cartas. As respostas de Ana Bolena às cartas desapareceram por completo. Sem dúvida- uma vez mais por motivos de segurança – o rei destruiu-as. Como foi dito, as cartas foram traduzidas do francês para o inglês, e depois eu* as traduzi do inglês para o português. Com isso, é claro que muitas palavras tiveram sentidos mudados ou tenham tido interpretações diferentes.

Sétima Carta:

Minha querida, esta é só para informar-vos de que o portador e o seu companheiro são enviados com tudo aquilo que se pôde imaginar necessário para o bom êxito do nosso caso, e para trazer isso para transpor quanto nossa inteligência pode imaginar ou inventar; o que venha a acontecer, como espero, pela diligência deles, que será em breve, eu e você teremos o nosso fim desejado, o que deve trazer mais alívio para o meu coração, e tranquilidade para a minha mente, do que qualquer coisa no mundo; com a graça de Deus, eu confio que logo isso deverá ser provado, mas não cedo quanto eu gostaria que fosse, mas eu ainda te asseguro que não haverá tempo perdido que possa ser vencido, e ainda não pode ser feito, por ultra posse non est esse*.

Mantenha-o não muito tempo com você, mas desejo-o, por vossa causa, para fazer isso mais rápido, pois quanto mais cedo termos a palavra dele, mais cedo nosso assunto irá para o passado. E, assim, em cima da confiança de sua vinda rápida para Londres, eu faço um fim à minha carta, meu próprio doce coração.

Escrita pela mão daquele que quer tanto ser vosso quanto possais desejá-lo,

H.R.

* Não se poder fazer mais do que é possível.

Oitava Carta:

Chegaram repentinamente no meio da noite as notícias mais afligentes que me poderiam ter chegado.

Primeiro, de ouvir da doença de minha Senhora, a quem estimo mais do que todo o mundo, e cujo estado de saúde eu desejo fazer como a minha própria, de modo que eu teria o maior prazer em suportar metade de tua doença para que você ficasse melhor.

Segundo, do medo que tenho de ser ainda mais assediado pelos meus inimigos. A ausência, muito longa, têm me dado até agora todo o mal-estar possível, e tanto quanto posso julgar está determinado a me irritar mais, porque eu rezo a Deus para me livrar desse incômodo algoz.

Terceiro, porque o médico em quem eu tenho mais confiança está ausente no exato momento em que ele poderia me dar o maior prazer; porque eu deveria esperar por ele e seus meios para obter uma das minhas maiores alegrias da terra – que é cuidar da minha Senhora – mas por falta dele eu vos envio o meu segundo, e espero que em breve ele irá fazer-lhe bem. Eu irei amá-lo mais que nunca.

Rogo-vos que siga os seus conselhos na sua doença. Espero logo te ver de novo, o que será para mim um conforto maior do que todas as pedras preciosas do mundo.

Escrito por aquele secretário, que é, e sempre será o seu servo mais fiel e assíduo,

H.R.

Nona Carta:

As minhas dúvidas sobre o seu mal-estar e sua saúde perturbaram-me e assustaram-me muito, e eu não tive nenhum momento tranquilo até ouvir boas notícias. Mas agora, já que você ainda não sentiu nada, eu espero, e estou certo, de que isso poupará você, assim como está poupando-nos. Pois, quando estávamos em Walton, dois porteiros, dois criados particulares, o tesoureiro-mestre e seu irmão ficaram doentes, mas agora estão muito bem, e já voltamos a nossa casa em Hunsdon, temos estado perfeitamente bem; neste momento não há nenhuma pessoa doente, Deus seja louvado, e eu acho que, se você se retirar de Surrey, como nós, irá escapar de todo o perigo. Há outra coisa que posso confortá-la, é que, neste tempos de enfermidade, poucas mulheres ficaram doentes, nenhuma delas da corte, e poucas de outros lugares morreram. Razão pela qual peço-vos, minha querida, que não vos amedronteis e não vos aflijais muito coma nossa ausência. Porque, onde quer que eu esteja, sou vosso; e contudo devemos algumas vezes submeter-nos às nossas desgraças; pois quem quer combater contra o destino geralmente não atinge o seu escopo; por consequência consolai-vos e tomai coragem, e fazei que este infortúnio vos seja tão leve quanto possível, e eu espero que muito em breve poderei fazer você cantar la renvoyé.

Sem mais demora, por falta de tempo, mas que gostaria que você estivesse em meus braços, para que eu possa dissipar um pouco seus pensamentos irracionais.

Escrito pela mão de quem é e sempre será seu,

H.R. – imutável.

Décima Carta:

A causa de minha escrita, neste momento, querida, é só para saber da sua boa saúde e prosperidade, e do qual eu queria muito saber da minha própria maneira, rezando a Deus (que seja a Sua vontade) para nos deixar juntos em breve, e eu te prometo e espero por isso. Como seja, eu confio que não será por muito tempo que minha querida estará ausente, não posso fazer menos do que mandar-lhe carne, que representa o meu nome, o que, para Henrique, é carne de cervo, esperando que depois disso, se Deus quiser, tomareis gosto pela minha, e eu bem quisera que, se isso lhe aprouvesse, fosse desde já.

Tocando no assunto sobre sua irmã, eu pedi a Walter Welzer para escrever para meu senhor, minha mente que está aí, onde eu confio que Eva não têm poder para enganar Adão, pois certamente, independente do que foi dito, ele não pode ficar assim com sua honra, mas ele deve necessariamente levar ela, sua filha natural, agora em sua extrema necessidade.

Não mais para você neste momento,

minha única querida, com um desejo que estaremos juntos uma noite.

H.R.

Décima Primeira Carta:

Desde suas últimas cartas, minha querida, Walter Welshe, Mestre Browne, Thos. Care, Grion de Brearton e John Coke, o boticário, pela queda do suor nesta casa, e, graças a Deus, todos estão bem-recuperados, de modo que a praga ainda não deixou totalmente este lugar, mas eu acredito que em breve deixará. Pela misericórida de Deus, o resto de nós ainda está bem, mas eu acredito que iremos passar por isso, e se ainda não passamos totalmente, pelo menos passamos mais facilmente do que o resto.

Tocando na questão de Wilton, meu senhor cardeal tinha as freiras diante dele, e examinou-as, Sr. Bell estava presente; e me certificou de que, de verdade, ela confessou por si mesma (pela qual nós tínhamos a madre-superiora) que teve dois filhos de dois padres diferentes, e ainda, que tinha sido escondida por um servo de Lorde Broke, e não muito tempo atrás.

Portanto, eu não iria, por todo o ouro do mundo, embaraçar a sua consciência nem  a minha para fazer dela governadora de uma casa, sendo que têm um comportamento tão terrível; estou certo de que você não iria querer que por um irmão ou uma irmã eu desprezasse assim minha honra ou consciência. E, tocando na madre-superiora, ou irmã mais velha da dama Eleanor, embora não há nenhum caso evidente de provas contra eles, e que a madre-superiora é tão velha que por muitos anos ela não poderia ser como ela está sendo nomeada; e nem mesmo com o direito, de lhe dar alegria! Nenhum deles deve ter feito algo, mas que alguma outra mulher boa e bem-disposta deve, segundo o qual a casa deve ser bem reformada (do qual eu posso garantir-lhe que têm muita necessidade), e Deus, muito melhor servido.

Tocando no seu domicílio em Hever, faça lá como melhor gostar, para seu melhor conhecimento, acaso o ar melhore você; mas eu gostaria de que isso viesse para cá também (se aprouver Deus), que nenhum de nós precisa de cuidados para isso, para qual eu a garanto por muito tempo.

O procurador caiu doene do suor, e portanto, eu lhe envio este portador, porque eu acho que você deseja ouvir notícias de nós tanto quanto nós gostaríamos de ouvir de você.

Escrito pela mão de votre seul,*

H.R.

* De seu único

Décima Segunda Carta:

A aproximação do tempo que eu tanto esperei me alegra tanto, que parece quase já ter chegado. No entanto, a realização completa não poderá ser feita até duas pessoas se encontrarem, cujo encontro é mais desejado por mim do que qualquer coisa neste mundo, porque não existe alegria maior na terra do que ter a companhia daquela que é caro para mim, sabendo também que ela sente o mesmo, o pensamento me dá o maior júbilo. Julgando o efeito da presença dessa pessoa teve em mim, cuja ausência têm entristecido meu coração mais do que as palavras ou a escrita pode expressar, e que nada pode me curar, mas eu lhe imploro, minha Senhora, para dizer ao seu pai de mim, que eu desejo que ele apresse o tempo determinado por dois dias, para que ele possa estar na corte antes do tempo determinado, ou, o menos distante possível, no dia prefixado, pois caso contrário eu acharei que ele não fará a reviravolta do amante, como ele disse que faria, sem responder às minhas expectativas.

Sem mais no momento, por falta de tempo, esperando que em breve eu lhe direi o resto dos meus sofrimentos por sua falta frente à frente.

Escrito pela mão do secretário, que gostaria de estar nesse momento a sós com você e que é, e sempre será, o seu servo mais fiel e seguro.

H.R.

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6 comentários sobre “Cartas que Henrique VIII escreveu para Ana Bolena [2º Parte]

    • Creio que não pois estão na biblioteca do Vaticano! E o Vaticano tem medo de tudo que posso acabar com o seu poder.

  1. Antes de se casarem era um amor louco, depois de casados ela dizia que ele não tinha habilidade nem virilidade para satisfazé-la e ele a rejeitou por ela nao ter dado o filho homem….as coisas não mudaram mt.

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