Aqueles olhos Bolena

É difícil pensar em Ana Bolena sem se lembrar dos seus belos olhos negros, que são muitas vezes referência em seus quadros.

De acordo com o poeta francês, Lancelot de Carles, sua característica mais atraente eram seus olhos, que ela sabia usar muito bem. Na verdade, tal era o seu poder que muitos homens mostravam submissão. Ela usava os olhos, diz Carles, para te convidar para uma conversa, e para transmitir uma promessa de secreta paixão.

O diplomata veneziano Francesco Sanuto, descreveu Ana como:

“Não é uma das mais belas mulheres do mundo, ela é de estatura mediana, pele morena, pescoço longo, boca larga, seios não tão grandes e olhos que são pretos e bonitos”.

Ana aprendeu muitas lições enquanto esteve na França: cantar, dançar, tocar alaúde e outros instrumentos, mas como afirma David Starkey:

O instrumento do qual ela teve mais habilidade foi ela mesma. Ela seria mais tarde lembrada como bonita, com uma figura elegante e olhos que eram ainda mais atrativos. Seus olhos eram grandes e negros, e ela os usava com habilidade praticada: ás vezes, mantinha-os em repouso, em outras ocasiões, mostrava-os como uma mensagem, para levar o testemunho secreto do coração. Tal era o seu poder, que muitos homens estavam ao seu comando.

Claro que Ana não tinha uma beleza convencional, mas sua inteligência, sagacidade, estilo, graça e determinação a fez incrivelmente sedutora. Seus grandes e expressivos olhos negros, obviamente cativava os que o viam e adicionava-o a seu magnetismo.

Mas havia algo além da beleza nos olhos de Ana?

O Prof. Dale Hoak, um professor de uma faculdade na Virgínia, ressalta o fato de que Ana poderia ter olhos de “contraluz”. Esta característica um pouco rara causa uma pigmentação nos olhos, que os deixam com uma cor mais vibrante. Um paralelo é que dizem que Adolf Hitler também tinha olhos ‘contraluz’. Várias fontes afirmam como ele era cativante durante as conversas. Talvez esta característica junta a sua cabeleira negra adicionava um misticismo a essa mulher do renascimento.

A “contraluz” não é uma condição médica, é apenas um aspecto físico da pigmentação real – o efeito faz com que pareça, par o espectador, como se tivesse uma luz nos olhos, uma espécie de olhar incandescente, um brilho. Hoak menciona que Elizabeth Taylor disse que tinha “contraluz”, mas muitas pessoas usam lentes de contato para alcançar tal efeito hoje em dia.

“Olhei para Ana. Ela estava tirando sua máscara e me observando com uma expressão astuta, com o olhar Bolena, o olhar Howard que diz: o que aconteceu? Como posso tirar vantagem disso? Era como se sob sua máscara dourada houvesse outra bela máscara de pele, e só embaixo dessa estivesse a mulher de verdade.”

(GREGORY, 2009,pág. 23)

Bibliografia:
GREGORY, Philippa. A irmã de Ana Bolena. Tradução de Ana Luiza Borges – 3º Edição – Rio de Janeiro: Record, 2009.
GRUENINGER, Natalie. ‘Those Striking Boleyn Eyes‘. Acesso em 30 de Junho de 2011.

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4 comentários sobre “Aqueles olhos Bolena

  1. Muito legal isso de “contraluz”… é provável que ela tivesse mesmo, senão seus olhos não seriam até hoje sua parte mais ressaltada!

    • Olá Rebeca! O termo utilizado pelo Prof. Dale Hoak no original em inglês é “backlit”. Mas para você encontrar tem que se esforçar um pouquinho, já que esse termo é geralmente associado com iluminações em monitores de LED.

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