O Epitáfio de Maria Seymour

Catarina ParrMaria Seymour nasceu dia 30 de agosto de 1548, e desapareceu dos registros históricos com cerca de dois anos de idade. A mãe de Maria, Catarina Parr, morreu de febre puerperal em 5 de setembro de 1548, apenas seis dias após o nascimento de Maria. O pai de Maria, Thomas Seymour, foi executado como traidor em 17 de março de 1549, deixando Maria órfã com apenas 7 meses.

Thomas não nomeou qualquer um de seus parentes ou de Catarina como guardião de sua filha. Após ter sido executado, todos os ‘amigos’ de Seymour tentavam ficar o mais longe possível. Por isso, Katherine Brandon, Duquesa de Suffolk, uma amiga próxima de Catarina Parr, que era uma senhora com idéias religiosas sobre a reforma aparentemente impecáveis, foi apontada como guardiã. Não foi algo que ela aceitou com entusiasmo.

Apesar de sua forte visão religiosa, a Duquesa não estava cheia da caridade cristã. Lady Maria era uma órfã sem posses pessoais, mas era uma pessoa cara de se manter. A duquesa não tentou esconder o fato de que o número interminável de criados considerados necessários só para aquela garotinha representava um grande ônus para ela, duquesa. Primeiro, o incessante tagarelar deles – “aias, babás e outros” – deixava-a maluca, e, segundo, o custo era elevado “cujas vozes meus ouvidos mal podem suportar, mas meus cofres podem muito menos ainda”, como dizia ela em seu habitual estilo mordaz.

Uma carta de reclamação enviada pela duquesa a seu amigo William Cecil referia-se incisivamente à baixela de prata na ala infantil “da filha da rainha”, em 1548. No ano seguinte, a duquesa Catarina protestou que não podia, mesmo, manter aquelas despesas por muito mais tempo sem uma pensão para ajudá-la. Ela gostaria de transferir a onerosa criadagem para o tio materno de Maria, William, marquês de Northampton, mas ele estava no mesmo grau de pobreza; tendo “como eu, umas costas sem condições de levar essa carga”.

A Duquesa deve ter ficado muito aliviada em janeiro de 1550, quando um ato do Parlamento permitiu que Maria herdasse a propriedade de seu pai – o dinheiro seria o último a vir. Mas essa foi a última vez que se ouviu falar de Maria Seymour, que teria cerca de 16 meses de idade quando ela foi autorizada a herdar os bens restantes de Thomas Seymour. Ela desapareceu dos registros e não reivindicou sua herança. O que poderia ter acontecido com ela?

A resposta deste atraente mistério Tudor parece estar em um livro de poemas escrito por John Parkhurst, capelão de Catarina Parr, e que já havia servido ao Duque e à Duquesa de Sufffolk.

Duquesa de Suffolk“Eu, que ao custo
De sua própria vida
Minha mãe rainha
Suportou com as dores do parto
Durmo sob este mármore
Uma viajante imprópria.
Se a morte me desse mais tempo de vida
Essa virtude, essa modéstia,
Essa obediência de minha mãe excelente
Essa natureza corajosa e celestial
Teria vivido mais uma vez em mim.
Agora, quem
Tu és, contigo bem passarei
Porque eu não posso falar mais nada, esta pedra
É um memorial para minha breve vida.”

Embora nenhum nome tenha sido dito, este certamente deve ser o epitáfio que Parkhurst escreveu sobre sua morte. Ele sugere que ela morreu jovem, provavelmente em torno dos dois anos de idade. Ela provavelmente está enterrada em Lincolnshire, perto de Grimsthorpe, uma fazenda da Duquesa de Suffolk, onde ela viveu como um fardo indesejável por um grande tempo de sua curta vida.

Thomas SeymourAinda que a teoria de que Maria morreu jovem seja a que contém mais provas de sua veracidade, ainda há duas teorias sobre sua morte:

  • Ela fugiu com a Duquesa de Suffolk para a França quando a perseguição aos protestantes começou com a subida de Maria I ao trono e retornou à Inglaterra em 1559.
  • Segundo o historiador Agnes Strickland, Maria viveu até se casar com Edward Bushel, que mais tarde se tornou um cavaleiro da Rainha Ana da Dinamarca. A teoria é que Maria teve uma filha, que se casou com Silas Johnson e herdou parte da herança de sua mãe. Há ainda estranhos rumores de que Maria sobreviveria até o século seguinte.

O fato de não haver registros em sua vida adulta sugerem fortemente que ela morreu na infância. Na época, morte de bebês eram muito comuns, então pode-se aceitar que isso simplesmente não foi escrito ou, se o registro foi feito, que ele tenha se perdido em algum lugar.

Bibliografia:
Mary Seymour, the daudhter of Queen Catherine’. Acesso em 6 de Julho de 2011.
PORTER, Linda. ‘Lady Mary Seymour: An Unfit Traveller‘. Acesso em 6 de Julho de 2011.

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5 comentários sobre “O Epitáfio de Maria Seymour

  1. Fantástico!
    Obrigada Sora por suas pesquisas.
    Essa questão de Maria Seymour rondava minha cabeça há muito tempo…
    A pobrezinha… viveu tão pouco, orfã, indesejada…
    Já era fácil uma criança morrer nos primeiros anos de vida na Era Tudor, imagina sem pai, mãe ou alguém que realmente cuidasse dela…

    • Ela teve quatro filhos.

      – Henry Brandon, segundo Duque de Suffolk (18 de setembro de 1535 – 14 de Julho 1551) morreu da doença do suor
      – Charles Brandon, Duque de Suffolk 3 (1537 / 1538 – 14 de julho de 1551) morreu da doença do suor uma hora após seu irmão mais velho.
      – Susan Bertie, Condessa de Kent (1554 -) Casou em 1570, com Reginald Grey de Wrest, 5 Conde de Kent, e, em 30 de setembro de 1581, se casou novamente com John Wingfield, com quem teve dois filhos: Peregrine Wingfield e Robert Wingfield.
      – Peregrine Bertie, 13 Barão de Willoughby de Eresby (12 de Outubro de 1555-1601). Casado em 1557 com Maria de Vere , filha de João de Vere , 16 Conde de Oxford e Golding Margery. Eles tiveram sete filhos. [Wikipédia]

  2. Catarina Parr parece ter cido uma exelente Rainha, deixou uma única filha Maria, fruto do seu amor com Thomas Seymour, que destino tão cruel foi reservado a estas tres pessoas. É tudo muito triste.

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