Ana Bolena: A Outra Mulher?

Claramente, este site é uma tentativa de desmascarar os mitos sobre a Ana Bolena e as outras esposas de Henrique VIII, bem como ele próprio. Apesar disso, eu não vou colocar nenhum deles num pedestal, pois nenhuma era uma deusa ou uma santa, eram seres humanos com falhas. Embora eu admire e respeite Ana Bolena eu também tenho pena dela.  Existem muitos comentários sobre Ana ser uma “prostitua” e “adúltera”, e  sua situação estava longe de ser invejável quando se examina todos os fatos. 

Para aqueles que acham que ela é “inocente” porque ela não consumou imediatamente o seu relacionamento com Henrique VIII, tenho a seguinte pergunta: você consideraria ‘inocente’ de adultério uma mulher que aceita cartas de amor e presentes do marido de outra mulher? E se ela aceitou, pelo menos, o apoio financeiro dele entre outros favores? O verdadeiro casamento do rei não poderia ser dissolvido sem a intervenção de um tribunal da época. Mas se você e seu marido (cristãos) se casaram em uma igreja cristã e seu marido se casou com outra em um templo budista, você se consideraria solteira ou casada? Embora todos tentamos dar algumas desculpas como “O casamento de Henrique VIII com Catarina já estava terminado, ele já estava considerando uma anulação antes de conhecer Ana”, ou “Não foi culpa de Ana, ela não poderia recusar a proposta de um rei”, ou até “Henrique havia sido infiel muitas vezes com Catarina”, mas será que realmente podemos desculpar as ações de Ana?

E se Ana foi a outra mulher em sua vida? Ou se ela foi aquela outra mulher na vida de sua melhor amiga? Todos nós sabemos de alguém cujo marido deixou sua mulher atual por outra. Talvez nós precisemos ver Ana a partir da perspectiva de Catarina de Aragão.

Ana manteve sua virtude, mas talvez tenha sido só isso que provou o fim do casamento de Henrique. Talvez se Ana tivesse dormido com ele e se tornado sua amante, ele teria ficado casado com Catarina e, quem sabe, deixaria Ana do mesmo jeito que havia deixado suas outras amantes. Catarina poderia fechar seus olhos para as amantes de Henrique, porque já era esperado que o Rei fizesse este tipo de coisa, mas Ana se tornou uma ameaça real, pois ela deixou claro que era o casamento ou nada. Seria ela, então, a responsável pelo divórcio?

Se nós fossemos amigas de Catarina ou uma dama na corte de Henrique, provavelmente também pensaríamos que Ana fosse uma ‘concubina’. Esta mulher Bolena destruiu um casamento real, acabou com as esperanças de uma princesa espanhola e a verdadeira Rainha da Inglaterra, além de ter ‘enfeitiçado’ Henrique com sua beleza e encanto.

Todos nós sabemos como a história foi, mas vamos tentar ver as coisas pelos olhos de Ana, agora. Henrique bombardeava Ana com cartas e presentes. Eu acredito que ela realmente não tinha escolha, pois um ‘não’ poderia lhe desgraçar e a sua família inteira, e teria no mínimo consequências para as posições do pai e irmão de Ana na corte. Ela fez a única coisa que podia proteger sua reputação e suas crenças, se recusando a se tornar a amante de Henrique. Ana não podia se casar, pois cada nobre do país estava sobre o comando do rei, e nenhum se casaria sabendo que poderia cair em desgraça ao casar com uma mulher que o rei queria. Hoje em dia, a abordagem que Henrique fazia a Ana provavelmente poderia ser identificada como assédio sexual. Ana, no entanto, não tinha recurso social ou legal contra um homem que governava o país. Vamos dar-lhe algum crédito, então.

Anúncios

13 comentários sobre “Ana Bolena: A Outra Mulher?

  1. Adorei o Post!
    Eu simplesmente adoro Catarnina e Ana, as duas, para mim, são mulheres fantásticas, cheias de qualidades, que fizeram o que puderam e da melhor forma possível dada a situação que viveram.
    Foi difícil para as duas, as duas estavam numa situação totalmente anormal, onde tinham de defender seu lado com todas as forças, até o fim, o fim de uma seria a vitória da outra e vice-versa, fim e vitória não no sentido da conquista, do casamento, coisas desse tipo “frívolas”, longe disso, fim e vitória num sentido de fim de vida e de possibilidades, e o pior: não só sua, mas de várias pessoas envolvidas e que dependiam de você.
    Muita responsabilidade…
    As duas estavam em posições difíceis perante um Rei que só olhava para seu próprio umbigo e só queria saber de seus interesses.
    Ana me conquista pela inteligência e perspicácia – o jogo de cintura.
    E Catarina por sua postura, lealdade e realeza de caráter.

    Parabéns Sora!

  2. Mesmo sendo rivais na vida real, também admiro Ana e Catarina acima de todas ao outras esposas do rei Henrique, que na minha opinião foi um canalha. O típico de criança mimada que só cresceu em tamanho, mas não em mente.

  3. Também concordo.
    Tanto Ana como Catarina eram mulhres fortes para o seculo XVI,com personalidade,inteligencia e cada uma lutou até o fim por seus objetivos.
    Catarina,uma católica fervorosa,filha de Isabella de Castela,seguiu tudo o que a mãe havia lhe ensinado.Ela foi criada para ser rainha,e imagine a situação dela quando viu que o rei prentedia se livrar dela para se casar com Ana Bolena,não somente inferior na posição,mas ainda uma protestante.
    E Ana,ela conseguiu,se tornou rainha.Imagine como ela era pressionada pela família?Posição.Ela o que queriam.Mas ela não era uma santa,ela era humana,e tinha seus defeitos.Mas era inteligente.

  4. A melhor esposa e esperta foi a feia “Ana de Cleves”, inteligente, afastou-se de mansinho e ficou cheia do dinheiro, pensão, castelo etc. e viveu feliz longe de um velho obeso. Entre as duas Catarina de Aragão e Ana Bolena quem era linda foi a Catarina de Aragão, embora mais velha.
    A Ana não foi nada inocente e acabou atraindo para si sérias consequências; antes ela teve ciumes da sua irmã mais nova Maria, quando esta atraiu a atenção do rei para si. Os pais acrediatavam que Ana despertaria o olhar do rei e salvaria a família das dívidas e da situação de dificuldades, entretanto no principio não foi isto que aconteceu. Ele se apaixonou pela irmã, que tornou sua amante. Inconformada Ana foi para a França e mais tarde retornou premeditando a conquista ao rei, usando de artimanhas. No começo não aceitava seus presentes e nem ser sua amante, mas sim a casar e pedir a anulação do seu casamento. Ela foi responsável pela sua própria infelicidade.

    • Acho que o filme “The Other Boleyn Girl” (2008), te influenciou demais nesse seu ponto de vista.
      Sempre fui apaixonada pela história da era Tudor, mas principalmente pela história de Ana Bolena. Se você parar pra ler um pouco mais e não se basear somente naquilo que vê, talvez a sua perspectiva mude. Os filmes mostram aquilo que eles sabem que dará retorno no capital, para isso alteram histórias. Maria Bolena não era a mulher doce e boazinha que você viu retratada no filme.
      Experimenta se aprofundar mais no assunto antes de fazer um comentário ‘nonsense’.

  5. O que talvez daria pra pensar sobre esta perspectiva da Marli Doli, é que estão para Ana Bolena o que realmente fez questão (incoscientemete) o que estava em jogo era a disputa, a rivalidade entre ela e sua irmã Maria ……? E não propriamente a relãção dela com o Rei, mas que ela, Ana teria de mais vantagens do que Maria nesta história, ela sairia disto como Rainha e não como uma meretriz. É muito comum este tipo de comportamento nas famílias, a rivalidade a disputa, principalmente estre mulheres. E estão foi assim que Ana cai no seu próprio engodo, o engodo da sua subjetividade.

  6. As duas ao meu ver são fortes e inteligentes porém Ana ao meu ver não é nenhuma santa e sempre agiu de má fé. A sua inteligencia a fez ser diferente de todas a atrair o rei mimado.

  7. O post é muito antigo mas concordo com Ágatha Del’Lano, as pessoas precisam se informar mais antes de fazer comentários sobre assuntos que desconhecem. O livro de Philippa Gregory “A Irmã de Ana Bolena” em que se baseou o filme “A Outra”, é um desserviço a história. A autora ficou milionária escrevendo um livro sensacionalista que emburreceu meio mundo (certamente com intenção, não faltam fontes para pesquisas principalmente em inglês para retratar a verdadeira história de Ana Bolena e de sua “doce”irmã Maria, prostituta famosa já na corte francesa).
    Ana Bolena nunca quis disputar a atenção de Henrique VIII com Maria Bolena, ela nunca quis ocupar o papel de amante, seu desejo era se casar com Lord Henry Percy. O interesse de Henrique VIII por ela levou ao impedimento de seu desejo: ele instrui o cardeal Wolsey a intervir no assunto proibindo tal empreitada. Daí é que surge a Ana Bolena que só aceitaria o papel de Rainha e seu ódio pelo cardeal.

  8. Você esqueceu de dizer que foi Ana Bolena quem seduziu o Rei, propositadamente, Não foi o Rei quem assediou Ana. Foi ela quem seduziu Henrique, o torna sua tese totalmente errada.

    • Querida, se você chama isso de tese, acho que deveria redefinir os seus conceitos rsrs. E não, não foi Ana que seduziu Henrique, ao menos é o que a grande maioria dos historiadores concordam (os que não corcordam geralmente são os mesmos que acreditam que Ana cometeu os crimes pelo qual foi acusada). Nas cortes renascentistas, era comum o jogo do amor cortês, uma vez que haviam mais de 500 pessoas em cada corte européia e um dos maiores motivos para estar lá era para ficar perto do rei, ganhando cargos e dinheiro, e fazendo um bom casamento. Era ainda mais comum tal jogo com as damas de companhia e os reis, ou os cortesãos e as rainhas (Elizabeth I que o diga). Acontece que Henrique levou isso longe demais. Afinal de contas, o que Ana ganharia ao seduzir Henrique? Ser mais uma amante? Não haviam precedentes nas cortes recentemente em que um rei se separou de sua mulher para ficar com a sua amante – nada indicava que Ana poderia realmente ser esposa do rei, e ela já sabia como era a vida de alguém que era amante de Henrique, afinal de contas, sua própria irmã o fora.

      O rei escreveu várias cartas para Ana, o que fez com que ela se afastasse para sua casa em Hever Castle durante algum tempo. Talvez sua visão esteja demasiada influenciada pelo filme “A Outra” ou a série The Tudors. Recomendo que assista o filme “Ana dos Mil Dias”, ou leia o livro “As Seis Esposas de Henrique VIII”, de Antonia Fraser.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s