Os Brasões de Ana Bolena

Todos sabem que o brasão de Ana Bolena é um falcão branco e, seu lema, “A mais feliz”. Mas Ana tinha outros brasões antes do falcão que nós conhecemos hoje. Este artigo irá lhe mostrar os brasões de armas desconhecidos pertencentes a Ana Bolena.

Em um dos seus livros de horas, Ana escreveu: “Le temps Viendra.Je, Anne Boleyn”, que significa “O tempo virá. Eu, Ana Bolena”. Eric Ives nota que “entre as palavras ‘eu’ e “Anne”, existe uma pequena figura. Após um exame minucioso, foi concluído que esta era uma esfera armilar. É provavel que este tenha sido o emblema de Ana Bolena antes do falcão branco”.

A esfera armilar é um instrumento astronômico, sendo um modelo da esfera celeste, usado para determinar retas e inclinações. O que isso significava no século XVI? Ives explica que as esferas armiliares eram identificados como uma pessoa constante no traço de caráter. Elizabeth, filha de Ana Bolena, tinha como lema “Semper Eadem”, que significa “Sempre a mesma”. Curiosamente, Elizabeth também usou a esfera armiliar como brasão. Será que isso expressava o apoio para com sua mãe? Só podemos imaginar. 

Ao virar rainha, Jane Seymour adotou como emblema uma pantera. Há indícios que um dos emblemas de Ana tenha sido um leopardo, pois havia alguns antigos emblemas desse animal em Hampton Court, e novas, porém sutis, alterações haviam sido feitas no brasão para transformá-lo em um leopardo.

A origem do falcão branco do emblema de Ana Bolena vêm dos Butlers, condes de Ormonde. O pai de Ana, Thomas Bolena, estava relacionado com os Butlers da Irlanda através de sua mãe, e lhe foi concedido o título de Conde de Ormond após o rei Henrique VIII forçar Piers Butler a abandonar o título em 1528.

Falcão, em inglês, significa Falcon, que é derivado do latim “falx”, que significa foice, uma referência ao formato da asa do falcão quando este está em vôo. Os egípcios associam o falcão ao Deus Hórus, que na mitologia tinha corpo de homem e cabeça de falcão, onde um olho representava o sol e o outro, a lua. Supostamente, os falcões eram autorizados a andaram perto dos faraós como seu protetor e espírito divino. Um símbolo venerável de majestade e poder, escritores acrescentam que o falcão denota uma pessoa ansiosa ou impetuosa na busca de um objeto muito desejado, e se sentado, pode significar que está pronto e será útil para tratar de assuntos importantes.

Assim, Ana não estava só se referindo a sua linhagem nobre através dos Butler, mas ela também pode ter querido dizer que ela era majestosa, poderosa, ansiosa e pronta para fazer seu trabalho como rainha.

Na época do casamento de Ana com Henrique, ela adotou como distintivo próprio o falcão branco, pousado em um tronco. Eric Ives descreve o significado por trás do emblema: “Com a vinda de Ana Bolena, já grávida, a vida mais uma vez irromperia a partir do tronco estéril dos Tudor”.

Na coroação de Ana, uma criança disse essas palavras escritas por Nicholas Udall e John Leland:

Honra e Graça à nossa Rainha Ana
Por quem um Anjo Celestial
Desce, o falcão (branco como um cisne)
Para lhe coroar com um diadema imperial!
Em sua honra todos nos alegramos
Pois isso vêm de Deus, e não do homem.
Honra e graça a nossa Rainha Ana!

A mensagem é clara: A Rainha Ana tinha sido colocada no trono por Deus, e não por Henrique VIII.
Udall também escreveu esta balada sobre o falcão (isto é, Ana):

De pequeno corpo
De poder rígido
Ela é, nítida na visão
De fazer a coragem hesitar
Sem nenhuma culpa
Neste falcão branco.

As rosas no brasão de Ana não são a rosa Tudor, mas sim a rosa vermelha Lancaster e a branca de York. Com isso, ela provavelmente estava se referindo ao direito de Henrique VIII ao trono da Inglaterra, através de seu pai, Henrique Tudor (um Lancaster) e sua mãe, Elizabeth de York (uma York). Henrique trouxe as reinvidicações de Lancasteres e Yorkes juntos.

Embora o falcão esteja usando uma coroa e isso possa estar se referindo à Ana como Rainha, Ives escreve que durante a procissão de Ana muitos tentaram ressaltar através de versos que a coroa era imperial, ao invés de a coroa de um monarca. Esta era uma alusão deliberada de que Henrique estava reinvidicando ao poder de imperador no seu reino após rejeitar a autoridade do papa.

Já o Cetro que o falcão está segurando não se refere só a Henrique e Ana serem rei e rainha, mas também é um símbolo da autoridade dada por Deus.

Bibliografia:
Anne Boleyn Badges, Symbolism & Mottoes‘. Acesso em 21 de outubro de 2011.
Hórus‘. Acesso em 21 de outubro de 2011.
Herb i motto Anny BoleynAnne Boleyn’s badges and mottoes‘. Acesso em 21 de outubro de 2011.

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5 comentários sobre “Os Brasões de Ana Bolena

  1. Que temperamento de Ana Bolena, irredutível, impetuosa, imponente, corajosa e muito inteligente diante de suas mentas….faz historia e a recria, muda as direções de um Rei, de uma nação e mais ainda altera a crença de todo um povo até os dia de hoje. Dá a impressão de que estas pessoas já vem prontas pra cumprir com todo um papel no palco da vida.

  2. Sua fé e coragem venceram o direito que o tempo tem sobre todas as memórias e ainda vivem presentes em todos aqueles que, assim como eu, humildemente admiram a história desta grandiosa mulher. Que descanse em paz, Ana Bolena, e ao reencontrar sua volta ao mundo, venha por meio de muita luz!

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