Henrique VIII

“A pesar dos triunfos da sua diplomacia, Henrique não estava satisfeito com os aliados. Todos queriam dinheiro dele, até mesmo no momento em que se achava em maiores apertos na Inglaterra. E depois não mantinham as promessas.
No papel, a conquista da França era bastante fácil. O Bourbon devia antes de tudo reconhecer Henrique como ‘seu supremo senhor e soberano, prestando juramento de fidelidade ao legítimo herdeiro da dita coroa da França’. Salva assim a legalidade, o Duque devia fugir para a Borgonha, onde estava pronto um exército de lansquenetes alemães, que ele devia conduzir à França. Carlos, além de restituir o dinheiro emprestado e de pagar as pensões francesas a Wolsey e aos outros, devia atravessar os Pirineus à frente das suas tropas, enquanto os Ingleses e os Flamengos passariam o Soma, convergindo para Paris. E na ocasião em que a França era assim invadida de três lados, Francisco estaria ausente, a caminho da Itália com um imenso exército.
Esse plano de 1523 era por demais simples. Francisco retardou a sua partida por suspeita do Bourbon, que foi obrigado a fugir para o sul da França. Carlos estava sem vintém e não pode reembolsar Henrique. Atravessou os Pirineus, mas só tomou uma ou duas cidades. Os Franceses conservaram Baiona. Os lansquenetes passaram o Mosa, mas foram repelidos. Alguns conspiradores, partidários do Bourbon, foram presos. Por fim, tudo dependia de Suffolk que avançava sobre Paris sem oposição alguma”.

Henrique VIII

Sobre esta figura da Renascença do Norte escreveu o irlandês Fracis Hackett um sutilíssimo estudo psicológico. O livro, como seu herói, transborda de vida exuberante. Como uma pena brilhante, mas que nunca abandona a fidelidade histórica, é traçado um quadro colorido da época em que a Inglaterra passou da Idade Média para os Tempos Modernos, aparecendo ainda no fundo os reis dos dramas de Shakespeare, enquanto no proscênico já se eleva a nova Inglaterra, cujos fundamentos Henrique VIII colocou.
Pela forma e pela substância, Hackett fez um dos livros mais empolgantes de uma biblioteca histórica, pois soube fazer esse estranho Henrique VIII, rival de Francisco I e Carlos Quinto, as suas seis esposas, os seus conselheiros, Wolsey, Norfolk, Tomas Cromwell, os seus contemporâneos, Erasmo e THomas More, com as ambições, as paixões, os vícios ou o gênio de cada um deles. Esse período, um dos mais misteriosos da história inglesa, é assim ressuscitado.

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Informações:
Nome do Livro no Brasil: Henrique VIII
Nome Original: Henry The Eighth
Escrito por: Francis Hackett
Publicado no Brasil em: 1950 [Primeira edição]
Editora: Pongetti
N° de paginas: 473

* Dados enviados por Renato Drummond Tapioca.

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