A Rebelião de Wyatt

Thomas WyattO medo da Inglaterra tornar-se Católica combinado com o casamento proposto entre Maria e Filipe da Espanha levou á Rebelião Wyatt em 1554. O nome veio de Sir Thomas Wyatt, o Moço, filho do poeta Sir Thomas Wyatt, que amava Ana Bolena e perdera-a para o rei, mas conseguira sobreviver à sua queda. O filho era um valente comandante militar, mas homem estouvado e impetuoso. Foi chamado para se juntar a rebelião por Edward Courtenay, conde de Devonshire, que esperava casar-se com Elizabeth no bem-sucedido desfecho de seu golpe, Wyatt aceitou de bom grado. Esta foi uma rebelião liderada por nobres, e incluiu também Sir Peter Carew de Devon, Sir James Croft de Herefordshire e do Duque de Suffolk de Leicestershire. No entanto, a rebelião não teve o apoio popular das pessoas em todo o país e assim foi condenada ao fracasso.

Havia aqueles que se opunham ao catolicismo na Inglaterra e que temiam o retorno da autoridade papal na Inglaterra e no País de Gales. Estes homens estavam igualmente alarmados como o casamento de Maria com Filipe, e temiam que isso poderia levar a Espanha a ter uma influência indevida sobre a política inglesa. A França, que não podia tolerar um rei Habsburgo da Inglaterra, também estava temerosa. Com o Sacro Império Romano a leste e com Habsburgo Espanhol nas fronteiras sudoeste, a última coisa que a França queria era uma extensão da influência Habsburgo através do Canal.

Filipe e Maria

Após sua coroação em 1 de outubro de 1553, Maria rapidamente colocou homens católicos em posições superiores, inclusive aumentando o número de pessoas no Conselho Privado para 43. O Conselho era o órgão mais importante no governo e os nobres que participavam dele tinham fácil acesso à Rainha. Embora o plano envolvesse muitos ‘se’ e ‘mas’, era para ter sucesso. Os nobres conspiradores planejavam remover Maria e colocar Elizabeth como rainha, além de casá-la com Edward Courtenay – um homem que Maria já havia rejeitado como marido. O plano era que três rebeliões ocorreriam em partes distintas do país e ao mesmo tempo, em Midlands, a região oeste e Kent. Acontecendo ao mesmo tempo, supostamente o governo não teria como saber quem começou primeiro e cada rebelião teria como resultado mais adeptos, em decorrência das localidades escolhidas. A Marinha Francesa ajudaria bloqueando o Canal Inglês com 80 navios, para que os Habsburgos não pudessem ajudar Maria.

O plano falhou miseravelmente. O Embaixador Imperial, Simon Renard, ouviu rumores sobre a existência da conspiração e informou o Lorde Chanceler, Stephen Gardner, que trouxe Courtenay para um interrogatório. Courtenay não era um homem muito forte e contou tudo o que sabia sobre o plano para o governo.As revoltas no Midland e na região oeste foram um fracasso. Parece que, embora houvesse preocupação com Maria se casar com um estrangeiro, a lealdade à rainha teve precedência. Aqueles no oeste não queriam cometer traição (Suffolk só conseguiu 140 homens), e muitos no ocidente eram católicos.

Edward Courteney

Wyatt conseguiu levantar um exército de 4000 homens e sua proximidade a Londres preocupou muito o governo local. A força liderada pelo Duque de Norfolk juntou-se ao de Wyatt, mas o exército entrou em colapso quando uma proclamação foi emitida do governo dizendo que haveria perdão para qualquer um que abandonasse a rebelião dentro de 24 horas e voltassem pacificamente pra suas casas. Isso acarretou em um atraso para Wyatt, que deu tempo a cidade para organizar suas defesas. As tentativas de atravessar o rio Tamisa perto da Torre foram frustadas quando as pontes foram deliberadamente danificadas para impedir o acesso.

Wyatt tentou manter a moral de seus seguidores, anunciando diariamente que esperava soldados da França e circulando relatórios falsos de que as rebeliões do outro lado do país estavam dando certo. A maré virou temporariamente a seu favor quando o Duque de Norfolk foi para Londres junto de Sir Henry Jerningham com 500 homens contra o exército de Wyatt, mas a força do governo era inferior e muitos lá estavam a favor dos rebeldes. Logo muitos trocaram de lado, e se juntaram ao exército de Wyatt. Norfolk e suas forças restantes fugiram deixando armas e tesouros.

Wyatt entrou em Sourthwark, mas seus seguidores ficaram alarmados com os relatórios da atividade do governo: no dia anterior, 1 fevereiro, Wyatt foi declarado um traidor, e no dia seguinte mais de 20 mil homens estavam prontos para proteger a cidade. Em 3 de fevereiro, uma recompensa no valor £ 100 seria dada anualmente a pessoa que capturasse Wyatt.

O exército de Wyatt marchou para sudoeste de Londres, e atravessou o rio Tamisa lá. Ele marchou com seus homens e foi para a cidade, onde ele tinha planejando entrar via Ludgate. No entanto, o portão estava fortificado e para chegar até ele os rebeldes tiveram que subir por suas estreitas, onde eles foram presos pelos londrinos armados leias a Maria. Encarcerado na Torre e interrogado sob tortura, Thomas Wyatt recusou-se a envolver Elizabeth na conspiração, insistindo em que apenas “lhe enviara uma carta na qual dizia que ela devia afastar-se o máximo possível da cidade, o melhor para sua segurança contra estranhos”. Quanto a ele, jurou que não queria a morte da rainha, mas fora motivado por seu patriotismo: “Toda a minha intenção e agitação era contra a vinda de estrangeiros e espanhóis, e para aboli-los deste rainado”. Mas nem as fortes negações de Wyatt conseguiram salvar Elizabeth.

A execução de Jane GreyAs condições na Torre estavam ainda piores do que o de costume para os prisioneiros, uma vez que cada membro da família Grey e Dudley estavam presos esperando a pena de morte. Cramner, Ridley e Latimer tiveram que partilhar a mesma cela, e o Duque de Suffolk, Sir James Croft, Sir Henry Isley, Sir Gawen Carew, dois Culpeppers, Cromer e Thomas Rampton também foram presos.

Na eclosão da rebelião de Wyatt em fevereiro de 1554, Maria convocou-a de Ashridge, onde ela vivia em Hertforshire, a Londres, mas Elizabeth teve uma verdadeira desculpa para não obedecer de imediato. Assim que Wyatt foi preso, contudo, as convocações passaram a ser mais energéticas. Em 11 de fevereiro, chegaram três lordes aos seus portões, com ordens de levá-la imediatamente para Londres, um deles William Howard, parente dos Bolena. O pedido se fazia mais obrigatório pela presença na comitiva de 250 homens a cavalo.

Elizabeth foi interrogada e estava sob o perigo de ser executada, mas conseguiu ser poupada graças a suas respostas evasivas e inteligentes. Ela foi presa em 18 de março na Torre de Londres, e protestava fervorosamente que era inocente. O confidente de Maria, embaixador de Carlos V, Simon Renard, argumentou que o trono nunca estaria a salvo enquanto Elizabeth vivesse, e o chanceler, Stephen Gardiner, fez com que Elizabeth fosse levada em julgamento. Partidários de Elizabeth, incluindo Lord Paget, tentavam convencer Maria na inocência de sua irmã, na ausência de provas contra ela. Em 22 de maio Elizabeth foi movida da Torre para Woodstock, onde ela ficaria quase um ano em prisão domiciliar sob os cuidados de Sir Henry Bedingfieldd. Embora nada pudesse ser provado, o quão Elizabeth estava envolvida na rebelião tem sido questionado por muitos estudiosos modernos.

Princesa Elizabeth

Embora Gardiner e o Embaixador Imperior Simon Renard insistisse que a rainha não deveria mostrar piedade, dando a sentença de morte para todos os rebeles, o Conselho pediu clemência a Maria pelos rebeldes, dizendo que isso demonstraria sua verdadeira natureza cristã. Foi-lhe dito que isto elevaria seu status ainda mais aos olhos do povo. Apenas dois dos líderes foram executados por traição: Wyatt e o Duque de Suffolk. Depois de ter sido severamente torturado, Wyatt foi executado em Tower Hill, em 11 de abril de 1554, em uma execução pública. Ele foi autorizado a fazer um discurso, onde ele corajosamente assumiu a responsabilidade pela rebelião, afirmou a inocência de Elizabeth e defendeu Edward Courtenay. Ele tinha 33 anos, após ter sido decapitado seu corpo foi esquartejado como traidor. O corpo foi pendurado em várias partes de Londres – Newington, Mile End Green, Igreja de St. George e Sourthwark. Em 17 de abril sua cabeça foi roubada e nunca mais foi vista, assim como a cabeça de Sir THomas More, muitos anos antes.

Outros nobres também foram executados, mas alguns, mesmo culpados de traição, foram poupados. No total, cerca de 90 rebeldes foram enforcados, arrastados e esquartejados, seus corpos foram pendurados nas portas da cidade. Courtenay foi exilado e morreu em Pádua. Muitas das pessoas comuns que se juntaram ao exército foram poupados. Duas outras vítimas foram Lady Jane Grey e seu marido Guildford Dudley. Ambos estavam presos desde a fracassada tentativa de colocar Jane no trono, e eles nada tinham a ver com a Rebelião de Wyatt. Maria, no entanto, não teve escolha pois não poderia correr mais riscos, e Jane foi executada.

A rebelião foi desastrosa para a família Wyatt, eles perderam os títulos e terras, incluindo a casa da família, o Castelo Allington. No entanto, quando Elizabeth subiu ao trono em 1558, ela restaurou todos os títulos e bens da família.

Bibliografia:
The Wyatt Rebellion‘. Acesso em 5 de Novembro de 2012.
The Wyatt Rebellion of 1554‘. Acesso em 5 de Novembro de 2012.
Elizabeth I of England‘. Acesso em 5 de Novembro de 2012.
Wyatt’s Rebelion‘. Acesso em 5 de Novembro de 2012.
Wyatt Rebelion‘. Acesso em 5 de Novembro de 2012.
DUNN, Jane. Elizabeth e Mary: primas, rivais, rainhas. Tradução de Alda Porto – Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

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4 comentários sobre “A Rebelião de Wyatt

  1. Fantastática esta informação. Eu não tinha o menor conhecimento destes fatos assim como foram relatado aqui, nunca entendi muito bem qual era o envolvimento de Wyatt nesta rebelião e muito menos o de Elizabeth, gostaria de saber mais sobre…..??? Grata, adorei !

  2. Digo o mesmo que Elenice, tudo o que encontrei sobre essa rebelião havia sido muito vaga ou incompleta. Ótimo texto.

    • Eu acho improvável. Tanto Maria quanto Elizabeth eram apoiadas por facções relativamente grandes, e caso se juntasse a essa rebelião Elizabeth podia correr o risco de perder (como realmente perderam) e ser executada (assim como foram os líderes). Acho que ela até pode ter se envolvido nos bastidores, mas com nada que possa ter sido provado (já que na época também não conseguiram provar).

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