O fiel tutor de Elizabeth

ElizabethSimon Adams e David Scott Gehring explicaram como o professor pouco conhecido da Rainha Virgem pode ter influenciado as políticas religiosas do seu reinado.

Elizabeth I desfruta a reputação de ser a mais educada das rainhas britânicas e, consequentemente, sua escolaridade tem sido objeto de muita discussão.

Seu tutor mais famoso foi o acadêmico de Cambridge Roger Ascham, que deixou os relatos somente do que ela estudou. No entanto, o tempo de  Ascham com ela foi breve, de meados de 1548 até o início de 1550. Ele foi precedido por seu aluno e amigo, William Grindal, que ensinou a Elizabeth de 1545 até que ele morresse de peste em janeiro de 1548.

Grindal e Ascham ensinaram à futura rainha latim e grego, mas eles não eram seus únicos tutores. Giovanni Battista Castiglione ensinou-lhe italiano e Jean Belmain ensinou-lhe francês, assim como fizeram com seu irmão, Eduardo VI.

O relato sobre a educação de Elizabeth terá agora que ser completamente revistos, pois ela tinha outro tutor nas línguas clássicas, um homem que realmente serviu mais do que Grindal ou Ascham. Esse homem foi Johannes Spithovius (John Spithoff), também conhecido como Monasteriensis, seu provável lugar de nascimento, em algum lugar perto de Münster no noroeste da Alemanha.

Spithovius foi inicialmente aluno do reformador luterano, Philip Melanchthon, mas ele matriculou-se na Universidade de Copenhague, em 1542 e foi nomeado Professor Paedigogicus em 1545. Ele veio para a Inglaterra em 1549 com recomendações de Melanchthon e outros para o Arcebispo Cranmer. Cranmer, juntamente com o reformador de Strasbourg, Martin Bucer, recomendou Spithovius para a princesa no verão de 1549.

Ele ainda estava a serviço de Elizabeth quando Maria chegou ao trono em 1553, mas no ano seguinte, enquanto Elizabeth foi encarcerada em Woodstock, ele regressou à Dinamarca e retomou o ensino em Copenhague. Lá ele morreu em 1563, possivelmente de decorrência de alguma praga.

A conexão de Spithovius com a Inglaterra não terminou em 1554. Em 1559, ele serviu duas vezes como um embaixador especial da coroa dinamarquesa.

Sua segunda embaixada durou de julho de 1559 a janeiro de 1560  e é bem conhecida pelos historiadores dinamarqueses. Seu objetivo era convencer Elizabeth a se casar com o novo rei dinamarquês, Frederick II, ao invés de Príncipe Eric da Suécia. No entanto, a embaixada anterior tem escapado à atenção até agora.

Cristiano III da Dinamarca morreu no ano novo de 1559, e pouco tempo depois sua viúva Dorothea enviou Spithovius para parabenizar a ascensão de Elizabeth e discutir secretamente uma aliança com a Dinamarca, possivelmente incluindo um casamento com  Frederick. Spithovius chegou em meados de fevereiro e retornou a Dinamarca em meados de abril.

O relatório sobrevivente desta embaixada foi enterrado no Rigsarkivet em Copenhague dentre as correspondências da segunda embaixada. Isso é de grande importância porque fornece a resposta para um dos mistérios do assentamento religioso de 1559.

Spithovius registra uma conversa em fevereiro com Sir Thomas Smith sobre formas de adoração. De acordo com um memorando de política muito debatido, o “dispositivo para a alteração da religião’. Smith foi nomeado presidente de uma Comissão para rever a ordem de adoração com antecedência ao Parlamento de 1559.

Ele também foi autorizado a consultar  outros homens cultos. Na ausência de evidências de que o comitê realmente havia sido descoberto, a opinião acadêmica em geral rejeitou a proposta. Graças ao relatório de Spithovius, agora pode ser estabelecido que a comissão não existia.

O fato de que ele ainda estava trabalhando após a abertura do parlamento pode explicar por que a coroa não apresentou os projetos para a legislação religiosa no início da assembléia.

Elizabeth manteve com Spithovius uma relação considerável e sua possível influência sobre ela abre uma gama de novas questões. Apesar de poucos registros de seu período como professor (1549-1553) ter sido deixado para nós, sabemos que este foi um capítulo psicologicamente formativo na vida de Elizabeth. E, embora não temos idéia clara do que ele lhe ensinou, a sua presença em sua casa é mais que uma evidência da natureza cosmopolita de sua educação.

Ele certamente aumentou sua compreensão do mundo luterano e ela pode ter ganho um conhecimento de leitura de alemão dele. Tendo em vista as complexidades do assentamento 1559 religioso, não é menos interessante que Smith tenha perguntado a Spithovius sobre a prática dinamarquesa e saxônica sobre cerimônias religiosas.

Sem dúvida, qualquer que seja a explicação final do acordo, ele não foi feito dentro da ignorância da opinião Luterana.

Traduzido por Stefan Gerzoschkowitz do artigo 'Elizabeth's faithful tutor' do site History Extra.
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