Ana Bolena e o Château Vert

Chateau Vert em The Tudors

Como se sabe, Ana Bolena estava na França quando foi chamada de volta à Inglaterra, para se casar com seu primo irlandês, James Butler, na tentativa de resolver uma disputa sobre o título e as propriedades do Condado de Ormond. Enquanto a questão do casamento era resolvida, Ana Bolena foi colocada na equipe da rainha Catarina de Aragão como dama de companhia. Sua primeira aparição na Corte que se tem registro foi num espetáculo teatral amador no dia 1º de Março de 1522.

Esse evento, organizado em 1522 pelo cardeal Wolsey em York Palace, seria uma recepção aos embaixadores imperiais. Uma das câmaras estava cheia de tapeçarias e panos, grandes tochas acesas sobre todos, dando uma atmosfera muito rica e luxuosa. Dentro da câmara havia um castelo com torres, decorada com bandeiras bordadas com corações rasgados, a mão de uma mulher segurando o coração de um homem, e a mão de uma mulher segurando o coração de um homem de cabeça para baixo. De um lado, as torres tiveram uma queima de fogos. Aconchegados no fundo dessas torres estavam músicos, cujas melodias eram ecoadas por todo o salão.

Também situada dentro dessas torres estavam a Beleza [Maria Tudor], Honra [Condessa de Devonshire], Perseverança [Ana Bolena], Gentileza [Maria Bolena], Constância [Jane Parker], Magnanimidade, Misericórdia e Piedade. As mulheres que interpretaram as outras virtudes, tanto quanto sabemos, não foram identificadas. O que é curioso é o fato de que essa senhora de fato encarnavam estas virtudes de todo o coração. Sabemos que Ana perseverou com seu relacionamento com o rei depois de sete ou oito anos de espera do divórcio. Maria Tudor supostamente era muito bonita, tendo sido a Rainha da França, onde Ana a serviu por um curto período. Jane Parker, apesar de mídia gostar de retratá-la de outras formas, era de fato uma mulher muito constante com George Bolena: não há provas de que ela estava com ciúmes de Ana e seu irmão, e ela não deu um discurso no andaime admitindo que ela era uma mentirosa pouco antes de ser executada. Maria Bolena, mais tarde Maria Carey, depois Maria Stafford, era de fato bela, e parecia servir diligentemente a irmã, tratando todos com gentileza. A Condessa de Devonshite era avidamente contra a facção Bolena, e confirmou que ela acreditava ser a mais honrada da Corte. Assim, vemos como todos os papéis realmente são parecidos com as pessoas que os interpretaram.

Todas as damas usavam vestidos de cetim branco, com o nome de sua virtude bordado com fios de ouro. Elas usavam capelos vindos de Milão junto de uma rede dourada para os cabelos vindos de Veneza.

Os cortesãos que participavam deste evento também tinham suas virtudes: Nobreza, Juventude, Presença, Lealdade, Prazer, Ternura, Amorosidade e Liberdade. Os homens eram liderados pelo rei Henrique, e usavam roupas de ouro com fios de prata em seus casacos e capelos. Botas de veludo azul e capas de cetim azul também tinham suas virtudes bordadas nelas.

Guardando a torre das senhoras virtuosas, estavam os vícios femininos: Desdém, Ciúme, Perigo, Desprezo, Descortesia, Maldizer e Estranheza. De acordo com as crônicas de Edward Hall, os vícios eram representados também por mulheres, no entanto, três historiadores concordam que as más qualidades não eram interpretado por mulheres, e sim meninos da capela de Wolsey.

David Starkey, em seu livro  Six Wives: The Queens of Henry VIII, escreveu:

“Para ajudar essas senhoras na defesa do Castelo estavam os oito vícios femininos: desprezo, desdém,  maledizer, e o resto. Esses vícios foram interprestados entusiasmente pelos meninos da capela de Wolsey’.

Eric Ives, em The Life and Death of Anne Boleyn, escreve:

“As senhoras foram protegidas contra as agressões dos oito coristas da Capela Real, que ficavam nos muros mais baixos e vestidos como mulheres indígenas, cada um representando um vício feminino”.

Até mesmo Philippa Gregory, na ficção histórica tão criticada ‘A irmã de Ana Bolena’, escreve que:

“As coristas não passavam de meninos que ficaram superecitados e atacaram os cavaleiros, sendo balançados no alto e girados, depois largados no chão, tontos e rindo divertidos.”

As virtudes do sexo masculino, em seguida, atacaram o castelo, procurando regatar as senhora desses vícios malignos, e assim, Henrique conduziu os homens para a batalha. Eles atiraram laranjas e tâmaras, enquanto doces e água de rosas eram jogadas sobre os cavaleiros. Para o deleite da multidão, depois de muito lutar, os homens finalmente resgataram as mulheres da Torre e a conduziram para a dança. Houve uma grande festa, ou como Edward Hall declara ‘um banquete dispendioso’.

Apesar do que é muito retratado pela mídia, não há nenhuma prova ou evidência de que o rei tenha se apaixonado por Ana Bolena neste evento. Não há provas de que ele sequer a tenha notado naquele dia. Embora pudesse não ter sido tão romântico quanto esperávamos, o Chateau Vert foi a estréia de Ana para a Corte Inglesa. Seu primeiro gosto da pompa e das regalias inglesas, das idéias do rei sobre a cavalaria e mascaradas.

O evento foi, realmente, caro. As torres de mentira, as bandeiras bordadas, as tapeçarias de ouro e prata, as vestes suntuosas e caras das mulheres e dos homens. Estes eventos de cavalaria davam um baque nos cofres reais, e foi apenas o início de Ana Bolena.

Traduzido do artigo “Anne Boleyn at the Chateau Vert pageant” escrito por Lauren Elflein.

Anúncios

2 comentários sobre “Ana Bolena e o Château Vert

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s