David Starkey diz que é ‘ridículo’ sugerir que romancistas históricos têm autoridade

David Starkey

Falando ao The Telegraph sobre o filme da BBC Two, The Last Days of Anne Boleyn, na qual ele é um colaborador, David Starkey disse que não tem tempo para a escrita mais imaginativa que tem aparecido recentemente sobre o período Tudor. O programa da BBC analisa o debate sobre por que, afinal, Ana Bolena foi decapitada em 1536.

‘Nós realmente devemos parar de levar os romancistas históricos a sério como historiadores’, diz ele. ‘A idéia de que eles têm autoridade é ridículo. Eles são muito bons em imaginar personagens: é por isso que seus romances vendem. Eles não têm autoridade quando se trata do manuseio de fontes históricas. Ponto final.’

Ele continua: ‘As esposas de Henrique VIII são muito importantes para serem deixada aos chick lit’, diz ele. [Chick lit é um gênero ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas. São romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa]. ‘Sua importância é o impacto que eles têm sobre a ampla história do período, sobre a vida de cada homem e cada mulher que viveu na Inglaterra na época, e que posteriormente têm vivido na Inglaterra.’

As romancistas Hilary Mantel, autora de ‘Wolf Hall’, e Philippa Gregory, autora de ‘A irmã de Ana Bolena’, aparecem lado a lado de Starkey no programa, o que dá um peso comparável às opiniões de ambos historiadores e novelistas.

Starkey é cheio de elogios para Mantel, embora ele admita que acha seus romances ‘ilegíveis’. ‘Eu não sonharia em comentar sobre Hilary Mantel como romancista, francamente eu ficaria grato se ela ficasse fora do meu caminho como historiadora’, diz ele. ‘Ela é inteligente, ela é brilhante, ela é uma escritora admirável. Acontece que eu acho seus romances Tudor ilegíveis, mas isso porque eu sou um historiador Tudor’.

Sobre Gegory, no entanto, ele é menos cortês, descrevendo seu trabalho como ‘muito Mills and Boon’. [Mills and Boon é uma editora britânica cujos romances são comprado especialmente por mulheres e cujas histórias geralmente são sobre uma jovem e bela mulher e um homem de boa aparência, que normalmente se casam depois de muitas dificuldades.]

Fontes: The Telegraph, Wikipédia e Longman.

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21 comentários sobre “David Starkey diz que é ‘ridículo’ sugerir que romancistas históricos têm autoridade

  1. Eu concordo com ele… Até pq, muito da historia é alterado pra que fique bem em um romance historico, não pode ser considerado como fonte historica mesmo!

    • Ele fala que é “ridículo” romancistas terem autoridade, e no entanto a escrita dele é cheia de elementos próprios da literatura. Meio contrastante isso, não?

      • Eu entendi que ele respeita os romancistas, tanto que duas das mais famosas romancistas do periodo tudor fazem parte do programa dele, mas como muita gente acha que romance é fonte historica, ele quis frisar que não é…

        • Essa é uma questão para a qual o principais historiadores da escola francesa veem discutindo a longa data. Partindo do princípio de que não há uma verdade absoluta para a História, então como dizer que o trabalho de um romancista, que cria, é inferior ao trabalho de um escritor como ele que usa elementos próprios da literatura para enfeitar os fatos, e que cria e inventa também? Não concordo com o Starkey. Romances Históricos podem ser usados como fonte histórica sim, a depender da maneira que você pretenda abordá-los.

          • Acho que em alguns casos de alguns autores muito especificos, dá pra pegar parte do conteúdo pra entender alguns fatos historicos, mas são pouquissimos autores que realmente fazem um romance baseado na historia, sem invencionices pra florear a historia… Por exemplo, eu usaria um livro do Bernard Cornwell, mas jamais usaria A Outra Bolena como fonte historica…

            • Margaret George, por exemplo, consultou mais de 300 livros pra escrever a Autobiografia de Henrique VIII. Então dizer que é ridículo conceder autoridade a um romancista é o mesmo que negligenciar a pesquisa deles! Ele foi muito extremista na fala dele!

              • Bernard Cornwell, Margaret George e Colleen McCullough são meu 3 romancistas historicos favoritos, e eles escrevem com propriedade e com uma seriedade que nao é possivel não aprender historia com eles

  2. Me surpreendi com Elizabeth I… a Margaret George é bem minuciosa, até alguns diálogos e discursos do livro conferem com as fontes..

    • E com certeza tem gente que leu esses livros e acreditou que o que aconteceu foi aquilo que o escritor inventou pq leu no livro e não tem uma base historica mais aprofundada na qual confiar

    • Sim, ele foi extremista, mas eu entendi o que ele quis dizer, e concordo com ele… A grande maioria dos romancistas “historicos” escolhe um periodo por ser modinha, pega o basico que todo mundo conhece desse periodo e enfia um monte de abobrinhas pra tornar a trama mais interessante para olhos leigos…
      Por exemplo, eu me irritei horrores ao ler a coleção Imperador do Conn Iggulden, o que ele faz com a historia de Julio Cesar é de se ter convulsões de baboseira…

      • Mas aí eu penso que já é uma questão de bom senso que falta por parte do leitor. Como toda produção é fruto da época em que foi feita, então muitas vezes uma mentira propalada por um romance pode muito bem esconder alguma crítica a determinada coisa :)

        • Eu acho que se vc altera um fato historico a ponto de distorcer completamente a historia, é melhor inventar uma historia completamente nova apenas que se passe no periodo, sem envolver diretamente personagens historicas…

            • Pois é… Eu gosto bastante do periodo Tudor e conheço razoavelmente bem, mas meu foco é o Egito Antigo, principalmente o periodo ptolomaico… Então, se eu começo a ver invencionices, eu fico irritada, tenho vontade de jogar o livro no fogo… Só não jogo pq meus livros, mesmo os piores, são meu tesouro e eu jamais destruiria um livro! Mas com certeza não será um livro que relerei

              • Tem uns romances que são terríveis mesmo… mas existe público pra tudo… rsrsrrsrsrs

  3. Tb acho que tem publico pra tudo, senão nenhuma editora lançava os livros meia-boca, rsrs… Só que tem que deixar claro que não é fonte historica… Eu amo livros que tem nota historica no fim, aonde o autor diz o que foi pesquisado, no que se inspirou e, principalmente, o que alterou da historia real para romancear… Cornwell e Margaret fazem isso em todos os livros deles… Amo!

    • Tem uns romances que são péssimos mesmo, mas como eu falei antes, toda produção reflete o tempo em que foi feita. Nesse caso, se você escolher trabalhar com um romance histórico, por exemplo, sobre a dinastia tudor, o período que deverá ser estudado com profundidade não será a Inglaterra no século XVI, mas o ano que o livro foi lançado, para assim chegar à resposta acerca do que fez com que determinado escritor voltasse seus olhos pra esse tempo. O que a pessoa não deve fazer é procurar extrair fatos históricos de um romance… isso sim é perigoso. Mas fatos e fontes não são a mesma coisa… rsrs :)

  4. Vamos reconhecer, os romances históricos mais fidedignos, sem deixar de lado o aspecto ficcional, são escritos por homens, como Cornwell. Quem já teve a ocasião de ler a série de Jean Plaidy dos reis ingleses não sabe se ri ou se chora. E os roteiros de tv vão pelo mesmo caminho. Ainda mais que o gosto “feminino” do público continua o da virada do século … XX.

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