O relacionamento de Ana de Cleves e Maria Tudor

Retrato póstumo de Ana de Cleves.Ana de Cleves foi a terceira madrasta de Maria e, posteriormente, uma boa amiga. Ana, que é sempre percebia como a mulher de Henrique VIII que manteve sua cabeça no lugar, também foi a última de suas esposas ao morrer. Quando ela morreu, em 1557, Maria, que era então rainha, garantiu que ela fosse enterrada como todas as honras na Abadia de Westiminster. No entanto, sua relação teve um começo difícil.

Ana chegou à Inglaterra em 27 de dezembro de 1539 e se casou com Henrique em 6 de janeiro de 1540. David Loades em ‘Mary Tudor: The Tragical history of the first Queen of England’ (2006) e Linda Porter em ‘Mary Tudor: the First Queen’ (2007) afirmam que Maria estava presente no casamento do seu pai, embora nenhuma fonte primária tenha sido citada para confirmar esta história. Desse modo, não se sabe quando as duas mulheres se encontraram pela primeira vez, mas o assunto de seu encontro provocou um ponto de controvérsias.

Aparentemente, na Páscoa de 1540, Henrique VIII pediu a Ana que chamasse Maria para atendê-la e ficar em sua casa. Não havia nada de errado nesse pedido – sabemos, por exemplo, que Henrique pediu à sua futura esposa, Catarina Howard, que fizesse o mesmo em maio de 1541. Neste ponto, Henrique e sua filha Maria ficaram reunidos e ele parece ter encontrado nela uma companheira agradável. Entretanto, parece provável que Henrique estava um pouco decepcionado com seu casamento com Ana e queria ter sua filha de volta à corte para lhe fazer companhia. Ana não ficou nem um pouco satisfeita com isso e deixou que todos o soubessem.

Por que Ana não queria Maria na corte? Seria, talvez, ciúme por seu marido ter mostrado mais interesse em sua filha do que nela? Teria este fato se agravado pelo fato de que sua nova enteada era apenas um ano mais nova do que ela, e também bonita, podendo assim ofuscá-la? Teria ela se sentido ofendida pela fé de Maria? Maria sempre foi apresentada como uma católica fiel enquanto Ana de Cleves têm sido considerada uma luterana. No entanto, Ana foi criada por sua mãe, que era uma católica rigorosa, não sujeita às idéias liberais de reforma do pai e do marido; seu confessor era o conhecido dom Joannes Justus Lanspergius, prior de um convento de cartuxos (católicos). Desse modo, Ana teria adorado da mesma forma que Maria. Parece difícil de afirmar que a fé de Maria teria ofendido Ana porque ambas se tornaram muito boas amigas e, mais tarde, Ana morreu como uma católica devota, indicando que as duas compartilhavam de idéias e interesses semelhantes. Em suma, a idéia de que Ana é incorreta, baseada quase que simplesmente no fato de que Ana tinha laços familiares com os luteranos.

Maria I, baseado no quadro de Antonio Moro, século 19.A sugestão de Retha Warnicke de que Ana se sentiu ofendida pela presença da filha ilegítima de seu marido na corte é muito interessante. Maria não era uma bastarda real comum, mas Ana, que parece ter sido mal informada de muitas coisas, poderia não saber sobre a situação delicada de Maria. Pedindo-lhe para ter Maria em sua casa, Henrique pode ter ofendido sua nova esposa. Possivelmente após Ana ter sido informada sobre a situação de Maria, elas se tornaram boas amigas.

Henrique, claro, anulou o seu casamento com Ana, tendo ficado extasiado pela dama de companhia de Ana, Catarina Howard. Maria nunca gostou de Catarina e continuou tratando Ana muito bem. Após a morte do rei, Ana e Maria parecem ter vistos uma a outra raramente. A essa altura, ambas tinham seus respectivos problemas, sendo o de Ana financeiro e o de Maria a sua fé católica, que a colocava em oposição direta às políticas reformistas do reinado de Eduardo VI.
Quando Maria se tornou rainha, Ana compartilhou das celebrações. Juntamente com a princesa Elizabeth, ela subiu em uma carruagem forrada de prata, durante a procissão da coroação em 29 de setembro de 1553, e sentou-se aos pés da mesa da rainha durante os banquetes da coroação em 1 de outubro. Ela também procurou a assistência financeira da nova rainha, que pareceu estar pronta para ajudá-la.

Ana voltou á corte e, aparentemente, se envolveu com as negociações de casamento de Maria (mas com um candidato diferente em mente: o Arquiduque Ferdinando, sobrinho do imperador). Para a decepção de muitos, incluindo Ana, Maria escolheu Filipe da Espanha. A Rebelião de Wyatt também causou certa dificuldade para Ana, pois Maria suspeitou que ela fosse uma conspiradora por causa de sua afeição para com Elizabeth e as suas associações com seu irmão William, agora Duque de Cleves. Mesmo que não houvesse nenhuma associação de Ana com a conspiração, o relacionamento delas sofreu um duro golpe. Embora Maria permanecesse educada com Ana, ela não foi convidada a voltar para a corte.

Quadro póstumo de Ana de Cleves. Artista desconhecido.Ana viveu seus últimos anos em uma cera obscuridade e dificuldades financeiras contínuas, já que sua renda apoiada pela rainha foi reduzida e suas propriedades vendidas. Ela teve problemas de saúde até o final do mês de abril de 1557, e morreu em 15 de julho de 1557 aos quarenta e um anos.

Ela nomeou como supervisora de suas vontades ‘a nossa mais querida e amada soberana Rainha Maria’. Por sua vez, Maria garantiu que Ana tivesse um impressionante funeral na Abadia de Westminster. Enquanto Maria teve boas relações com as outras duas madrastas – Jane Seymour e Catarina Parr – seu relacionamento com Ana foi mais longo do que a das outras duas mulheres.

Bibliografia:
GILBERT, Lauren. ‘The Flanders Mare: Anne of Cleves, Henry VIII’s Fourth Wife‘. Acesso em 1 de Junho de 2013.
Anne of Cleves and Princess Mary’. Acesso em 1 de Junho de 2013.

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2 comentários sobre “O relacionamento de Ana de Cleves e Maria Tudor

  1. Não. Ana de Cleves consentiu nos arranjos feitos pelo rei, no qual ela renunciaria ao título de rainha e se comprometeria a não deixar o reino. Em troca, o rei deu-lhe propriedades, jóias, móveis e uma mesada de £4000 por ano. Ela permaneceu na Inglaterra pelo resto de sua vida e não se casou novamente.

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