Ana Bolena, a Marquês de Pembroke

No 1 dia de Setembro do ano de 1532, o rei Henrique VIII elevou Ana Bolena a Marquês de Pembroke. Isso foi importante por uma série de razões: a primeira é que nenhuma outra mulher jamais havia sido agraciada com o título, em segundo lugar, o título de Conde de Pembroke pertenceu ao tio-avô de Henrique, Jasper Tudor, e por isso tinha fortes conexões com a realeza. Por último e não menos importante, o título fazia de Ana a mulher não-real mais prestigiada do reino.

Parece provável que Henrique conferiu o título a Ana como uma maneira de aumentar seu status social para que seu casamento com o rei pudesse ser melhor recebido, mas também é possível que fosse um presente por Ana ter esperado por tanto tempo o divórcio de Catarina de Aragão.

O uso do título masculino (em vez do marquesa) não tinha importância: a palavra marquesa era raramente usada naquela época, com a esposa de um marquês sendo chamada, em geral, de ‘a senhora marquês’. Com esse título, Ana adquiriu também as regalias de uma rainha. Tinha agora, para seu uso pessoal, uma caudatária, aias de alcova, damas de honra, guardas, oficiais burocráticos e pelo menos trinta serviçais. Henrique queria que o mundo soubesse que uma cerimônia de casamento era a única coisa que impedia a marquesa de ser rainha em título.

Lady Ana fora feita Marquesa de Pembroke, com seus próprios direitos. Grande outorga de dinheiro e terras lhe tinha sido feita, e o título e vantagens eram assegurados por carta patente aos herdeiros varões. As palavras ‘legalmente gerados’, comuns em tais patentes, tinham sido omitidas. (…) O título e a garantia para os bastardos só podiam significar uma coisa. Eram compensações por um casamento que jamais teria lugar.

(PLAIDY, 2000)

O trecho acima completa, de certa forma, o raciocínio de Margaret George em seu livro ‘A Autobiografia de Henrique VIII’:  Henrique fez a cerimônia para ludibriar o papa, pois ele (e muitos outros) pensaria que Ana se contentaria com título de Marquês e não quisesse mais ser rainha. Assim, o papa concederia as bulas que tornariam Thomas Cranmer Arcebispo de Canterbury de modo que, sendo devidamente consagrado em conformidades com Roma, ele satisfaria os conservadores e declararia nulo o casamento do rei com Catarina de Aragão.

A cerimônia, realizada no Castelo de Windsor, foi feita pelo próprio Henrique. Estiveram presentes alguns dos mais altos membros da corte, incluindo o pai de Ana, Thomas Bolena, 1º Conde de Wiltshire, seu tio Thomas Howard, 3º Duque de Norfolk e Charles Brandon, 1º Duque de Suffolk (‘recém-perdoado e de volta à corte para assistir ao triunfo de Ana’, de acordo com Philippa Gregory). O embaixador francês, Bispo de Winchester, e outros também estiveram presentes, o que mostra que este evento foi muito importante.

Ana usava um vestido de veludo vermelho, guarnecido com pele branca de arminho. Seu cabelo, escuro e sedoso como a crina de um cavalo de corrida, estava solto sobre seus ombros, como uma garota no dia de seu casamento.

Ana é introduzida por oficiais da guarnição de grande uniforme; muitas altas personagens, caminhando duas a duas, a precedem. Depois, os portadores da corôa de largos florões e do mando de veludo carmesim, forrado de arminho. Finalmente a futura rainha, de cabeça descoberta e seguida pelas suas damas de honor.

Ao aproximar-se do trono, ajoelha, entre a prima que lhe fica à direita e o rei de armas da Ordem da Jarreteira, à esquerda. Entrega este, ao rei, os diplomas da nova marquesa. O rei passa esses documentos ao Bispo de Winchester que os lê alto. Todas as donas se conservam ajoelhadas até a investidura.

Lady Pembrock recebe das mãos de Sua Majestade o manto, a coroa e os diplomas relativos, um, á concessão do título, outro, á dotação de mil libras anuais, para manter a dignidade do mesmo. Agradece, com grande humildade, e retira-se com igual aparato e ostentando a coroa na cabeça.

(LORENZ, 1959)

A condessas de Rutland e Derby, e a prima de Ana, Maria Howard, potencial esposa do Duque de Richmond (filho ilegítimo de Henrique), levaram o manto de veludo carmesim e a coroa de ouro de um marquês. Henrique foi ladeado pelos duques de Norfolk e Suffolk. Ana leu o documento que lhe conferia o título em voz alta, ‘como se desafiasse os duquesa de Norfolk e Suffolk, os embaixadores da França e do Sacro Império, os clérigos ou qualquer outro dos presentes a apontar uma irregularidade nele‘. A nova marques seria uma pessoa com propriedades: recebeu cinco herdades nobres no País de Gales, uma em Somerset, duas em Essex e cinco em Hertfordshire, inclusive Hunsdon e Eastwick, elas foram somada às duas que ela já recebera em 1532, em Middlesex. Acabada a leitura, o rei prendeu o manto cerimonial em volta de seus ombros e colocou uma pequena coroa em sua cabeça.

Após a cerimônia foi realizada uma missa solene na Capela de St. George. Henrique VIII e Francisco I, representado pelo seu embaixador, La Pommeraye, juraram que seguiria os termos de Tratado de Auxílio Mútuo entra a Inglaterra e França, anunciando um plano para que os dois se encontrassem em Calais. Para tal encontro, Ana Bolena, agora Marquês de Pembroke, usaria as jóias reais.

O rei mandou uma mensagem à Catarina, pedindo as jóias reais que pertencem à rainha e acabou recebendo uma resposta mordaz, mostrando que pelo menos o espírito dela não fora vencido. Porque iria ela entregar voluntariamente as joias que usara por tantos anos como sua legítima esposa e a ‘uma pessoa que é uma vergonha para cristandade e está trazendo vergonha e escândalo para o rei por levá-la a um encontro desses na França?’

Henrique não desistiria e fez com que Catarina enviasse as jóias por meio de uma ordem real e a rainha, coerente com sua política de submeter-se as ordens do rei, cedeu. Enviou ‘tudo o que possuía, que deixou o rei muito satisfeito’. E assim, foram entregues as jóias, que incluíam vinte rubis e dois diamantes.

Apesar da luta para conseguir as jóias, Ana não teve a felicidade de usá-las na França. A rainha da França se recusou a vê-la, alegando que estava indisposta. A Marquês ficou em Calais, em território inglês, alojada no edifício do tribunal, enquanto Henrique VIII encontrava Francisco I.

Bibliografia:
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
EVELYN, Anthony. Ana Bolena, a Rainha Decapitada. Tradução de Nair Lacerda. São Paulo: Cultrix, 1961.
LORENZ, Paul. A Rainha sem Cabeça. O século, 1959.
PLAIDY, Jean. Assassinato Real. Tradução de Sylvio Gonçalves. Rio de Janeiro: Record, 2000.
GREGORY, Philippa. A irmã de Ana Bolena. Tradução de Ana Luiza Borges – 3º Edição – Rio de Janeiro: Record, 2009.
GRUENINGER, Natalie. ‘Marquis of Pembroke‘. Acess: 03 de jul 2013.
TRACY, Stephanie. ‘Anne Boleyn Becomes Marquess of Pembroke‘. Acess: 03 de jul 2013.

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7 comentários sobre “Ana Bolena, a Marquês de Pembroke

  1. Gosto mto da Ana, mas qdo me coloco no lugar de Catarina morro de raiva dela… pobre Catarina, imaginem o quanto sofreu por gostar do rei e por ser humilhada publicamente dessa forma… masss, continuo amando a Ana, rsss

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