Henrique VII e os Príncipes da Torre

‘The Princes in the Tower’, por Henrietta Mary Ada Ward em 1861. Parte de uma coleção privada.O destino dos Príncipes da Torre, os filhos mais velhos de Eduardo IV e sua rainha Elizabeth Woodville é um dos maiores mistérios da história. Envolta em controvérsia e mistério, historiadores e pesquisadores discordam ferozmente a respeito de quem foi o responsável por suas mortes, debatem quando e se ambos os príncipes morreram, se um ou ambos de fato sobreviveu e, sem surpresa, este escândalo afetou profundamente aqueles associados com os príncipes, incluindo dois reis ingleses, Ricardo III e Henrique VII.

Eduardo IV morreu aos quarenta e um anos, em abril de 1483, e seu filho mais velho e herdeiro, Eduardo,tinha doze anos. O fato de que o novo rei, Eduardo V, era menos de idade trouxe problemas para os contemporâneos, pois havia uma feroz luta entre as facções da corte para ter o controle do rei, que precisaria de conselheiros e um Lorde Protetor.

Em maio de 1483, o novo rei chegou a Londres para a sua coroação e foi alojado nas residências reais da Torre de Londres, enquanto seu irmão mais novo, Ricardo, permanecia no santuário com sua mãe, a rainha, e suas outras irmãs. Ricardo de Gloucester, irmão do rei, acreditava que o casamento de seu irmão com Elizabeth era inválido, alegando que ele tinha sido provocado por bruxaria e feitiçaria, e também sugeriu que Eduardo IV tinha sido pré-contratado com Eleanor Butler, o que significava que Elizabeth nunca foi sua esposa legítima e seus filhos eram bastardos, fazendo com que Ricardo fosse o próximo na linha de sucessão.

A história tem considerado Ricardo III como o tio malvado, que matou seus sobrinhos para pavimentar seu caminho para a ascensão ao  trono. O problema com esses relatos históricos é que eles são geralmente escrita pelos vencedores. Neste caso, muito do que é dito sobre Ricardo foi feito em relatos Tudor e posteriores. Pode-se dizer que Ricardo tinha muito a perder ao matar seus sobrinhos. Fazê-lo seria virar a opinião pública contra ele, o que na verdade aconteceu quando os rumores começaram a circular. Também é bom lembrar que, ao se tornar rei, Ricardo tinha mostrado lealdade extrema a família, apoiando seu irmão mais velho, Eduardo IV.

No verão de 1483, o rei Eduardo V e Ricardo de Shrewsbury, o 1º Duque de York, desapareceram da vista do público. Muitos especularam e especulam se eles foram mortos por Ricardo III, ou até mesmo por um servo dele chamado James Tyrell. Antes da execução de Tyrell em 6 de maio de 1502 ele confessou que tinha matado os dois meninos, mas muitos acreditam que tal confissão foi obtida sob tortura e por tanto pode não ser credível. Ricardo III, por autor desconhecido no final do século 15.Embora Ricardo fosse suspeito de assassiná-los ele nunca mostrou-os em público para acabar com os rumores, o que pode levar a considerar que os príncipes já estavam mortos.

Enquanto os príncipes estivessem vivos e presos, eles sempre seriam o foco para futuras rebeliões que visariam restaurar Eduardo como legítimo rei. O próprio Eduardo IV ordenou a morte de George, seu irmão, por ter pretensões ao trono. É sem dúvida possível que Ricardo tenha ordenado a execução dos príncipes, mas nada se pode provar. Ele nunca foi julgado pelos assassinatos e morreu cerca de dois anos mais tarde, na Batalha de Bosworth, sendo sucedido por Henrique VII.

Os retratos de Henrique Tudor apresentam um homem astuto, de lábios finos. Como todos os reis ingleses durante o período final da Idade Média, Henrique foi implacável. Ele justificou o assassinato de Ricardo na Batalha de Bosworth dizendo que ele havia sido declarado rei um dia antes da Batalha, fazendo com que Ricardo fosse um traidor da coroa.

A afirmação de Henrique Tudor ao trono era tênue, com base em sua descendência de Eduardo III, mas através de uma linha ilegítima dos Beaufort.Os motivos de Henrique VII para matar os príncipes são simples. Um de seus primeiros atos como rei foi revogar o Titulus Regius, ato pelo qual Ricardo III usou para declarar os filhos de Eduardo IV ilegítimos. Agora, sua futura rainha, Elizabeth de York, a irmã dos príncipes, era uma mulher legítima e adequada para um rei. Entretanto, ao reconhecer a legitimidade de sua futura esposa, o rei também reconhecia a legitimidade de Eduardo e Ricardo, fazendo com que eles estivessem frente a frente com Henrique na reinvidicação ao trono inglês.

Alguns usam contra Henrique o fato de que ele nunca sancionou uma versão pública oficial do que aconteceu. Certamente não era do interesse de Henrique se debruçar sobre o assassinato de seu cunhado, uma vez que isso poderia lembrar ao povo que ele tinha vindo ao trono por consequência desta tragédia. Além disso, durante todo seu reinado, o governo de Henrique foi alvo de rebeliões de Yorks marginalizados e ansiosos para recuperar o trono.

Outra idéia do porque ele nunca revelou a história era porque ele simplesmente não sabia. Ele era um estranho naquela terra, e o destino dos príncipes foi claramente muito bem guardado, e é possível que aqueles que o soubessem o tenham levado para a sepultura.  No decreto de proscrição que Henrique moveu contra Ricardo III, após a Batalha de Bosworth Field, as referências aos Príncipes foram omitidas, fazendo apenas uma menção obscura ao ‘derramamento de sangue infantil’. Este foi o mais próximo que o regime Tudor oficialmente chegou a acusar Ricardo de seu envolvimento nas mortes.

Não sobrevivem provas de que Henrique Tudor tenha assassinado os príncipes da Torre, assim como não existem provas de que qualquer pessoa o tenha feito. Henrique VII só teria oportunidade real de matar os príncipes em sua adesão, em 1485, pois ele vivera na França e Bretanha antes disso. Henrique VII por Richard BurchettTambém é possível que Henrique tenha ordenado a um dos seus partidários que executassem os meninos enquanto estava no exílio, mas essa idéia é bem improvável, pois é difícil de considerar que algum homem dentro da comitiva de Ricardo pensaria seriamente matar os Príncipes da Torre a mando de um galês distante em uma terra estrangeira, sem dinheiro e sem perspectivas aparentes.

Ainda existe a possibilidade de que os Príncipes não tenham realmente morrido. Em 491, um jovem chamado Perkin Warbeck afirmou ser Ricardo, o filho mais novo de Eduardo IV. Ao longo de vários anos Warbeck reuniu apoio no exterior e desembarcou na Inglaterra em 1497. Henrique VII facilmente derrotou as tropas escocesas de Warbeck, que foi preso e posteriormente executado. Parece improvável que os príncipes tenham sobrevivido, mas Elizabeth Woodville certamente achava que sim. A ex-rainha  testemunhou perante o Parlamento que acreditava que os meninos eram legítimos, mas ela não concordou com a suposição de que eles estivessem mortos. Nunca, até o dia de sua morte, ela afirmou que eles foram assassinados.

Quando ao verdadeiro culpado, o júri ainda permanece indeciso. Historiadores como David Starkey, Michael Hicks e o escritor Alison Weir concluíram que Ricardo III é o culpado. William Shakespeare diz que James Tyrell era o culpado, na sua obra Ricardo III. Paul Murray Kendall diz que Henrique Stafford é o provável assassino. Stafford era o braço direito de Ricardo III, mas o rei e o Duque tiveram um desentendimento que levou a uma rebelião contra o governo, em outubro de 1483, e a sua execução um mês depois. Historiadores especulam que o levante foi um resultado da decisão do próprio Duque da eliminar os inimigos de Ricardo. Também tem sido sugerido que o Duque estava trabalhando com Henrique Tudor, limpando o seu caminho para o trono.

Ainda há quem sugira que a verdadeira culpada é Margaret Beaufort, mãe de Henrique VII. Ela, assim como todos os suspeitos, tinha um motivo pois, se os príncipes morressem, seu filho teria uma afirmação ainda mais forte ao trono inglês. Mas é digno de nota, como observa Alison Weir, que os próprios parentes de Ricardo nunca acusaram Margaret ou seu filho de assassinarem os príncipes. Margaret de York, a irmã mais velha e ex-Duquesa de Borgonha, que detestava Henrique VII, nunca acusou Margaret, enquanto ela sequer foi citada por contemporâneos como suspeita. Com isto em mente, Henrique Tudor, na melhor das hipóteses, é um suspeito improvável no caso da morte dos Príncipes. Ele foi aceito como um membro da família da própria mãe e irmã dos príncipes, e sequer estava no país na época do desaparecimento.

Bibliografia:

ROSS, David. ‘The Princes in the Tower’. Acesso em 13 de agosto de 2013.
AMIN, Nathen David Robert. ‘The Princes in the Tower; The Defence Case for Henry VII‘. Acesso em 13 de agosto de 2013.
BYRNE, Conor. ‘The Princes in the Tower‘. Acesso em 13 de agosto de 2013.
AIUTO, Russell. ‘The Princes in the Tower‘. Acesso em 13 de agosto de 2013.
Princes in the Tower Theory‘. Acesso em 13 de agosto de 2013.

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