O Cavaleiro do Assento: o pior e o melhor emprego na Corte dos Tudor

Durante seu reinado, Henrique VII transformou sua Câmara – o quarto em que o rei dormia, comia a maior parte de suas refeições e realizava a maior parte de seus negócios privados – em uma série de pequenas salas. A menor e mais pessoal desta salas era a Câmara Privada. Esta sequência de salas reforçava o status e poder de Henrique VII do mesmo modo que reforçava o ranking na Corte: quanto mais importante você era, tinha acesso a mais câmaras.  Um dos poucos que tinha acesso à todas as câmaras era o Cavaleiro do Assento. O nome original do cargo é ‘Groom of the Stool’, que se deriva da peça de mobiliário que agora é conhecido como vaso sanitário (Stol ou Stoll em inglês antigo significa ‘cadeira’). O Cavaleiro era responsável pelo fornecimento de instalações para a defecação do monarca, assim como ajudar em sua limpeza.


Enquanto cortesões geralmente tinham de utilizar instalações comunais, quando Henrique VIII reinava e tinha de responder a um chamado da natureza era utilizado uma caixa especialmente projetada, escondida em uma sala privada fora do seu quarto de dormir. Esta caixa era ricamente coberta de veludo e sua tampa revela um interior acolchoado. Ele tinha um buraco no centro com uma espécie de tigela.

Pelos padrões de hoje, limpar as defecações de alguém, mesmo que um rei, seria muito humilhante. No entanto, devido à intimidade e responsabilidade de suas funções, o Cavaleiro do Assento tornou-se um conselheiro de confiança, a par de todos os tipos de informações.  Ao longo das décadas, a posição do Cavaleiro evoluiu para uma grande influência política. Vários dos que serviram a Henrique VII e Henrique VIII tornaram-se Cavaleiros e supervisionam a política fiscal nacional.

David Starkey escreve:

‘O Cavaleiro do Assento tinha (aos nosso olhos) as tarefas mais humildes, sua posição, porém, era a mais alta… Claramente, então, o serviço do corpo real deveria ser vista como totalmente honrada, sem um traço humilhante ou degradante. ‘

Nos primeiros anos do reinado de Henrique VIII, o título era atribuído a companheiros da corte do rei que ficavam com ele na Câmara Privada. Estes eram geralmente filhos de nobres ou membros importantes da nobreza. Com o tempo, eles atuariam como secretários pessoais do rei para a realização de uma variedade de tarefas administrativas dentro de seus aposentos particulares. Quando todas as conquistas políticas e sociais tornaram-se cada vez mais dependente do monarca, tornou-se mais importante ser capaz de encontrá-lo, de preferência sozinho. Desse modo, a posição de Cavaleiro era especialmente apreciada, uma vez que permitia o acesso sem obstáculos à atenção do rei.

Para garantir que estava realizando seu trabalho com máxima eficiência, o Cavaleiro do Assento também acompanhava o rei de perto em suas dietas e refeições, assim como organizava o seu dia em torno dos ‘momentos’ previsíveis do rei. Não existem registros históricos de que o Cavaleiro limpasse, de fato, o traseiro real, embora ele certamente ajudava o monarca a se despir para a ocasião e provavelmente assistia o rei enquanto este se aliviava.

O único Cavaleiro de Henrique VII foi Hugh Denys, enquanto Henrique VIII teve quatro: William Compton, Henrique Norris, Thomas Heneage e Anthony Denny. Em 1558, a dominação masculina dos aposentos reais chegou ao fim com Elizabeth I. Kat Ashley foi nomeada Primeira Dama da Alcova pela rainha Virgem, uma posição que a colocava ‘no comando dos quartos’, um dever anteriormente realizado pelo Cavaleiro do Assento.

Bibliografia:
JOHNSON, Ben. ‘Groom of the Stool‘. Acesso em 26 de setembro de 2013.
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GRANT. ‘Groom of the Stool‘. Acesso em 26 de setembro de 2013.
MCKEE, Laurie. ‘The Groom of the Stool‘. Acesso em 26 de setembro de 2013.
MACDONALD, Marianne. ‘Historians recreate Henry VIII’s velvet world of lavatorial luxury‘. Acesso em 26 de setembro de 2013.

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2 comentários sobre “O Cavaleiro do Assento: o pior e o melhor emprego na Corte dos Tudor

  1. Muito interessante, esta e a primeira vez que tenho acesso à esse tipo de informação histórica. Na verdade acreditava que era feito num penico e que depois jogavam pela janela.

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