Todos os sinais de gravidez, exceto um bebê: As gravidezes fantasma de Maria Tudor

Joanne Whalley como Maria Tudor, na série The Virgin Queen em 2005.Em meados da década de 1960, Dr. Radebaugh, um jovem pediatra, ofereceu-se em uma clínica para trabalhadores rurais migrantes, em Rochester, e em uma noite recebeu um telefone sobre uma mulher que estava em trabalho de parto. Ao chegar no local, encontrou a mulher, com a barriga do tamanho de um melão, gemendo e se contorcendo de dor.

Dr. Radebaugh e funcionários da clínica decidiram levar a mulher para a sala de emergência do hospital. Ao colocar a mulher em uma cadeira de rodas, a bolsa da mulher estourou, encharcando-o de líquido claro.

Mas, quando o médico ligou para o hospital no dia seguinte para verificar o progresso da paciente. Dr. Radebaugh teve uma resposta inesperada. ‘Ela teve alta noite passada’, disse o médico assistente. ‘Ela não estava em trabalho de parto nenhum, ela só estava com a bexiga cheia. É um caso de pseudociese’, explicou o médico. 

Apesar do constrangimento de Dr. Radebaugh e sua falta de familiaridade com a doença, a condição da mulher era surpreendente. Pseudociese ou falsa gravidez é rara, ocorrendo de 1 a 6 para cada 22.000 mulheres. Os cientistas ainda estão perplexos sobre o que ela faz em humanos: aqueles que sofrem da doença apresentam uma constelação de sintomas que confunde até o mais experiente profissional. Não só a mulher acredita fervorosamente que estava grávida, como também tem sintomas como cessação da menstruação, aumento abdominal, náuseas, vômitos, aumento dos seios e desejos por certas comidas. Algumas pacientes até chegam a ter resultado positivo em testes de gravidez.

Embora a doença seja incomum, casos de falsa gravidez têm sido relatados desde os tempos antigos, fornecendo evidências de que o fenômeno não é limitado pelo tempo ou cultura. Em 300 a.C., Hipócrates escreveu sobre 12 mulheres que ‘acreditavam estar grávidas’ e acredita-se amplamente que Maria Tudor sofria de pseudociese, também conhecida como gravidez fanstasma.

Maria Tudor e Filipe da Espanha se casaram em junho. Em setembro do mesmo ano, um médico da corte disse a rainha que ela estava grávida. Esta era uma excelente notícia; a Inglaterra já tinha um monarca católico, agora eles teriam um herdeiro católico. Certamente este era um sinal da benção de Deus. Maria tinha sentido o bebê se mexer, e a gravidez tinha sido comprovada pela corte, os médicos a parteiras. Daphne Slater como Maria Tudor, na série Elizabeth R

Com 38 anos, houve muita especulação de se ela iria ou não sobreviver ao parto. O Conselho pronunciou se: se Maria morresse e a criança sobrevivesse, Filipe seria o regente de seu filho, mas não Rei da Inglaterra.

Filipe ficou amargamente desapontado e sua tristeza quebrou o coração de Maria. Ela voltou sua atenção para algo que poderia controlar: a punição dos hereges. Em fevereiro de 1555, a rainha tinha queimado dois clérigos protestantes. Eles seriam os primeiros de 300 protestantes a morrer em seu reinado.

Pouco depois da Páscoa, Maria foi para Hampton Court para entrar em confinamento. Em 30 de abril, foi notificado que ela tinha dado à luz a um filho saudável, mas nenhuma palavra oficial foi dada, de modo que todos perceberam que o rumor era falso.

Em 21 de maio, Maria ainda não tinha nenhum filho. Várias pessoas disseram tê-la visto sentada no chão com o joelhos dobrados e com a cabeça apoiada neles, uma posição que poucas mulheres grávidas de nove meses poderiam ficar.

Em junho, Maria chorou e falou que os hereges protestantes tinham enfeitiçado ela e seu filho. Em agosto, o que teria sido o décimo primeiro mês de sua gravidez, Maria saiu do confinamento. Ela não disse nada sobre uma criança. Espectadores anotaram sobre seu corpo esguio. Mais tarde, naquele mês, Filipe deixou a Inglaterra.

Filipe não se divorciou de Maria, mas ficou longe dela durante dois anos. Quando ele voltou, em 1557, foi apenas porque ele precisava da rainha para apoiá-lo em sua guerra com a França. Ele trouxe sua amante junto, e Maria alojou-a sem protestos. Ela também tentou ajudar Filipe a ganhar sua guerra, mas falhou.

No outono, Maria escreveu a Filipe que estava grávida. Ele não acreditou, assim como muitas outras pessoas.   Com seus 42 anos, a rainha tinha certeza de que estava grávida. Ela entrou em reclusão no final de fevereiro de 1558, para o seu trabalho de parto que provavelmente começaria em março. Muitos ao seu redor tinham dúvidas sobre a validade desta gravidez, devido ao incidente passado. Em 30 de Março, Maria ditou seu testamento de modo a entender que ela estava, de fato, com uma criança. Mas abril passou e nenhuma criança chegou, de modo que a Rainha sabia que estava enganada novamente. Depois que os sintomas começaram a desaparecer, Maria ficou muito doente. A rainha morreu em 17 de novembro de 1558, sem herdeiros.

Flora Robson como Maria Tudor, na peça ‘Mary Tudor’ no The Playhouse em 1935.A psudociese ocorre quando uma mulher quer tanto um filho que recria os sintomas da gravidez. Algumas pessoas sugerem que a segunda gravidez de Maria não era nada o que um ardil elaborado para reconquistar seu errante marido, mas a farsa parece contrária. A segunda gravidez, assim como a primeira foi, provavelmente, apenas uma ilusão. Maria estava claramente desesperada por uma criança, e pode muito bem ter sofrido os estresses psicológicos que induzem a pseudociese.

Os meses finais de Maria foram tristes. A má disposição das pessoas ao seu reinado, a pobreza do reino e as dívidas da coroa, assim como sua paixão pelo rei Filipe, o qual ela estava fadada a viver separada, sua infância conturbada e o constante estresse que ela sofria influenciaram a personalidade e o comportamento de Maria como rainha, que viria a ser conhecida como Maria, a Sanguinária.

Bibliografia:
STANG, Debra L. ‘The Two False Pregnancies of Queen Mary I of England‘. Acess: 17 jul 2013.
LINDBUCHLER, Ryan. ‘Queen “Bloody” Mary I Tudor of England‘. Acess: 17 jul 2013.
CATZ, Berele. ‘Mary I, Queen of England‘. Acess: 17 jul 2013.
SVOBODA, Elizabeth. ‘All the Signs of Pregnancy Except One: A Baby‘. Acess: 17 jul 2013.

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3 comentários sobre “Todos os sinais de gravidez, exceto um bebê: As gravidezes fantasma de Maria Tudor

  1. Gostei muito do texto: muito esclarecedor. Gostaria de saber os nomes das atrizes das fotos. A primeira parece ser a Joanne Whalley, que já se assinou Whalley-Kilmer. As outras não reconheci. Obrigada! Abraço da Cecilia.

    • Cecilia, é só você colocar o mouse em cima da imagem que aparecerá uma legenda dizendo o nome da atriz e do filme/série!

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