Ana Bolena e o casamento de Henrique Fitzroy, o filho ilegítimo do Rei

Henrique Fitzroy (ou Eduardo VI) por Hans Holbein, em 1541-1542. No frio inverno de 1533, Ana Bolena organizou o casamento de sua jovem prima, Lady Maria Howard, com o filho ilegítimo do rei, Henrique, Duque de Richmond. Ambos tinham quatorze anos na época e, por insistência do rei, a consumação do casamento seria adiada. O irmão do rei, Artur, morreu em 1501, poucos meses após o casamento com Catarina de Aragão, que posteriormente se tornou a esposa de Henrique. Agora, o rei aparentemente concordou com o seu próprio pai, Henrique VII, acreditando que uma consumação prematura do casamento poderia apressar a caminhada do jovem para a sepultura. Catarina, é claro, famosamente declarou que seu casamento de seis meses não foi consumado. Seja qual for a verdade, a versão foi usada pelo governo inglês para manter os jovens distantes em sua noite de núpcias. 

Foram propostas várias alianças matrimoniais para o filho ilegítimo do rei. No curto espaço de um ano, houve conversas de seu casamento com a sobrinha do Papa Clemente VII, uma princesa dinamarquesa, uma princesa francesa, e uma filha de Leonor, a rainha viúva de Portugal, irmã de Carlos V, que depois se tornaria rainha da França. Finalmente, o Duque de Richmond se casou com Maria Howard,em 28 de novembro de 1533.

‘Ana declarou que lhe agradava o estabelecimento de uma aliança secundária entre a casa de sua mãe (Howard) e a minha. Planejou a festa de casamento em Windsor, e até tomou a seu cargo a tarefa de escolher o presente de núpcias: um par de falcões, um peregrino e um falcão macho, acompanhados de um treinador competente.’

(GEORGE, 1993)

Do ponto de vista de Ana, era politicamente astuta ao manter Richmond dentro da família Bolena até que ela produzisse um filho legítimo que neutralizasse a idéia de que o trono pudesse passar para ele quando o Rei morresse. Apesar de ter uma reputação de ciumenta, Ana Bolena era encantadora a qualquer pessoa, independente de sua posição ou ameaça em potencial, caso esta concordasse com ela. O Duque de 14 anos aparentemente tinha ganhado o favor da Rainha, pois tinha recentemente acompanhado seu pai e sua madrasta em uma visita de Estado à França, época em que a rainha quase certamente começou a promover a idéia de um casamento entre Henrique e sua prima Howard.

Ana Bolena também tomava suas obrigações familiares muito a sério e, apesar de um relacionamento um tanto quanto frauduloso, ela estava consciente de que seu  tio, Duque de Norfolk, foi um grande apoiante de sua ascensão ao trono. Este jogo foi uma maneira perfeita de que sua única filha cassasse com um membro da família real. Eric Ives, um biógrafo de Ana, foi longe a ponto de dizer que:

‘Talvez Ana sentiu que havia pago suas dívidas com os Howard ao persuadir Henrique a casar seu filho ilegítimo, o Duque de Richmond, com sua prima Maria, sem um pagamento pelo qual o rei normalmente teria esperado por desposar alguém tão valioso.’

Retrato póstumo de Ana BolenaComo Ives disse, o Rei não pediu um pagamento de Norfolk pelo casamento, o que pode ter sido feito por causa da influência da rainha, já que não há outra razão por isso. E, além da política, o casamento entre Henrique, Duque de Richmond, e Maria Howard também teve todas as características de ter sido organizado por alguém que teve um prazer genuíno em fazê-lo. Além disso, ambos os noivos eram bem-educados e ambos tinham interesse por arte e poesia, bem como no protestantismo emergente. Eles também tinham a mesma idade e ambos eram fisicamente atraente.

‘O banquete foi todo prateado. No centro da mesa, exibia-se um cisne com penas de prata, nadando sobre um espelho de prata forjada. O bolo de casamento, recoberto de lâminas de prata, deveria ser partido com uma faca de prata. Todos os convivas comeriam em pratos de prata e beberiam em copos de prata.

(GEORGE, 1993)

O Duque era filho do Rei e uma antiga amante, Elizabeth Blount, uma mulher bonita que alguns funcionários do palácio classificaram como mais bonita do que a atual rainha. Nascido pouco depois de um aborto da primeira esposa de Henrique, o bebê bastardo foi rapidamente reconhecido pelo próprio rei, e era banhado com presentes luxuosos, riquezas, casas enormes títulos como da Inglaterra, Irlanda e País de Gales. O título ‘Duque de Richmond, dado ao menino quando tinha apenas seis anos de idade, foi um que rainha Catarina sentiu um insulto em particular: Richmond era um dos títulos detido pelo próprio Rei nos primeiros anos de reinado. Para a rainha espanhola, parecia um sinal de que Henrique estava planejando colocar seu bastardo real acima de sua própria filha na linha de sucessão. Entre outros títulos, Henrique ganhou uma verba anual de dinheiro o suficiente para torná-lo o segundo homem mais rico da Inglaterra, sendo superado apenas pelo rei.

No caso do menino, Ana decidiu tentar pelo mel onde Catarina tinha optado pelo vinagre. Se sentiu alguma preocupação com a possibilidade de o jovem Duque suplantar sua própria filha de dois meses de idade, Elizabeth, na linha de sucessão, ela não deu nenhum sinal exterior do mesmo; festas suntuosas foram feitas e presentes foram dados. Desde que Richmond era inegavelmente ilegítimo, Ana provavelmente não se preocupou muito com qualquer ameaça que ele representasse para sua filha – mas era melhor prevenir do que remediar.

Maria HowardInfelizmente, Henrique Fitzroy adoeceu em julho de 1536, morrendo no dia 22 do mesmo mês. Ele tinha 17 anos. Embora tenha ganho grande autoridade e privilégios por parte do rei, Henrique nunca entrou oficialmente na linha de sucessão. Depois de ter ordenado que seu casamento não fosse consumado, o rei declarou inválido o casamento pela mesma razão. Esta declaração despojou a Duquesa Maria da maioria dos benefícios que ela teria direito como viúva.

Maria Howard seria, mais tarde, presa na Torre de Londres quando uma outra prima real sua – Catarina Howard – provocou a ira do rei. Quando, por fim, foi provado de que ela não tinha nenhum conhecimento sobre o adultério da rainha, Maria foi libertada. Ela morreria em 1557, tendo passado a última década da sua vida voluntariamente distante da Corte.

Bibliografia:
GEORGE, Margaret. Autobiografia de Henrique VIII. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.
RUSSEL, Gareth. ‘November 25th, 1533: The Marriage of the King’s Bastard’. Acess: 15 jul 2013.
HOBDEN, Heather. ‘Henry Fitzroy‘. Acess: 15 jul 2013.
CULPEPER, Judith. ‘Henry Fitzroy: The Forgotten Child of Henry VIII‘. Acess: 15 jul 2013.

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5 comentários sobre “Ana Bolena e o casamento de Henrique Fitzroy, o filho ilegítimo do Rei

    • Sim! Na verdade, eu acredito que ele ter morrido adulto foi ainda mais chocante para Henrique do que ele morrer quando criança. Curiosamente, ele morreu em Julho de 1536, poucos meses depois de Ana.

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