Henrique VII e Elizabeth I: O primeiro e a última Tudor

Henrique VII e Elizabeth IHenrique VII e Elizabeth I foram os Tudors que mais se assemelham. Obviamente, eles foram descritos em vários momentos de suas vidas por várias pessoas (algumas talvez sendo mais objetivos do que outros). Seus físicos eram magros, altos e fortes.

A descrição de Polydore Vergil sobre Henrique VII poderia facilmente ser aplicado a sua neta. Usando palavras como distinto, sábio, prudente, corajoso, astuto, inteligente e gentil, ele também elogiou sua ‘memória pertinaz’.

A descrição de Alison Weir de Elizabeth poderia facilmente ser aplicada ao seu avô. Usando palavras como tenaz, cautelosa, realista, dissimuladora, parcimoniosa, hesitante e divergente, assim como tendo um ‘cérebro sutil’.

Sabemos que o discurso de Henrique VII era ‘gracioso em diversas línguas’ a ‘sorte de seus conselheiros era devida a sua sábia deliberação’, Elizabeth também foi elogiada por sua habilidade em línguas, seus sábios conselhos e sagacidade.

Durante cada um dos seus reinados as negociações realizadas por Henrique e Elizabeth a nível internacional provou que ambos preservariam a paz. Nem Henrique VII e nem Elizabeth I gostavam do desperdício de dinheiro e vidas que a guerra provocava. Gardner declarou que Henrique fez propostas para guerra apenas quando ‘foi forçado a ele pelas necessidades de sua posição’.

Bacon era um pouco mais cínico e acreditava que Henrique VII usava apenas o murmúrio da guerra para obter financiamento do Parlamento. Ele sabia que ‘o caminho para a paz não parece ser desejoso para evitar a guerra, por isso ele faria ofertas e comunicados de guerras, até que ele tivesse condições para a paz’.

Elizabeth é tratada duramente pelo historiador James Anthony Froude. Ele teorizou que durante a rebelião escocesa, se Elizabeth tivesse comissionado tropas e dinheiro antes, milhares de vidas e libras teriam sido salvos. Ao invés de formular uma política agressiva para lidar com os elementos internacionais desta questão ‘ela se deslocava para (…) a paz. Era como dançar em uma corda bamba. Seus movimentos podem ter sido extremamente inteligentes, mas eles também eram extremamente perigosos.’

Retrato Póstumo de Henrique VII, por English School em 1510-1520.Quando as negociações de paz não funcionaram, os dois governantes se viraram para alianças matrimoniais. Como forma de estabelecer a legitimidade de seu governo, não havia maneira mais rápida do que ter uma poderosa potência estrangeira como aliada. Casamentos eram mais baratos do que guerras.

Suas preferências pela paz poderiam ter sido suas disposições naturais ou clemências políticas. Como visto na manipulação dos insurgentes (Perkin Warbeck e Maria, Rainha da Escócia), tanto Henrique VII quanto Elizabeth I estavam relutantes em executar.

Embora Henrique (Conde de Richmond e mais tarde Henrique VII) tivesse nascido de um casal legalmente casado, sua ascendência implicava ilegitimidade. Considerando que a rainha Elizabeth I teve de lidar com as dúvidas sobre a legalidade do casamento entre seus pais e da ação parlamentar de julho de 1536 declarando-a ilegítima, tanto Henrique VII quanto Elizabeth I perceberam a importância de confirmar sua reivindicação ao trono, e como eles lidaram com está questão é muito interessante. Surpreendentemente, estes dois governantes encontraram uma maneira de estabelecer a legitimidade dinástica Tudor através do patrocínio das artes.

Henrique VII apreciava o movimento humanista e garantiu que seus filhos tivessem uma educação clássica, contratando homens de Oxford que Erasmos elogiou: eles  ‘estiveram na vanguarda dos humanistas ingleses, que estavam reformando a educação tanto no secundário quanto no nível universitário‘. O rei apoiou universidades, bem como sua mãe e esposa patrocinavam faculdades. Ele comprou livros e adquiriu uma biblioteca – o rei era muito estudioso e culto.

As impressões feitas por Henrique VII a partir de seus anos de exílio afetaram mais do que sua personalidade. O rei era conhecido por sua preferência por falar francês, sua compreensão da política européia e falta de familiaridade com os ingleses. No entanto, ele foi capaz de estabelecer uma das dinastias mais infames da Inglaterra, culminando na sua neta, Elizabeth.

Miniatura de Elizabeth I, atribuído a Levina Teerlinc, cerca de 1560-1565.O rei foi uma influência importante no sentido de incentivar as tendências que levariam ao florescimento da cultura do renascimento na corte Tudor no século 16.Ele fazia uso principesco de sua riqueza, incentivava o estudo e a música, bem como a arquitetura e deslumbrava os olhos dos embaixadores estrangeiros com o esplendor de suas recepções.

Henrique montou um impressionante grupo de estudiosos e ilustres em sua corte, favorecendo os nascidos no exterior ao invés dos ingleses nativos. A paixão do rei pela música, diversões na corte, conhecimentos estrangeiros e divertimentos mais humildes, revelavam um interessa na vida e nas novas correntes intelectuais que estavam transformando o continente. Consequentemente, muitos elementos continentais ‘evoluíram para uma forma distinta inglesa’ e manifestaram-se nas celebrações de casamento de Artur, Príncipe de Gales e Catarina de Aragão em 1501.

Gordon Kipling escreve que Henrique VII sentiu-se obrigado a apresentar a ‘magnificência de sua família real e dinastia através do patrocínio calculado da literatura, teatro, pintura, música, vitrais, tapeçarias e todos os aspectos da vida cultural’. O patrocínio de Henrique tem sido constantemente subestimado.

Embora Henrique seja o primeiro soberano reconhecido a patrocinar atores dramáticos, a corte de Elizabeth também é famosa por este motivo. A rainha tornou-se tema de muitos retratos, sonetos e poesia. Décadas antes, Henrique VII foi comparado ao lendário Hércules por Bernard Andre no poema, Les Douze Triomphes de Henry VII.

A educação de Henrique VII e Elizabeth I os ensinaram a serem cautelosos. ‘Sempre reservado em suas relações com os outros’, a cautela de Henrique veio através de sua experiência militar e vivendo como um prisioneiro e exilado político durante a maior parte do começo de sua vida. Elizabeth também aprendeu cedo a ‘seguir seu próprio conselho, controlar suas emoções e comportar-se prudentemente em público.’

Retrato de Henrique VII, por artista desconhecido em 1505.Filhos reais, tanto quanto filhos  reais, foram educados e vimos quem realizou a educação de Elizabeth. Aqui, temos que dar ao seu pai, Henrique VIII, e sua mãe, Ana Bolena, o crédito para a continuação dos interesses de Henrique VII em clássicos, línguas estrangeiras, religião, arte, música, dança e comportamento.

O sucesso da educação de Elizabeth é bem conhecida e documentada. Mesmo como rainha, Elizabeth continuou seus estudos e passava uma parte de seu dia lendo. De acordo com seu tutor, Roger Ascham, ela falava ‘francês e italiano assim como o inglês, e muitas vezes falou-me prontamente e bem em latim, moderadamente em grego’. Como seu avô, sua habilidade em muitas línguas permitiu-lhe assumir um papel de destaque na diplomacia do seu país.

Maximiano de Bethune, o barão de Rosny, Embaixador da França, exclamou: ‘Esta grande rainha mereceu toda a grande reputação que tinha em toda a Europa’, a respeito de sua compreensão da situação política na Europa. Mesmo quando envelheceu, os diplomatas ainda ficaram espantados com sua compreensão dos assuntos de Estado.

Enquanto Henrique aprendeu a arte de governar através das observações de Louis XI, Elizabeth aprendeu com William Cecil. As políticas de finanças, além do uso de homens da classe mercantil como assessores e agentes de inteligência em todo o seu reinado, Elizabeth e seu conselheiro adotaram a maioria dessas idéias em um sentido amplo.

O rei era muito sagaz que poderia fazer bom uso de pequenas vantagens, e por sua vez não era homem do qual as pessoas se aproveitavam. Henrique era muito prudente em sua seleção de conselheiros. Como um príncipe sábio, ele mantinha distância, não admitindo qualquer abordagem muito próxima e poucos foram os que compartilharam de sua confiança.

Elizabeth I, atribuído a  Gheeraerts em 1590Henrique VII governava através de uma burocracia apoiada pela intervenção direta do monarca. A dedicação de Henrique VII foi reconhecida e comentada, que ‘nunca um príncipe foi mais inteiramente entregue a seus afazeres’. Elizabeth também trabalhava incansavelmente para o bem da Inglaterra e seu governo. Ela sempre preferiu os assuntos do governo antes e acima de quaisquer prazeres.

Elizabeth e Henrique VII queriam estar envolvidos no dia-a-dia do governo, que poderia ser devido tanto ao medo de perder o controle ou a preocupação de perder o trono. Independente disso, ao contrário de Henrique VIII que, de acordo com o embaixador veneziano, Lorenzo Orio escreveu em 1526 ‘deixava tudo a cargo do Cardeal Wolsey’, as rédeas do governo eram firmemente seguradas por Henrique VII e Elizabeth I.

Bibliografia:
Dieu et mon Droit‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.
Words to the Wise‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.
The Lion’s Grandcub: Conclusion‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.
Holding the Reins‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.

 

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