Isabel de Castela e sua influência em Catarina de Aragão

Isabel de Castela e sua influência em Catarina de Aragão

Esta sou eu… criada por uma mulher forte trajando uma armadura, em campanha durante toda a minha infância, destinada a lutar por meu lugar no mundo, a lutar por minha fé contra outras, a lutar por minha palavra contra a de outros: nascida para lutar por meu nome, por minha fé e por meu trono.

(GREGORY, 2009, pág. 12)

Catarina de Aragão teve uma infância atípica, aventureira e árdua. Nascida em 16 de Dezembro de 1485, em Alcalá de Henares, na Espanha, era filha da rainha Isabel de Castela e do poderoso rei Fernando de Aragão. As experiências que Catarina teve na infância foram fascinantes. A corte de Isabel de Castela era mais parecida com um acampamento móvel; Catarina acabou por testemunhar a rendição dos mouros em Granada e a primeira viagem de Colombo ao Novo Mundo. A expulsão dos judeus intensificara seu sentimento de raça de classe, de família e de religião; ao ver seus pais lutando juntos e trabalhando para expandir a influência de seu reino, ela teve uma clara visão de sua florescente família real.

O modelo de vida de Catarina era a sua mãe. Isabel reinava não como mera rainha consorte de seu marido, mas como uma monarca em sua plenitude. Desse modo, sendo rainha de Castela por direito próprio, Fernando e Isabel tinham uma relação incomum. Durante os primeiros quinze anos de sua vida, Catarina viveu sob a tutela de sua mãe, crescendo consciente de que era uma verdadeira princesa de sangue real, infanta da Espanha.

Possível imagem de Isabela a Católica. Atribuído a Gerard David, c. 1520.Isabel foi criada em um convento isolado e subiu ao trono inesperadamente, sem o benefício de uma educação formal e sem qualquer uma das habilidades necessárias para uma rainha. Nada sabia de latim, a língua da diplomacia, e fora obrigada a estudá-la quando adulta. Quando rainha, Isabel estava decidida a dar a suas filhas a oportunidade que não teve.

Por causa disso, Catarina estudou não apenas o missal e a Bíblia, mas também os clássicos como Prudentius e Juventus, Santo Ambrósio sobe São Agostinho, São Gregório, São Jerônimo, Sêneca e os historiadores latinos. Acabou falando um bom latim clássico com bastante fluência. Depois, considerou-se apropriado um conhecimento de lei civil e da lei canônica, bem como de heráldica e genealogia.’

(FRASER, 2010, pág.21)

Catarina seria capaz de falar, além do espanhol, latim e francês, e mais tarde inglês. As meninas também foram educadas em bordado, gestão doméstica, dança e música. A crença de que uma vida cristã piedosa poderia ser conduzida dentro do mundo da monarquia também foi passado a Catarina por sua católica e devota mãe.

Mas Catarina não sofreu apenas influências intelectuais de sua mãe. Isabel fazia todas as camisas do rei Fernando. Catarina, por sua vez, consideraria no futuro seu dever coser todas as camisas de Henrique VIII. Isabel, apesar de ter uma grande força de propósito público, era uma submissa esposa na vida privada, e tinha uma profunda fé na natureza da ordenação divina do casamento – características que muito nos lembram Catarina de Aragão.

Assim como seu futuro marido Henrique VIII, o pai de Catarina, Fernando, também tinha muitos casos amorosos. Esses enfureciam Isabel, mas ‘sem diminuir-lhe a devoção, muito menos o sentimento pela natureza divinamente instituída de seu casamento’. Isabel jamais jamais considerou que uma amante pudesse ser convertida em uma esposa, e assim pensaria Catarina sobre os casos amorosos de seu marido.

Retrato de Catarina de Aragão feito provavelmente em 1530 por um artista desconhecido.Parece que Isabel e Catarina tiveram uma relação especial. Desde sua infância, Catarina teve uma semelhança física marcante com sua mãe, e quando crescia, ficavam mais semelhantes em mente e caráter. As qualidades de Isabel eram tão desejáveis que Henrique VII exclamou que ‘daria metade de seu reino se ela [Catarina] fosse igual à mãe’. E ela provavelmente era. A mesma dignidade, graciosidade, inteligência e seriedade moral que caracterizavam Isabel eram semelhantes em sua filha, e que a seguiriam para o resto de sua vida.

Bibliografia:
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
HACKETT, Fracis. ‘Henrique VIII’. Tradução de Carlos Domingues. Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti Editores.
GREGORY, Philippa. A Princesa Leal. Tradução de Ana Luiza Dantas Borges. Rio de Janeiro: Editora Record, 2009.
SPARE, Catherine. ‘The Policies of Catherine of Aragon and Mary Tudor‘. Acesso em 16 de Março de 2014.
Catherine of Aragon, Queen of England‘. Acesso em 16 de Março de 2014.
Gale Encyclopedia of Biography: Catherine of Aragon‘. Acesso em 16 de Março de 2014.

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7 comentários sobre “Isabel de Castela e sua influência em Catarina de Aragão

  1. Na minha opinião Isabel foi a rainha mais intelectual,sensata e calculista da era medieval (final do séc xiv) elevou seu reino a um patamar que nem França e Inglaterra chegaram na época, usou seu pioneirismo ao financiar a viagem ao novo mundo que conseguir restabelecer Castela após a cruzada de expulsão moura em Granada .. ela ”sambou” na cara de João II de Portugal rs , fez de todas as suas filhas rainhas (consortes e governante) e as ensinou muito bem. Catarina tem uma influência tão grande que virou uma mártir para os ingleses.. como uma boa e generosa rainha.

  2. Isabel foi uma mulher de visão, quase gerou uma reforma religiosa na Espanha, em vista da corrupção de Roma. Porém, quando percebeu que haveria uma cisão com a igreja romana, voltou atrás, causando todos os problemas subsequentes. Se tivesse tido a coragem, seria uma das maiores mulheres da história, como não fez ficou a relegada a segundo plano perdendo para Elizabeth,;Catarina, a Grande; Cleópatra e etc… Valeu apenas por ter financiado a viagem de Colombo.

  3. Isabel tem uma bonita história de lutas em defesa de seu Reino e família, pena que errou ao expulsar os judeus de suas terras. Sabe-se que errou porque, 500 anos depois a Espanha implora seus retornos lhes concedendo a regalia outrora tirada à peso de torturas e conversões da cidadania. Tarde demais!!!

  4. Isabel,a grande e venturosa rainha de Espanha,patrocinadora de Colombo em sua aventura ,que resultou no descobrimento das Américas.

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