Eduardo VI e Maria Tudor: O rei protestante e a irmã católica

Eduardo VI e Maria I, por Richard Burchett em 1854.A causa da disputa entre o jovem rei Tudor e sua irmã era a crença cristã verdadeira, num momento em que as diferenças na adoração eram muitas vezes vista como heresia, merecendo a morte. Esta luta em particular começou depois da morte do rei Henrique VIII, em janeiro de 1547. Quando ele morreu, já havia muitas opiniões diferentes sobre a ‘religião certa’ na Inglaterra. Sua morte logo deixou claro o quão importante era para ele a manutenção da nova religião. Henrique havia nomeado vários homens para compor o Conselho de seu filho, homens com diversos interesses políticos e religiosos, embora todos eles tivessem aceitado a liquidação da religião feita por Henrique. Isso significava manter a maioria das mudanças e a retenção das crenças católicas, e acima de tudo, sobre a natureza da missa. Henrique repudiava completamente a autoridade do Papa.

Entre algumas inovações feitas no reinado de Eduardo, estava a aceitação de clérigos casados e ataques generalizados sobre imagens e símbolos religiosos. Mais significativamente, muitos estavam inquietos sobre a missa católica, que ensinava que o pão e o vinho era o corpo e sangue de Cristo. No reinado de Eduardo, procissões foram proibidas, novas meses da pedra para comunhão foram feitas para substituir os altares de pedra. Imagens e manuscritos preciosos foram destruídos, objetos de valores das Igrejas Católicas foram saqueados. Velhas e bonitas janelas, que nunca poderiam ser substituídas, foram esmagadas. As pessoas naturalmente odiavam toda esta destruição do que eles consideravam relíquias sagradas. Quase todas as igrejas, grandes ou pequenas, perdeu algum tesouro para o reinado de Eduardo VI.

 Eduardo VI, por William Scrots, data desconhecida.Uma importante medida realizada pelos protestantes sob Eduardo VI foi a introdução do livro inglês para uso nacional, chamado Livro de Oração, emitido em 1549. Um Ato de Uniformidade para impor sua utilização também foi aprovada pelo Parlamento, que supria a utilização de livros em latim e ordenava que as missas na Inglaterra deveriam ser feitas em inglês.

Um grande desafio para Eduardo e seu governo acabou sendo sua meia-irmã Maria, herdeira do trono e 21 anos mais velha. Ela não estava disposta a se comportar como as missas, e muito menos permitir o uso do Livro de Oração Comum em sua residência (como prescrito pelo Parlamento em 1549). Maria recusou-se a respeitar essa ‘lei tardia de sua própria criação…. que na minha consciência não é digna de ter o nome da lei’, assim, escolhia por si mesma que lei obedeceria e quais não.

Maria só se comportava assim sabendo que seu primo, o Imperador Carlos V, defendia a sua causa, e porque a Inglaterra não poderia correr o risco de afastar os Habsburgos devido aos interesses comerciais. Nenhum governo, porém, poderia conceder ‘uma dispensa formal para ignorar uma lei do Parlamento’. Maria continuou a defender sua consciência e sustentou que Eduardo era muito jovem para entender dos assuntos de religião, e que ela ‘não perderia sua liberdade por leis e estatutos sobre questões espirituais feitas enquanto ele fosse menor de idade’. Maria, entretanto, não tinha nenhuma razão, pois um rei nunca era menor de idade, ele ‘não é capaz de fazer o mal, mas mesmo de pensar errado; ele nunca fará nada impróprio, e nele não haverá loucura ou fraqueza… nenhum ato que o Rei faça como Rei não terá valor por causa de sua menoridade’.

Cada vez mais irritado com essa falta de valor à sua autoridade, o monarca de 13 anos de idade repreendeu sua irmã de 35 anos em uma carta de 28 de janeiro de 1551:

Depois de dar toda a consideração devida ao assunto, parece-me ficar da seguinte forma: que você, nossa mais próxima irmã, em quem, por natureza, devo depositar minha confiança e mais alta estima, deseja quebrar nossas leis e deixá-las de lado deliberadamente e de sua livre vontade, além disso sustentar e encorajar outros a cometer uma infração semelhante… Minha irmã, você precisa aprender que suas ações foram toleradas quando nossas leis foram promulgadas primeiramente, e não por causa de uma permissão para quebrar a mesma,mas de modo que você pode estar inclinada a obedecê-las, ver o amor e indulgência exibido para você. Existe uma diferença entre você e os nossos assuntos, não que todos devem seguir as nossas ordens, e só você sozinha descumpri-las, mas por que você deve fazer por amor a nós e fazer o resto por dever. O erro em que você persiste é… tão grande que, para o amor que prestamos a Deus não podemos sofrer, mas deve-se esforço para remedi-la; nem podemos fazer de outro jeito por você para melhorar os seus caminhos, pela afeição que lhe presto. Em primeiro lugar, você está usando e perpetuando uma forma de adoração à honra de Deus, que na verdade é mais como desonra, e você erra no presente… por falta de conhecimento. O conhecimento foi oferecido a você, e você recusou-o, não como tal, esperamos, por então deveremos realmente ter dó de você, mas por porque você não o mantém para ser o verdadeiro conhecimento … Nós agora nos oferecemos … para ouvir tudo o que você tem a dizer, você e seus partidários, se você estiver conscientemente contra as nossas leis. Você terá permissão para falar francamente, e o que você ou eles têm a dizer deverá ser ouvido, desde que se comprometam a ouvir as respostas que o debate trará… É nosso dever zelar pelo bem-estar de cada um de nosso assuntos e como cada um deve cuidar de si mesmo. Você ficaria com raiva de ver um dos seus servos, daqueles mais próximos a você, desconsiderando abertamente suas ordens, e assim é conosco, e você deve refletir em nosso estado é mais grave sofrer por tal assunto que ignorar nossas leis. Seu relacionamento próximo de nós, sua classificação elevada, as condições dos tempos, tudo isso amplia a sua ofensa. É uma coisa escandalosa que uma pessoa de tão alto escalão deva negar a nossa soberania, a nossa irmã deva ser menos para nós do que qualquer um dos nosso outros assuntos é um exemplos natural e, finalmente, em uma república conturbada, que empresta cores a uma facção entre as pessoas….Se você não faz como os outros que são ordenados, não seria evidente que você não é uma boa pessoa? Não seria um feito notório para todos que você não estaria reconhecendo-me como seu senhor soberano? E se tivéssemos de lhe conceder licenças para quebrar nossas leis e pô-las de lado, não seria um incentivo para os outros a fazer o mesmo? Eu penso em fazer o que é adequado ao assunto, e de acordo com a vontade de Deus, como o meu dever me obriga a fazer, e fazer com que as minhas leis sejam fielmente executadas e observadas. Eu não poderia…. ajudar alguns com favores enquanto outros são justamente punidos. Honestamente, irmã, eu não vou dizer mais coisas piores, porque o meu dever me obrigaria a usar palavras mais duras e irritadas. Mas isso eu vou dizer com determinada intenção, que eu verei as minhas leis sendo rigorosamente obedecidas, e aqueles que quebrá-las deverão ser vigiados e denunciados.

Eduardo sugeriu uma reunião e em 17 de março de 1551 a Princesa Maria foi ao Conselho do rei. Maria fez os argumentos usuais de sua consciência e que o Rei como menor de idade não poderia decidir em matéria de religião, e que ‘a idade mais madura e a experiência lhe ensinariam muito’. Eduardo respondeu que ela ‘também poderia ter algo a aprender, pois ninguém é velho demais para isso’. O encontro desagradável terminou com Maria gritando para o rei que ela preferia ‘ter sua vida tirada do que não ter sua velha religião’, a qual o rei respondeu que ele não desejava tal sacrifício.

(Detalhe) Eduardo VI e Maria I, gravura do século 16. Dois dias depois, o Embaixador Imperial foi ao Conselho e leu uma ameaça de guerra formal de Imperador, no caso da senhora Maria não ter permissão de realizar uma missão formal. O Imperador não estava em condições de ir à guerra (embora ele ficaria feliz de ver a Inglaterra libertada de Eduardo e seus ‘governadores perniciosos’). Ainda sim, os ministros ficaram apreensivos, e de joelhos, tentaram deixar claro para Eduardo que a política algumas deves deveria ficar acima de princípios, mas Eduardo não iria concordar com ele ou qualquer outro rei que implorasse. O Arcebispo Cranmer o Bispo Ridley explicaram que ‘licença para pecar era pecado, sofrer e fechar os olhos por isso por um tempo poderia ser suportável’. Quase às lágrimas por causa de seus conselheiros, o rei não se convenceu, e a luta com Maria e o Embaixador durou meses, até agosto de 1551, quando John Dudley disse ao embaixador imperial que Eduardo ‘queria preocupar-se com todos os assuntos do reino’ e que ‘ele guardaria o Rei tanto nessa idade quanto se ele tivesse quarenta’.

Mesmo Carlos V tinha se cansado deste assunto, sugerindo que Maria deveria estar contente em ter ‘uma missa privada em sua casa, sem admitir quaisquer estranhos’, e de fato essa sugestão foi comprida. As relações melhoraram e Maria visitou a corte em junho de 1552. Em fevereiro de 1553, ela foi tratada pelo Conselho como ‘se fosse rainha da Inglaterra’. O rei, que estava doente ‘recebeu-a muito gentilmente e graciosamente, e se divertiam com conversa fiada, sem fazer nenhuma menção a questões de religião’.

Entre 9 e 10hs do dia 6 de julho de 1553, o rei Eduardo VI estava morrendo em Greenwich Palace. O historiador Chris Skidmore escreve como ele orou:

Senhor Deus, livrai-me desta vida miserável e infeliz, e leva-me entre os teus escolhidos; e não que a minha vontade, mas a Tua vontade seja feita. Senhor, eu entrego meu espírito para ti. Ó Senhor! Tu sabes o quão feliz eu estaria feliz por estar contigo, no entanto, por causa da tua escolha, envia-me vida e saúde, para que eu possa realmente servir-te. Ó Senhor meu Deus, abençoe o teu povo, e salve a tua herança! Ó Senhor Deus, salve o teu povo escolhido da Inglaterra! Ó senhor meu Deus. Defenda este reino do papismo, e mantenha a tua verdadeira religião, que eu e o meu povo possamos louvar teu santo nome, por causa do teu filho Jesus Cristo!

Bibliografia:
RICHARDS, Judith. ‘Edward VI and Mary Tudor: Protestant King and Catholic Sister‘. Acesso em 5 de Junho de 2013.
Edward VI – The Renaissance Prince‘. Acesso em 5 de Junho de 2013.
The Protestant Edward VI and the Catholic Queen Mary; Violent Changes (1547-1558)‘. Acesso em 5 de Junho de 2013.
Religion under Hneyr VIII, Edward VI and Mary I‘. Acesso em 5 de Junho de 2013.

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Um comentário sobre “Eduardo VI e Maria Tudor: O rei protestante e a irmã católica

  1. Pelo que entendi, Eduardo foi um verdadeiro cristão. Coisa rara entre os monarcas ditos cristãos. Talvez pela idade, não sei, mas sua oração final é impressionante, pois contém dogmas bíblicos fundamentais.

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