Catarina Howard: culpada ou inocente?

Em 13 de Fevereiro de 1542, uma jovem rainha foi para o cadafalso, acusada de adultério e traição. Desde que ela claramente não tinha o porte, inteligência e personalidade de sua prima, Ana Bolena, foi fácil caracterizar Catarina Howard como algo mais do que uma prostituta, uma garota superficial interessada apenas em jóias, vestidos e dança.

Depois de uma série de casamentos mal sucedidos, o que Henrique VIII mais desejava era uma dócil esposa em sua cama. Embora agora ele tivesse um herdeiro, o rei queria outro filho, um Duque de York, para garantir a continuação da Dinastia Tudor. O fato de que Catarina era jovem, bonita e carinhosa era um bônus. Era Catarina que seria confrontada caso ela não ficasse grávida, não o rei.

Foi uma história da Cinderela nos tempos Tudor. Uma vez uma simples senhora na casa da rainha, agora os aposentos reais eram dela. As damas da rainha, suas amigas, agora eram suas damas. Seu marido real lhe dava opulentos vestidos, jóias reais e banquetes de luxo. Ela era jovem, certamente produziria um herdeiro para o trono. Não importava que ela não estivesse vivido na corte por mais de um ano e provavelmente não entendesse todas as manobras políticas. Também não importava que ela não tivesse noção de como lidar com um rei envelhecido e temperamental.

No início, o casamento parecia ir muito bem. Henrique estava muito contente com sua noiva, descrevendo-a como sua ‘rosa sem espinhos’. A comitiva real foi para o norte da Inglaterra, e acredita-se que foi durante essa época que Catarina e Thomas Culpeper tiveram um caso. Houve muitas histórias românticas construídas em torno dessa relação, pois eles eram primos distantes que foram reunidos na corte, e muitas vezes Thomas é retratado como um homem romântico que Catarina não podia resistir. Na realidade, os Culpepers parecem ter sido uma família disfuncional e Thomas esteve envolvido em estupro e assassinato, tendo sido devidamente perdoado pelo rei.

O único registro que temos da vida supostamente sexualmente ilícita são dos testemunhos empilhados contra ela, por inimigos da facção de sua família Howard. Tudo começou com o Arcebispo Cranmer enviando uma carta ao rei informando-lhe que uma das damas, Maria Lascelles, tinha dito que Catarina não era virgem e que tinha sido pré-contratada com Francis Dereham. Catarina tinha sido quase forçada por sua avó para dar um lugar a ela na corte, o que dez a sua relação parecer muito suspeita. Eles provavelmente estiveram apaixonados quando jovens e poderiam ter se comprometido secretamente, mas a confissão poderia ser artificial e tirada dele de forma forçada. Mesmo assim, tendo se apaixonado anteriormente por outro homem estava longe de adultério – o que realmente fez Catarina uma figura controversa foi os alegados casos que ela teve com Thomas Culpeper.

Lentamente, as mulheres que viveram com Catarina antes da Corte foram colocadas em sua casa. Mais intrigante foi a contratação de Francis Dereham como seu secretário particular. Sem surpresa, não demorou muito para que palavras sobre suas indiscrições do passado começaram a fazer. Dereham, ansioso para salvar a si mesmo, não perdeu tempo e logo mencionou o nome de Culpeper.

Tanto ela quanto Culpeper negaram qualquer intimidade sexual, e sua carta apenas pouco diz além de seu desejo de o encontrar e falar com ele.

”… Pois nunca desejei tanto uma coisa como desejo vê-lo e falar-lhe, o que, espero, poderei fazer em breve. Esta idéia me conforta muiito quando penso nela, e quando penso novamente que você vai se separar de mim novamente fico com o coração partido e penso que sina é essa minha de não poder estar sempre na sua companhia…’

O servo mais próximo de Catarina, Joan Bulmer, disse que a rainha lhe pediu para organizar encontros secretos com Thomas. Embora ele próprio não admite ter consumado o seu caso com Catarina, ele afirmou que ela estava ‘morrendo de amores por ele’, que ela insistia que se encontrassem e que eles tinham a intenção de fazer coisas más juntos. Tudo isso só prova a intenção de cometer adultério, mas no período Tudor a intenção poderia ser punível tanto quanto o ato em si.

Catarina Howard em cera.Deve ser lembrado, no entanto, que Catarina não teria muitas chances de ser perdoada. Mesmo se ela não tivesse sido culpada pela intenção de cometer adultério, ela seria culpada de traição. O Decreto de Proscrição foi aprovado em lei após sua terceira leitura no dia 11 de Fevereiro de 1542. A lei dizia que uma mulher era obrigada a dizer seu histórico sexual ao rei antes dele se casar com ela. Essa lei foi feita para incriminar Catarina Howard por causa de suas relações sexuais antes de seu casamento com o rei; relações essas que ela mantivera em segredo. Isso significa que, de última instância, ela seria culpada de traição de uma forma ou outra – por adultério ou por manter seu passado em segredo.

Bibliografia:
CHEUNG, Kylie. ‘Queen Katherine Howard: common and unjust stereotypes‘. Acesso em 16 de Fevereiro de 2014.
ARNOPP, Judith. ‘Katherine Howard – schemer or victim?‘. Acesso em 16 de Fevereiro de 2014.
LIBBY, Alisa. ‘Catherine Howard- Did she or Didn’t she?‘. Acesso em 16 de Fevereiro de 2014.
Was Katherine Howard guilty?‘. Acesso em 17 de Fevereiro de 2014.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s