As amantes que não o foram: os romances do rei Henrique VII

Henrique VII, o primeiro Rei Tudor, casou-se com Elizabeth de York por razões dinásticas. No entanto, ele não teve nenhuma amante reconhecida, sendo assim reconhecido ou por ter moralidade ou por ser apaixonado e fiel em sua esposa. Embora não tenha registro ou razão para sugerir que ele tenha amantes, sempre houveram rumores de que ele estivesse apaixonado por outras mulheres – esses rumores serão tratados a seguir.

Maud Herbert

'A pageant of Kings Henry VII, he hanges his dogs as traitors', por C.L. Doughty.

Em 1462, quando o jovem Henrique Tudor tinha cinco anos, ele foi levado para longe de sua mãe e sua tutela e foi dado para William, Lorde Herbert. O jovem Henrique nunca tinha conhecido seu pai e já tinha se separado de sua mãe também. Os Herberts parecem tê-lo tratado gentilmente e foi-lhe dado a educação de um cavaleiro. Sir William tornara-se Conde de Pembroke, título tirado do seu tio Jasper Tudor e passado por ele a serviços prestados ao seu rei. Eram três filhos e seis filhas na família Herbert, e duas delas eram Maud e Catarina. Existem muitos rumores de que Henrique Tudor tivesse se apaixonado primeiro por Maud, e depois por Catarina.

Maud Herbert era a filha mais velha de William, tendo nascido quase ao mesmo tempo que Henrique VII (ou seja, cerca de 1457). A esposa de William, Anne Devereaux, era muito gentil com Henrique e, quando ele se tornou rei, concedeu a ela grandes quantidades de dinheiro. Não existe registros de como Maud se parecia, e por terem a mesma idade, é possível que ambos se sentiam atraídos um pelo outro. É possível que William Herbert estivesse planejando um casamento para as crianças, uma vez que existia a possibilidade de Henrique ser o futuro rei da Inglaterra.

No entanto, William Herbert morreu quando Henrique e Maud tinham doze anos, e Jasper Tudor voltou para buscar Henrique e levá-lo para a Bretanha. Maud então foi casada com outro nobre. Nesse momento, existem muitas questões “e se” que podem ser feitas: e se Henrique tivesse se casado com Maud Herbert e não Elizabeth de York? Será que ela teria mais filhos homens, mais herdeiros? Será que a Casa Tudor ainda governaria a Inglaterra? Se sim, será que a Inglaterra teria se separado da Igreja Católica? Muitas questões podem ser feitas, mas o fato é que nada foi dito ou registrado sobre o caso (se é que houve algum).

Katherine  Herbert

‘Embora tivesse se sentido profundamente triste, não se deixou desesperar. Considerou seu relacionamento com Maud e disse a si mesmo que embora a amasse muito, amava também os outros Herbert; se o casamento com Maud lhe fora negado, ele poderia tornar-se membro daquela querida família casando-se com a irmã de Maud, Katherine’.

(PLAIDY,2001, pág. 110)

Não se sabe exatamente quando começaram a surgir os rumores sobre o romance entre Katherine e Henrique Tudor. Ao viver na casa dos Herbert, Henrique obviamente também tinha sido criado junto de Katherine. De acordo com David Loades, a rainha Elizabeth de York até chegou a ser avisada a respeito dela no outono de 1485, ‘mas parece não ter levado a rival a sério – o que parece ter sido plenamente justificado. Henrique era um homem de grande contenção e parece nunca ter ido atrás de outras mulheres’.

Catarina Gordon

Lady Catarina Gordou ajoelha-se para Henrique VII. Embora quase não seja citado por fontes acadêmicas, Henrique VII também foi suspeito de acalentar uma grande afeição por Catarina Gordon, a esposa e posteriormente viúva de Perkin Warbeck. Ela era pensionista de longa data e refém na corte de Henrique depois que seu marido foi capturado e eventualmente executado. Por ter relações com a nobreza escocesa, Catarina era tratada com grande honra, e de acordo com a política de Henrique ela era uma vítima inocente das pretensões ao trono inglês de seu marido .Sob as ordens de Henrique VII, Catarina foi levada para a criadagem de Elizabeth com instruções de que ela fosse tratada como uma irmã. Lá, ela se tornaria uma das favoritas da Rainha. Ela teria no total de quatro maridos, embora nenhum registro de filhos sobrevivam.

Provavelmente são os registros que alimentam os rumores. Inicialmente, Henrique deu-lhe muitos presentes usando o dinheiro de sua própria bolsa privada, onde ela é registrada como ‘Lady Kateryn Huntleye’. O rei deu a ela vestes, que incluíam, em Novembro de 1501, roupas de pano de ouro forrados com arminho (peles usadas pela realeza), um vestido de veludo púrpura (cor usada somente por nobres), e um capelo preto no estilo francês; em Abril de 1502, ela ganhou do rei veludos pretos e carmesim para fabricação de meias; e em Novembro de 1502, cetim e panos negros para serem aparados com pele de marta e esquilo, com um chapéu carmesim.

Em 1503 Lady Catarina foi uma das personagens principais do funeral de Elizabeth de York. A calda de seu vestido foi carregada pela sogra da Rainha, a Condessa de Derby. Catarina ofereceu missas e junto de outras 37 damas acompanhou o percurso do enterro da rainha, da Torre de Londres até Westminster.

Houve especulações de que após a morte da rainha Elizabeth o rei Henrique teria tomado Catarina Gordon como sua amante, ou que no mínimo ele teria uma predileção especial por ela desde que a havia conhecido em 1497. Se a mãe de Catarina fosse de fato a Princesa Anabela, filha de Joan Beaufort, ela seria uma parente do rei Henrique VII através de sua mãe, Margaret Beaufort. A História do Rei Henrique VII feita por Francis Bacon inclui a afirmação de que:

‘Quando ela foi levada ao rei, era comumente dito que o rei recebeu-a não só com compaixão, mas com rainho; a pena dando uma grande impressão por causa de sua excelente beleza. Portanto para consolá-la, para lhe servir como seus olhos e com sua fama, ele enviou-a para sua Rainha’.

Catarina era aparentemente inocente dos crimes de seu marido, e ao invés de ser punida por isso (como Henrique VIII teria feito naquele momento, provavelmente), ela foi poupada. Durante o reinado de Henrique VIII Catarina se casaria mais três vezes. Nos anos de 1510 e 1517 o rei lhe deu várias concessões de terras em Berkshire, com a única condição de que ela não deixasse a Inglaterra sem uma licença real.

Bibliografia:
PLAIDY, Jean. Catarina, a viúva virgem. Tradução de Vera Whately. Rio de Janeiro: Record, 2001.
LOADES, David. As Rainhas Tudor – o poder no feminino em Inglaterra (séculos XV – XVII). Tradução de Paulo Mendes. Portugal: Caleidoscópio, 2010.
EVELYN, Danielle. ‘Wife of a Pretender‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.
Lady Catherine Gordon‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.
Maude Herbert: The Girl Who Was Almost a Tudor‘. Acesso em 12 de Fevereiro de 2014.

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Um comentário sobre “As amantes que não o foram: os romances do rei Henrique VII

  1. Eu como boa romântica.. Ia apreciar a versão de que ele amava mesmo a esposa hiihihi e ela bastava..mesmo ele sendo rei.

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