Ana de Cleves, a segunda madrasta de Elizabeth

ana e elizabeth

Depois da morte de Jane Seymour, Henrique VIII iniciou negociações com as casas reais européias. Henrique ainda era católico no sentido de que ele não estava de acordo com as reformas nas missas. Em 1539, foi elaborada a Lei dos Seis Artigos, que mantinha os ensinamentos tradicionais da igreja, especialmente a doutrina da transubstanciação. Seus assessores, como Cromwell e Cranmer, não apreciavam uma noiva católica e dirigiam Henrique em direção aos países e ducados protestantes. O Duque de Cleves era levemente protestante e tinha duas irmãs solteiras. Ana de Cleves, de vinte e cinco anos, era a mulher de ‘sorte’. Ela se casou com Henrique em Janeiro de 1540 e eles se divorciaram em Julho do mesmo ano.

O primeiro encontro de Henrique e sua noiva não ocorreu bem, e diz a tradição que Ana era muito repugnante e feia. Henrique, um homem cativado pelas habilidades que Ana Bolena aprendera na corte da França, ficou muito decepcionado com Ana de Cleves. Ana foi criada para ser uma companheira prática para um homem de posição e poder, seus talentos, inteligência e bom-senso se prestavam para ser uma dona de casa bem sucedida: dançar, tocar instrumentos musicais, falar língua estrangeiras não eram parte de sua educação.

De acordo com Gregorio Leti, um historiador italiano que escreveu no final do século 17 com acesso a documentos que desapareceram, Elizabeth escreveu a seu pai nesta época pedindo permissão para conhecer sua nova madrasta. A carta, que não tem data ou assinatura, teria sido escrita quando Elizabeth tinha pouco mais de seis anos.

‘Madame, eu estou lutando ente dois desejos – um é meu desejo impaciente de ver Sua Majestade, e o outro é de render-me a obediência, que eu devo aos comandantes do Rei meu pai, que me impedem de sair de casa até que ele me dê total permissão para fazê-lo. Mas espero que poderei em breve satisfazer ambos os desejos. Nesse meio tempo, peço a Vossa Majestade que me permita mostrar, por esta carta, o zelo com a qual dedico meu respeito a senhora como minha rainha, e minha total obediência a você como a minha mãe. Eu sou muito jovem e frágil para poder fazer mais do que felicitar-lhe com todo o meu coração o início de seu casamento. Espero que Vossa Majestade tenha tanta boa vontade em relação a mim como eu zelo a servir-lhe.’

Ana mostrou a carta ao rei, e ele não deixou que Elizabeth comparecesse à Corte. Henrique ‘pegou a carta e deu a Cromwell’ ordenando-lhe a responder a carta. ‘Diga a ela’, disse ele brutalmente, ‘que ela tinha uma mãe tão diferente dessa mulher que ela não desejará vê-la’. Se a história é ou não verdadeira, o fato é que Henrique não manteve sua palavra por muito tempo e Elizabeth eventualmente foi para a Corte se encontrar com Ana.

Leti relata que ‘Ana de Cleves, quando viu Elizabeth, estava encantado com sua beleza, inteligência e…. o que ela percebeu mais tarde como a mais terna afeição por ela’. Ana afirmou que ter Elizabeth ‘como sua filha teria sido maior felicidade do que ser rainha’.

The Tudors S04 E03Quando Henrique não pode fugir do casamento, ele ficou determinado a conseguir um divórcio. Quando ‘foram arranjados as condições de seu divórcio, ela (Ana) pediu, como um grande favor, que ela fosse autorizada a vê-la (Elizabeth) às vezes’. Henrique concordou, desde que Elizabeth se dirigisse a ela como Lady Ana, ao invés de Rainha Ana.

Após o divórcio, Ana manteve uma posição na Corte e na família real com o título de ‘irmã do Rei’. Ela ganhou rendas consideráveis além de muitas propriedades e castelos como Richmond Palace, Hever Castle, Penshurst, Dartford Castle, e uma residência em Londres.

Três meses após o divórcio, o Embaixador Francês Marillac informou que Ana de Cleves e o rei permaneciam amigos. De fato, a amabilidade de Ana à Henrique é mostrada no seu Livro de Horas. Em uma tradução moderna, pode-se ler ‘Rogo humildemente a Vossa Graça, que quando olhar isso lembre-se de mim. Asseguradamente Sua, Ana, Filha de Cleves’.  O Embaixador também informou que Ana usava de grande gentileza, humildade e bondade ‘especialmente para com a pequena Elizabeth’.

Durante o reinado de Maria, Ana e Elizabeth eram vistas juntas frequentemente.No dia 30 de setembro de 1553, as duas andaram juntas em uma carruagem durante a procissão da coroação da rainha Maria. Elas também estavam juntas no banquete que houve mais tarde. Apesar de Ana sempre prestar grande homanagem a Maria Tudor, Ana criou muita polêmica quando, ao lado de Elizabeth, se recusou a participar de uma missa católica durante a primeira metade do reinado de Maria. A rainha conversou com Ana, que depois disso passou a ir à missa. Tendo quase a mesma idade, espera-se que Ana e Maria se dessem bem, mas foi com Elizabeth que Ana compartilhou muito carinho até o dia em que morreu, em 16 de Julho de 1557.

Em seu testamento, Ana deixou alguns itens para suas noras. Para Elizabeth ela deixou algumas jóias na esperança de que uma de suas damas de companhias, Dorothy Curson, pude-se juntar à equipe de Elizabeth.

A influência de Ana em Elizabeth pode ser mais ampla do que imaginamos. Alguns autores implicam que Elizabeth não queria sofrer o mesmo que Ana de Cleves sofreu ao se casar, uma vez que Elizabeth foi testemunha da rejeição e humilhação que Ana sofreu. Quando rainha, Elizabeth supostamente disse a Count Feria, o Embaixador Espanhol, que ‘não faria votos para se casar com nenhum homem que ela não viu, e não confiava em retratistas’.

Bibliografia:
The Second Step-Mother to Elizabeth, Anne of Cleves‘. Acesso em 12 de Janeiro de 2014.
Anne of Cleves‘. Acesso em 12 de Janeiro de 2014.

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5 comentários sobre “Ana de Cleves, a segunda madrasta de Elizabeth

    • Por que Fernanda? Certamente ela sofreu uma grande humilhação com o divórcio do rei, mas como compensação ela ganhou muitas terras e dinheiro, podendo fazer o que quiser e sendo a segunda mulher mais importante do reino, abaixo apenas da família real Tudo bem que no final da vida ela ficou com algumas dívidas, mas todas as esposas (e ex-esposas) do rei tiveram um final triste.

  1. Ainda acho que foi a que se saiu melhor! Se não estou enganada, foi a que sobreviveu a todas as outras e ao rei Henrique VIII.

    • Concordo com você Sonia! Se Catarina de Aragão tivesse aceitado o divórcio, ela provavelmente teria um acordo parecido. Ela viveu sim mais do que todas as outras esposas do rei, mas isso é porque ela era uma das mais novas (Ana de Cleves nasceu em 1515, enquanto Aragão nasceu em 1485, Ana Bolena por volta de 1501, Jane Seymour por volta de 1508, Catarina Howard por volta de 1520 e Catarina Parr em 1512). É curioso que a maioria diz que Ana de Cleves foi a esposa que sobreviveu a Henrique VIII, mas Catatina Parr também “sobreviveu”

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