A história do Mary Rose

A Batalha de Solent, feito por James Basire em 1778.

Quando Henrique VIII subiu ao trono em 1509, ele previa uma ameaça para Inglaterra por causa das frotas poderosas da França e Escócia, e imediatamente começou a escorar a Marinha da Inglaterra, que não tinha sido exatamente uma prioridade durante o reinado de seu pai: Henrique VII só tinha feito dois navios consideráveis, o Regent e o Sovereign.

Ele fez uma tímida tentativa de disfarçar os seus esforços, alegando que os novos navios eram apenas embarcações para sua família. É improvável que ele tenha enganado alguém, e seus primeiros navios concluídos foram ‘Henry Grace a Dieu’, ‘Catherine Pleasaunce’, ‘Peter Pomegranate’ e o ‘Mary Rose’.

Se Mary Rose tinha de fato sido chamado por causa de Maria Tudor, teria sido natural para aquele navio levar Maria Tudor e sua comitiva para a França, ou trazido Maria de volta para a Inglaterra depois que seu marido morreu. Mas isso não foi o caso. Segundo os historiadores David Childs, David Loades e Peter Marsden, não há nenhuma evidência de que o nome tenha sido por causa da irmã do rei. Era muito comum na época dar nomes de navios a figuras cristãs.

Ilustração do Mary Rose, feita por Anthony Roll, 1546.O Mary Rose foi o navio mais famoso dos Tudor, mas sua origem é muito obscura. Não há nenhuma documentação existente do seu projeto. A construção poderia ter começado tão cedo quanto em 1509, pois os documentos desse ano e de 1510 mostram autorização de materiais de construção para um grande navio, que acabou sendo rebocado para Londres para o aparelhamento final e armamento, antes de ingressar na marinha como um navio completo de combate.

A construção de um navio de guerra do tamanho de Mary Rose era uma grande empreitada. Uma estimativa diz que o número de árvore necessárias seriam 600 grandes carvalhos, o que representaria 16 hectares (40 acres) de floresta. As árvores enormes tinham sido comum na Europa e nas Ilhas Britânicas nos séculos anteriores, mas eram muito raras no século 16, o que significa que as madeiras provavelmente foram trazidas do sul da Inglaterra.

A primeira vez que Mary Rose foi a batalha foi em 1512, em uma operação naval com os espanhóis contra os franceses. Os ingleses atacaram as frotas francesas e bretanhas no Canal Inglês, enquanto os espanhóis atacavam a Baía de Biscaia.

Para se defender, o Mary Rose tinha grandes estoques de armas brancas. Um total de 250 arcos longos foram encontrados, assim como 300 lanças e quase 40000 flechas, braçadeiras e outros equipamentos relacionados com o tiro de arco e flecha.

Selo feito na Inglaterra em 1582.O lorde almirante escolhido por Henrique VIII por Sir Edward Howard, de 35 anos. Ele tinha mais de 18 navios em sua frota e mais de 5.000 homens. A expedição de 4 dias na Bretanha feita por Howard levou à captura de 12 navios bretões. A frota voltou a Southampton e foi visitado por Henrique VIII antes de embarcar novamente. Os navios ingleses encontraram uma frota franco-bretão na batalha de St. Mathieu, golpeando-os com artilharia pesada. Tropas inglesas embarcaram no navio principal dos bretões, o Cordeliere, que pegou fogo e afundou. Mais de 600 marinheiros franceses foram mortos na batalha, e marinheiros ingleses tiveram que invadir as cidades mais próximas até que uma tempestade os forçou voltar à Inglaterra.

Em 1513, o Mary Rose participou de uma corrida contra outros navios ingleses, e foi novamente escolhido por Howard como seu navio principal para outra missão contra a frota francesa. Eles recentemente tinham reforçado sua frota. Howard fez um ousado ataque, embarcando ele mesmo em um dos navios. Ele perdeu sua vida no processo. Desmoralizada e com uma escassez séria de alimentos, a frota voltou para Plymouth.

Thomas Howard, irmão mais velho de Edward, foi nomeado o novo Lorde Almirante, e começou a planejar um novo ataque. Em agosto de 1513, os escoceses juntaram forçar com os franceses e foram à guerra contra Inglaterra.  A luta durou todo o verão, e os dois lados acabaram esgotados. A guerra só foi acabar no outono, graças a um tratado de casamento da irmã de Henrique VIII, Maria Tudor, com o rei francês Luís XII.

Em 1522, a Inglaterra foi à guerra contra a França mais uma vez pro causa de um tratado com o Sacro Imperador Romano Carlos V. O Mary Rose escoltou as tropas até a França, e em 1 de julho o porto bretão de Morlaix foi capturado. O Mary Rose voltou para casa em Dartmouth.  A guerra durou até 1525, os escoceses novamente se juntaram aos franceses. A guerra chegou ao fim quando Francisco I, rei da França, foi capturado na batalha de Pavia pelas tropas de Carlos V em 24 de fevereiro de 1525. A guerra acabou sem grandes ganhos ou vitórias para os ingleses.

Modelo de madeira do Mary RoseAo longo de sua carreira de 33 anos, a tripulação do Mary Rose mudou várias vezes e variavam consideravelmente de tamanho. Ele teria uma tripulação mínima de 17 homens em tempos de paz (e na reserva). A lotação média teria sido cerca de 185 soldados, 200 marinheiros, e de 20-30 atiradores e uma variedade de outros especialistas, cirurgiões, em um total de 400-450 homens. Em 1512, o número de soldados podem ter aumentado de 400 para um total de 700.

O Mary Rose foi mantido em reserva de 1522 até 1535. Apesar da ameaça de guerra estar sempre presente, principalmente vindo da Escócia, os anos foram mais quietos para este navio. Em 1527 ele foi calafetado e reparado em um novo cais em Portsmouth. Embora pouco sobrevive de provas documentais, parece que o  navio foi remodelado em torno de 1535-1536. Isto foi no mesmo período que Henrique VIII ordenou a dissolução dos mosteiros, o que lhe trouxe mais investimentos que podem ter financiado este trabalho. A reconstrução de 1536 fez com que o navio de 500 toneladas ficasse com 700.

Ninguém sabe exatamente quais alterações foram feitas no Mary Rose, mas especialistas especulam que sua construção pode ter sido alterado para colocar canhões de grande porte. Embora a introdução de armas de fogo tenham mudando significativamente o combate em terra, pouco mudou a dinâmica de um navio de combate. A maioria dos canhões ainda era composta de canhões de curto alcance que poderiam ser disparados por uma única pessoa.

Após a ruptura com o Papa, Henrique VIII esteve particularmente isolado da Europa. Em 1544, ele se juntou ao Sacro Imperador Carlos V para atacar a França. No entanto, Carlos V fez seu próprio tratado de paz com a França, deixando a Inglaterra ainda mais isolada.

Em maio de 1545, a marinha francesa se reuniu no estuário do Sena, com a intenção de desembarcar tropas em solo inglês. A frota inglesa se reuniu em Portsmouth, sobre o comando do Visconde de Lisle. As estimativas das frotas variam entre 123 e 300 navios franceses, com cerca de 50.000 soldados. A força inglesa se constituía de 160 navios de 12 mil soldados. A frança entrou em Solent com 128 navios em 16 de julho. A Inglaterra tinha 80 navios para se opor à força francesa, incluindo o Mary Rose.

(c) Fareham Borough Council; Supplied by The Public Catalogue FoundationO primeiro dia da Batalha de Solent consistiu em um bombardeio de longo alcance entre os franceses e ingleses. Nenhum dos lados sofreu qualquer perda real. Na noite de 18 de julho de 1545, Henrique VIII jantou no navio principal, ‘Henry Grace a Dieu’, junto de seu almirante o Visconde de Lisle.

Há relatos conflitantes sobre o que aconteceu na batalha. De acordo com os franceses, no início da manhã do dia 19 de julho, as frotas francesas assumiram a batalha, tentando atrair os ingleses dentro do alcance de sua frota principal. Os franceses acabaram abatendo os navios ingleses com muita facilidade.

De repente, para o deleite dos franceses, o Mary Rose afundou.

Após a batalha de Solent, uma série de tentativas foram feitas para salvar o navio.  Apenas 25 homens da tripulação conseguiram ser salvos. Mergulhadores especializados foram contratados para realizar o trabalho, e em 1 de agosto foi relatado que ‘Na segunda ou terça-feira o Mary Rose deve ser completamente salvo’. No entanto, eles falharam em levantar o navio.  Apesar de todos os esforços, o Mary Rose permaneceu preso no fundo do mar, e em dezembro de 1545 todas as tentativas de salvamento foram abandonadas.

Ninguém sabe ao certo por que o Mary Rose afundou, mas há uma série de teorias.

Teoria #1 – A Equipe
 O motivo mais provável da perda da Mary Rose provavelmente é a mais simples. No calor da batalha, talvez a tripulação ou o capitão cometeu um erro. Com a batalha feroz, seria difícil para o capitão manter a ordem. Ou talvez a tripulação se recusou a seguir suas ordens, sabendo que o navio era um desastre esperando para acontecer.
 Teoria #2 – Falta de comunicação
 Exames forenses dos crânios da tripulação revelaram que a maioria dos tripulantes não eram ingleses, e sim do sul da Europa, provavelmente espanhóis. Os pesquisadores acreditam que a sua incapacidade de compreender as ordens dos oficiais quando o navio começou a afundar selou o seu destino.
A teoria também resolve o enigma das últimas palavras que o almirante George Carew, que sua equipe eram ‘patifes que não posso governar’.Acredita-se que os homens eram mercenários do continente recrutados por Henrique VIII ou soldados espanhóis que naufragaram na Grã-Bretanha e forçados ao serviço militar.  A teoria foi apresentada pelo professor Hugh Montgomery, que sugere que as portas das armas foram deixadas abertas porque os tripulantes espanhóis não entenderam o comando para fecha-las no meio do caos da batalha, com todos os gritos e armas disparando.
Teoria #3 – Os ventos
 Será que uma rajada de vento atingiu as velas em um momento crucial, tornando o navio instável? Relatos de testemunhas oculares descreveram uma brisa repentina, e o Mary Rose fez uma curva para o norte. Com as portinholas abertas para a batalha, o navio poderia ter inundado rapidamente e afundado. Então, porque ela tinha afundado antes? Talvez o navio estivesse simplesmente muito pesado depois da remodelação recente, que tinha acrescentado armas extras para seu poder de fogo.
Teoria #4 – Os Franceses 
 Um oficial da cavalaria francesa presente afirmou que o Mary Rose tinha sido afundado por armas francesas. Uma bala de canhão tinha sido disparado no casco, permitindo a água inundar o navio, tornando-o instável e naufragando-o. Talvez por isso o navio virou para o norte tão de repente. Talvez eles tinham como objetivo alcançar Spitbank, quer estava apenas algumas centenas de metros de distância.
Teoria #5 – Sobrecarga 
 Talvez o navio estivesse sobrecarregado com armas pesadas ou soldados extras. Se fosse assim, uma forte rajada de vendo poderia tê-lo virado.

O navio de guerra foi finalmente retirado do mar em 11 de outubro de 1982, com mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo assistindo o navio vir à superfície pela primeira vez em centenas de anos.

Os ossos de 179 indivíduos foram encontrados durante as escavações de Mary Rose, sendo 92 deles ‘razoavelmente completos’. A análise tem mostrado que os membros da tripulação eram todos do sexo masculino, alguns com não mais de 13 anos de idade, e a maioria (81%) com menos de 30 anos. Eles eram principalmente de origem inglesa.

Junto dos restos da tripulação, mais de 26.000 artefatos e peças de madeiras foram resgatados.
Veja alguns dos mais famosos abaixo:

Bandagens e seringas, que teria sido usado para tratar doenças sexualmente transmissíveis. Mikael Buck

Bandagens e seringas, que teria sido usado para tratar doenças sexualmente transmissíveis. Mikael Buck

Recipiente de cozinha, praticamente intacto. Mikael Buck

Recipiente de cozinha, praticamente intacto. Mikael Buck

Sapatos que teriam sido usados pela tripulação. Mikael Buck

Sapatos que teriam sido usados pela tripulação. Mikael Buck

Um dos muitos rosários encontrados a bordo do Mary Rose. Peter Crossman

Um dos muitos rosários encontrados a bordo do Mary Rose. Peter Crossman

Pentes encontrados no navio.

Pentes encontrados no navio.

Caneca de cerveja

Caneca de cerveja

Restos de um violino e seu arco, provavelmente os mais velhos da Europa.

Restos de um violino e seu arco, provavelmente os mais velhos da Europa.

Conjunto de manicure de algum marinheiro.

Conjunto de manicure de algum marinheiro.

Bibliografia:
The Mary Rose‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
MARCELLA, Katherine. ‘Mary Rose: The Princess and The Ship‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
‘The Raising of the Mary Rose‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
Mary Rose artifacts on display for the first time‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
Why did the Mary Rose sink?‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
Henry VIII and the Mary Rose‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
All at sea: Mary Rose sank because foreign sailors couldn’t understand their commander’s orders’. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
The Mary Rose ship reveals a haul of old treasures‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
Mary Rose’. Acesso em 25 de Janeiro de 2013. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
New Mary Rose artefacts on show‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.
Mary Roseu‘. Acesso em 25 de Janeiro de 2013.

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