Eduardo VI – O Príncipe Renascentista

‘Se Henrique VIII olhasse do céu para seu filho, ele certamente não teria encontrado nada em seus arredores ou em seus passatempos que pudesse surpreendê-lo’, escreveu Jennifer Loach em seu livro ‘Edward VI’. Ela estava completamente certa: Eduardo VI viveu uma vida normal, cresceu rapidamente presidindo uma corte vivaz, e poderia ter sido a pessoa esperada para liderar exércitos, se casar e ter herdeiros. Eduardo recebeu uma formação sólida e engenhosamente humanista, alternando entre uma ‘semana de América’ e uma ‘semana de grego’ ao longo de 1550 e 1551. Visitantes franceses testemunharam sua habilidade com as línguas e afirmaram que ele falava italiano e espanhol.

Também estavam incluídos no currículo de Eduardo geometria, matemática e astronomia. Ele tinha um astrolábio contendo as armas reais, iguais aos de seu tutor (sir John Cheke) e seu ministro chefe (John Dudley, Duque de Northumberland). Dezenas de mapas e globos foram adquiridos por Eduardo, e em 1549, ele comprou um novo mapa mundial feito pelo explorador Sebastian Cabot, que foi exibido em uma parede no Palácio de Whitehall. Quando se tornou rei, Eduardo já sabia latim, grego e francês.

Há algumas evidências de que Eduardo e sua meia irmã Maria ficaram ficar pertos um dos outro durante um tempo. Eles não discutiam religião. Maria lhe enviava muitos presentes, e quando Eduardo aprendeu a escrever, ele lhe enviava muitas cartas. Ás vezes, ele se preocupava com sua reputação e uma vez a advertiu-a sobre isso, quando ele tinha oito anos, sobre seu amor pela dança e entretenimento. Ele disse ‘Danças estrangeiras e divertimentos não tornam uma princesa mais cristã!‘ Maria pode ter rido disso, mas ela também deveria ter visto o quanto Eduardo tentava imitar seu pai.

Na sua coroação, Eduardo, como nove anos de idade, foi saudado como ‘um segundo Josias’ pelo arcebispo Cranmer. Quando o rei tinha 12 anos, o embaixador imperial afirmou que ‘na corte não há bispo e nenhum homem entendido tão pronto para discutir em apoio à nova doutrina como o rei… e isso parece ser uma fonte de orgulho para seus cortesões, que o rei deve escolher por si mesmo quem deve pregar’. Quando ele ouvia um sermão, ele escrevia ‘cada frase notável, especialmente se falasse sobre um rei’.

Quando tinha 11 anos, compôs um tratado em francês contra o Papa ‘o verdadeiro filho do diabo, um homem mau, tirano, anticristo e abominável‘. Eduardo acreditava firmemente nas doutrinas de salvação pela fé e predestinação. Ainda sim, o sentido de sua supremacia real foi altamente desenvolvida e tão importante para ele quanto os aspectos puramente dogmáticos. Isso foi mostrado em junho de 1550, quando na consagração do Bispo Hooper, ele mesmo riscou todas as referências a santos do formulários de juramente, alterando assim a teologia da igreja inglesa sem nem ao menos ir ao Paralemnto.

Como seu pai, Eduardo VI foi um grande amante da música. O número de músicos reais cresceu subtancialmente durante o seu reinado, assim como os coristas da Capela Real, cujas crianças ocasionalmente cantavam em seu quarto. Eduardo também aprendeu a tocar virginais. Ele aparecia pessoalmente em mascaradas e peças teatros, e nos primeiros anos de seu reinado foram necessários vários trajes extras feitos sob medida para ele. As festividades do Natal de 1551 tiveram de ser adaptadas de acordo com os desejos de Eduardo. Os entretenimentos mais rústicos eram igualmente apreciados, sendo que o Rei gostava de equilibristas.

Quando Eduardo se tornou rei, seu relacionamento com suas irmãs mudou drasticamente. Quando comiam com ele, elas tinham que se sentar em bancos baixos, e não cadeiras, e sentar-se um pouco longe de modo que o rei não fosse encoberto. Visitantes franceses e italianos se divertiam com a etiqueta da nova corte inglesa, encontrando algumas coisas beirando o rídiculo: duques e condes ajoelhavam-se ao servir seu soberano na mesa (‘muito estranho’, disseram) e a irmã do rei, Lady Elizabeth, ‘ajoelhava-se diante de seu irmão cinco vezes antes de se sentar’.

Em 1551, Eduardo VI foi comprometido com Elizabeth de Valois, uma princesa francesa filha do rei Henrique II. Ele tinha quatorze anos e ela tinha seis. O rei Eduardo expressou sua solidariedade com o gordo Embaixador Francês no mesmo ano, durante uma celebração, dizendo que ‘não encontrando as delícias da França neste país’, ele iria perder peso. Alguns meses mais tarde, Eduardo enviou a sua noiva um grande diamante,.

A vida da corte era extravagante, e o aumento de pessoal durante todo o reinado gerou corte nos gastos do governo na década de 1550. Eduardo gostava de jogar cartas, xadrez, tênis e outros jogos, e perdia dinheiro dessa forma. O rei também era um caçador inveterado, pois um convidado italiano escreveu que porque na caça ele tinha ‘uma desculpa para andar, porque seus homens, temendo por sua vida, muitas vezes parecem manter uma rédea curta sobre ele’. O rei praticava esgrima e arco e flecha, e assim como seu pai, era fascinado por torneio e justas.

Em maio de 1553, no último ponto alto de sua vida, Eduardo testemunhou de sua janela  os navios de Hugh Willoughby partindo para a ‘primeira viagem de descoberta oficialmente patrocinada pela Inglaterra’.

Traduzido e editado do artigo ‘Edward VI – The Renaissance Prince‘ escrito por Christine Hartweg.

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