Maria Grey, uma anã na Corte de Elizabeth Tudor

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Lady Maria Grey foi a filha mais nova de Henrique Grey, Duque de Suffolk, e Frances Brandon, a filha de Charles Brandon – grande amigo e confidente de Henrique VIII – e Maria Tudor, sua irmã mais nova. Ela aparentemente era mais baixa do que a média as mulheres da Era Tudor. Fontes primárias, escritas por testemunhas oculares indicam que ela era extraordinariamente pequena – ela teria por volta de 1,20 metro (atualmente, considera-se anã uma mulher que tenha altura inferior a 1,40 metro). O Embaixador Espanhol, tendenciosamente católico, descreveu-a como ‘muito feia e corcunda’, sem oferecer outros detalhes. Mas bonita ou não, Maria combinava as melhores características de suas irmãs: a coragem de Jane Grey e a paixão de Catarina Grey.

Maria Grey tinha oito anos quando sua irmã Jane tornou-se Rainha, com o apoio da elite protestante. Embora bem-educado, ela ainda não tinha iniciado seus estudos no grego e no latim. Mas ela era, assim como Jane, muito inteligente, e poderia ter seguido seu exemplo, se não fosse a catástrofe que se abateu sobre a família. Nove dias depois, Maria Tudor derrubou Jane do trno em um golpe de Estado que teve o apoio popular. Jane foi julgada por traição, condenada e executada. Maria guardaria a memória de sua irmã e manteria uma cóía do Livro dos Mártires, onde estava descrito o fim lamentável de Jane e sua última carta para sua irmã Catarina.

Desde que a rainha Elizabeth I não tinha filhos, Maria Grey e Catarina estavam na linha sucessória do trono inglês. Por isso, elas não eram autorizadas a se casarem sem permissão da Rainha. No entanto, em 16 de Julho de 1565, enquanto a rainha estava ausente, Maria secretamente se casou com Thomas Keyes, à luz de velas, em seu quarto em Whitehall. A melhor amiga de Maria, sua prima Margaret Arundell, estava tão assustada que ouviu a cerimônia proibida na porta.

O casamento era inadequado por muitas razões: Keyes era de uma família da pequena nobreza, tinha mais do que o dobro da idade de Maria e era viúvo, com seis ou sete filhos. Entretanto, o que era mais estranho é que Keyes era descrito como um gigante: ele não tinha nada mais nada menos do que dois metros e vinte. Sir William Cecil escreveu:

‘O sargento Porter, sendo o maior cavaleiro desta corte, casou-se secretamente com Lady Maria Grey, a menor de toda a corte… O crime é muito grande’.

Ao se casar com alguém fora da nobreza, Maria estava efetivamente (se não legalmente) saindo da sucessão. Ela deve ter esperado, portanto, que Elizabeth perdoasse suas ações. Mas quando as fofocas sobre o casamento de Maria chegou aos ouvidos de Elizabeth poucas semanas mais tarde, ela se mostrou equivocada. Elizabeth ordenou que Keyes fosse encarcerado na prisão Fleet, enquanto Maria foi enviada para várias casas de campo como prisão domiciliar.

Maria Grey desafiadoramente mostra seu anel de casamento em um retrato atribuído a Hans Eworth em 1571. Em seus cabelos, Maria usa cravos – que significam amor, fidelidade e lembranças.

Embora tivessem se casado, o casal nunca teria filhos e nunca se veria de novo. Maria ficaria confinada à prisão domiciliar até em setembro de 1571. Keyes seria liberto apenas em 1570, gravemente enfraquecido. Ele pediria à Rainha para ver Maria, mas ela recusou o pedido e ele morreria no ano seguinte, sem conseguir vê-la.

O carcereiro de Maria informou que ela recebera a notícia de sua morte “gravemente”. Ela se tornaria uma prisioneira difícil, e o carcereiro escreveu frenéticas cartas ao Conselho Privado, ás vezes duas por dia, implorando pela remoção de Maria “para a tranquilidade de minha pobre esposa”.  Em 1573, Maria foi, enfim, liberada. De acordo com o carcereiro, Maria partiu com pouco mais do que “seus livros e lixo”. Ela foi para uma casa perto da Torre, e lá empregou alguns dos ex-funcionários de sua irmã, dedicando seu tempo a seus enteados.

No final de 1577, Maria voltaria a ser dama de companhia da rainha. Ela pouco aproveitaria sua nova posição, pois morreria enquanto uma peste grave invadia Londres, em 20 de Abril de 1578, aos 33 anos. A Rainha deu-lhe um imponente funeral da Abadia de Westminster, no dia 14 de Maio. Seu corpo foi levado para a Abadia em uma procissão, e lá foi enterrada no túmulo de sua mãe, Frances, mas sem ter seu nome inscrito.

Bibliografia:
LISLE, Leandra de. ‘Loved-up then locked up by the Virgin Queen: The story of Katherine and Mary Grey‘. Acesso em 13 de Abril de 2014.
LAWLESS, Erin. ‘Hidden historical heroines (#33: Mary Grey)‘. Acesso em 13 de Abril de 2014.
Mary Grey’s appearance‘. Acesso em 13 de Abril de 2014.
Lady Mary Grey‘. Acesso em 13 de Abril de 2014.

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5 comentários sobre “Maria Grey, uma anã na Corte de Elizabeth Tudor

  1. Maria era dama de companhia de Mary I, e favorita da mesma, apesar de ser irmã da Jane Grey? Porque eu sei que Elizabeth I detestava as Grey-dizia-se que tinha inveja de Catherine.

    • Então, em nenhum momento do artigo eu digo que Maria Grey era dama de companhia de Maria I, embora sabe-se que Maria tinha sim uma anã como dama de companhia. Se Elizabeth gostava ou não das irmãs Grey, o fato é que elas a convidou pra irem á corte servirem como suas damas ;) Não encontrei nenhuma informação sobre o que elas fizeram durante o reinado de Maria, mas considerando que Elizabeth teve que chamá-las de volta para a corte, supõe-se que elas ficaram em suas casas de campo.

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