Catarina Parr, a quarta madrasta de Elizabeth

Rainha Catarina Parr, por William George Tennick em 1908.Catarina Parr,a filha de Thomas e Maud Parr, era uma dama de companhia de Catarina de Aragão, uma mulher muito inteligente e bem educada. Maud ficou viúva aos vinte e cinco anos e não se casou novamente, concentrando seus esforços em estabelecer bons partidos para seus filhos.

Após a morte de seu marido, Catarina Parr foi para a Corte e o rei logo ficou ciente dela. Descrita como ‘atraente, mas não muito’, Catarina estava sempre impecavelmente vestida, tinha a pele translúcida tão elogiada na época, um cabelo castanho-avermelhado e uma postura digna.

Depois de se tornar rainha, Catarina usou de sua influência para incentivar o Rei a levar para a corte seus filhos. Henrique deu a sua aprovação e Catarina escreveu para todos. Agnes Strickland assegura que Catarina, que conhecia bem Maria Tudor, também ‘conhecia Elizabeth antes que ela se tornasse rainha, e tinha grande admiração na sua inteligência e boas maneiras’. Uma carta escrita por Elizabeth, então com dez anos, reconhece os atos de Catarina:
Fragmento da carta que Elizabeth, de dez anos, escreveu para Catarina, em italiano.

Madame, o carinho que você demonstrou ao desejar que eu deveria estar com você na Corte, e solicitando isto ao Rei meu pai, com tanta sinceridade, é uma prova de sua bondade. Tão grande prova de sua ternura me obriga a examinar-me um pouco, para ver se posso encontrar qualquer coisa em mim que merece isso, mas não posso encontrar nada além de um grande zelo e devoção ao serviço de sua Majestade. Mas como o zelo não foi chamado para se provar, vejo bem que é apenas a grandeza da alma de Vossa Majestade o que me faz fazer essa honra, e isso redobra meu zelo para com Vossa Majestade. Posso assegurar-vos também de que minha conduta será tal que você nunca deverá ter motivos para reclamar da honra que fez ao chamar-me para perto de você; pelo menos, eu farei do meu constante cuidado que eu não faço nada além de pensar em como mostrar sempre minha obediência e respeito. Aguardo com muita impaciência as ordens do Rei meu pai para a realização da felicidade da qual eu aguardo, e continuo com muita submissão, a querida Elizabeth de Sua Majestade.

Há um interlúdio interessante na cronologia da vida de Elizabeth entre os verões de 1543 e 1544. A maioria dos historiadores acreditam que Elizabeth ofendeu seu pai de alguma forma e foi banida para Ashridge, perto da fronteira entre Hertfordshire e Buckinghamshire, perto de Berkhamsted, onde a Rainha mantinha uma mansão. Catarina continuou em contato com Elizabeth e mandou para ela outra nora sua, Margaret Neville, para agir ‘como um elo de ligação entre a madrasta e as meia-irmãs’. Elizabeth, claramente, não tinha nenhum sentimento ruim quando escreveu a Catarina que foi privada ‘o ano inteiro de sua presença mais ilustre’, e que ela ‘não era somente obrigada a servir mas também a reverenciar-lhe com o amor de uma filha’.

Quando Henrique foi para a França em julho de 1544, ele nomeou Catarina sua Regente. Isso certamente foi uma expressão de seu carinho e respeito por ela. Elizabeth era persistente em suas cartas. Ela escrevia pedindo para sua madrasta escrever a seu pai, que estava em campanha militar, para acabar com ‘este meu exílio’. Catarina conseguiu convencer o rei a permitir que Elizabeth se juntasse a ela em Hampton Court no final de julho de 1544. Elizabeth parecia segura do carinho de Catarina quando escreveu:

‘Eu sei que tenho o seu amor e que você não se esqueceu de mim, pois se Sua Graça não tivesse boa opinião de mim não teria oferecido uma amizade a mim desse jeito’.

Livro que Elizabeth traduziu sozinha para Catarina. É possível ver as iniciais da Rainha, 'KP', na capa.O respeito que Elizabeth tinha por Catarina também foi mostrado no presente de Ano Novo que ela lhe deu em dezembro de 1544. Elizabeth traduziu o texto em italiano ‘Le Miroir de l’ame pecheresse’, de Margarida de Navarra. O presente em si foi uma homenagem à suas inclinações espirituais, sua educação e seu afeto. A dedicatória foi ‘Para a nossa mais nobre e virtuosa Rainha Catarina. Elizabeth, sua humilde filha, deseja-lhe felicidade perpétua e eterna alegria’. Na carta que acompanhava o presente Elizabeth esperava que Catarina ‘apagasse, polisse ou consertasse as palavras, as quais eu sei que são rudes em muitos lugares e não são como deveriam ter sido feitas’. Isso mostra a confiança que Elizabeth tinha de Catarina como uma mentora amorosa e o respeito que ela tinha pelas habilidades intelectuais de Catarina.

No ano seguinte, Elizabeth traduziu o livro de Catarina ‘Orações e Meditações’ para o francês, latim e italiano para o pai. Existem suspeitas de que Elizabeth não queria perturbar Henrique ou comprometer Catarina ao dar-lhes de presente obras que pudessem ser contrárias às suas crenças religiosas.

Elizabeth estimulava muito a educação de Elizabeth. Essa influência ao longo de sua vida não pode ser subestimado. Por mais de quatro anos (embora elas não tenham vivido juntas todo o tempo) um estreito vínculo foi formado. Catarina assumiu o comando da educação de Elizabeth, influenciando posteriormente seu reinado.

Elizabeth recebeu uma educação excelente. Educada ao lado de seu irmão durante muitos anos, Catarina decidiu empregar um tutor exclusivo para Elizabeth. Essa foi uma exceção e não uma regra na Inglaterra do século 16, embora houvesse muitas mulheres que foram educadas na geração anterior.

Muitos tutores de Elizabeth eram tidos como protestantes e humanistas. Digno de nota é a diferença da opinião entre Catarina e sua enteada. No início de 1548, o tutor de Elizabeth, William Grindal, morreu. Catarina queria substituí-lo por Francis Goldsmith, mas Elizabeth queria Roger Ascham, de Cambridge, que estava bem familiarizado com Catarina. Escrevendo para o tutor de Eduardo, Sie John Cheke, Ascham expressou estar ‘desconfortável em ser a causa da discordância entre a Rainha e sua enteada sobre um assunto tão importante’, e na verdade, ele aconselhou Elizabeth a aceitar Goldsmith. Mas isso não importou muito, pois logo Ascham se tornou o tutor real.

Elizabeth é um produto de Catarina Parr. A educação da futura rainha, suas crenças religiosas e mente aberta decorrem da orientação de sua madrasta. Sua devoção se refletiu em 1582, quando a obra de Thomas Bentley, ‘The Monument of Matrons’, representava Catarina Parr como uma das rainhas mais virtuosas da história. As ações de Elizabeth não deixavam-na esquecer a mulher que havia permitido que ela visse as possibilidades de governar e estabelecer a Inglaterra como um centro cultural.

A relação entre Elizabeth e sua madrasta nos traz muitos vislumbres tocantes de sua juventude, fruto de uma infância marcada por negligência, paranóia e desinteresse de seu pai. A figura primordial de mãe para Elizabeth Tudor, com exceção de sua atendente e amiga Catarina Ashley, foi sem dúvida Catarina Parr. Elas compartilharam sua fé e dedicação no ensino, e Elizabeth passou a viver com Catarina e seu marido após a morte de seu pai. Catarina era responsável pela educação soberba de Elizabeth, dando-lhe carinho e orientação maternais.

Bibliografia:
The Fourth Step-Mother of Elizabeth, Katherine Parr‘. Acesso em 13 de Janeiro de 2014.
Elizabeth Tudor’s Letter to Katherine Parr (1548)‘. Acesso em 13 de Janeiro de 2014.

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