Henrique Tudor, o rei avaro

Figura feita por George Stuart.

‘Ele [Henrique VIII] sabia muito bem como manter a sua majestade real e tudo o que pertence à realeza em todos os tempos e em todos os lugares. Ele era o mais afortunado na guerra, embora fosse constitucionalmente mais inclinado à paz do que à guerra. Ele adorava a justiça acima de todas as coisas e, como resultado, ele punia vigorosamente a violência, homicídio ou qualquer outro tipo de maldade… Mas todas essas virtudes foram obscurecidas pela avareza, da qual ele sofria. Esta avareza é vício certamente ruim em um individuo particular, a quem ela tormenta para sempre; em um monarca de fato pode ser considerado o pior vício, pois é prejudicial para todos e distorce as qualidades de confiabilidade, justiça e integridade pelo qual o Estado deve ser governado’.

Polydore Vergil

Chrimes, autor do livro ‘Henry VII’ explica que Vergil foi encomendado pelo próprio rei em 1506 a escrever a história da Inglaterra. Ele especula que o capítulo sobre Henrique VII não foi escrito até 1512-1513, e ele avalia o relato de Vergil na seguinte forma: ‘Apesar de escrever anos após sua morte – sem dúvida ainda mais sincero por essa razão – certamente tinha visto e falado com ele em carne e osso’. Desse modo, essa descrição seria provavelmente a mais confiável.

Contribuindo ainda mais para a veracidade da descrição de Vergil, nota-se que ele não foi o único que registrou a avareza do rei. Don Pedro de Ayala, enviado de Fernando e Isabel de Espanha, revelou que, embora Henrique VII tivesse muitas qualidades que o tornavam um grande homem ‘ele tinha uma característica que estragava todo o resto, o seu amor pelo dinheiro’.

Alegava-se que quando ele não estava com seu Conselho ou em público ele estava ‘escrevendo as contas de seus gastos com suas próprias mãos. Ele também lidava com seu próprio dinheiro. Em sua própria caligrafia, ele discriminava a quantia certa que tinha que ser entregue para cada pessoa e serviço.

O rei arrecadava dinheiro de impostos, além das obrigações e multas que ele fazia seus súditos (ricos ou pobres) pagarem. Fora das sessenta e duas famílias da nobreza inglesa que sobreviveu à chacina da Guerra das Rosas, quarenta e sete estavam à mercê do rei, sej apor viver sob proscrição ou perdendo somas substanciais para a coroa ao garanti seu bom comportamento. Esses reconhecimentos eram impostos e coletados por administradores capazes, Sir Richard Empson e Edmund Dudley. Don Pedro de Ayla reportou a Fernando e Isabela que esses servos de Henrique tinham ‘uma destreza maravilhosa em se apoderar do dinheiro de outras pessoas’.

As prioridades de Henrique VII foram reveladas no poder e no prestígio concedido a esses dois grandes assessores de confiança. As políticas que implementaram, em nome do rei, geraram grande ódio e desconfiança. E embora nem todos se sentissem assim, os cortesões que lucraram com as políticas fiscais de Henrique VII ficaram preocupados que quando Henrique VIII subisse ao trono ele revertesse ‘a avareza de seu pai’.Henrique valorizava o dinheiro apenas pelo valor dele, e com ele uma grande reserva de moedas era uma grande garantia para a paz e segurança. Foi ainda relatado que perto da sua morte ele recomendou a seu filho e sucessor de prosseguir a mesma política que ele. Mas assim que se tornou rei, um dos primeiros atos de Henrique VIII foi a prisão desses de Empson e Dudley, que tinham executado suas cobranças financeiras, foram presos, acusados e por fim executados. Lorde Mountjoy, discorrendo para seu amigo Erasmo sobre as maravilhas do reinado de Henrique VIII, fez contrastes deliberados com a avareza de Henrique VII:

‘O nosso [novo] rei não está atrás de ouro, pedras preciosas ou metais preciosos, mas de virtude, glória, imortalidade.’

Contas do ano de 1492 escrito com a letra do reiTudo até aqui é o suficiente para entender que Henrique VII encontrou uma grande fonte de renda que perseguia ‘com um zelo e aplicação implacável, que fez ele e seus agentes ganharem muita impopularidade e ódio nos fins de seu reinado. Embora outros soberanos tivessem usado os mesmos métodos, nenhum tinha levado isso a uma perspectiva tão pessoal. Não admira que Henrique VII surja nas páginas da história como mesquinho e avarento: estima-se que Henrique tenha extorquido (difícil utilizar qualquer outra palavra) perto de £495 milhões em valores monetários atuais.  Apesar da crença geral que Henrique tinha acumulado um grande excedente no início de seu reinado, o enviado espanhol comentou:

‘O rei da Inglaterra é menos rico do que geralmente é dito. Ele gosta de pensar que é rico porque tal crença é vantajosa em muitos aspectos. O próprio rei disse-me que é sua intenção manter seus súditos abaixo, porque as riquezas só os fariam arrogantes’. Fica claro que este soberano não queria espoliar seus súditos com suas fortunas imoderadamente, pois ele deixou atrás de si um reino mais rico em todos os aspectos.

Thomas Penn traz a idéia de que a obsessão de Henrique VII por dinheiro não era as ações ‘de um avarento, mas de uma mente financeira sofisticada’. Os registros financeiros do rei também mostram gastos para causas beneficentes, música, uma variedade de entretenimento, arquitetura, eventos esportivos e jogos de azar. De acordo com Ross, ‘não havia nada avarento sobre Henrique VII, ele era intensamente cuidadoso com o dinheiro, mas ele reconheceu a importância de gastar livremente para manter uma imagem régia’.

Bibliografia:
CHRIMES, Stanley Bertram. ‘Henry VII‘. Acesso em 19 de Janeiro de 2014.
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
Polydore Vergil on Henry VII‘. Acesso em 19 de Janeiro de 2014.
Tight Purse Strings‘. Acesso em 19 de Janeiro de 2014.

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