Catarina de Aragão e sua longa viagem da Espanha para Inglaterra

cat (2)Na manhã do dia 21 de Maio de 1501, Catarina de Aragão sairia de Alhambra em Granada para o porto de Corunha, onde iria pegar um barco para Inglaterra, onde começaria sua jornada para uma nova vida. Ela estava noiva de Artur Tudor, filho e herdeiro de Henrique VIII, rei da Inglaterra.

A comitiva levou dois meses para chegar à Corunha,  em Santiago de Compostela, apesar de a rainha ter assegurado a Henrique que a noiva de seu filho faria a viagem o mais rápido possível para chegar em Londres. Uma vez na Corunha, as forças da natureza obrigaram-na a esperar seis semanas antes de poder embarcar novamente. A infanta passou sua última noite rezando no santificado santuário de São Tiago de Compostela, onde ela passou a noite rezando. Mas as orações não pouparam-na de grandes sofrimentos que ela passaria na sua longa viagem para a Inglaterra.

Finalmente, no dia 17 de Agosto, Catarina parte para Inglaterra, viajando em estilo real. Embora em modestas proporções, foi determinado para Catarina ter tudo que conviria em um casamento dinástico. Acompanhava-a o Arcebispo Fonseca. O dote, que não era menos importante do que Catarina, estava incluído no séquito de diversos fidalgos, com um bom número de empregados e diplomatas de menor categoria. Também tinha o mestre de cerimônias, damas de companhia – todas belas, de acordo com o que o rei inglês havia determinado de modo a não terem dificuldades em arranjar maridos na Inglaterra- , os sacerdotes do rito, os guardas de alta tradição; O Conde de Cabra, um famoso soldado, Don Alessandro Geraldini, o velho tutor de Catarina e agora seu confessor. Como sempre, quando um membro da família real espanhola preparava uma grande viagem, formava-se uma numerosa escolta para o acompanhar,

Como Catarina não sabia inglês, e seus pais tinham pouca confiança na arte inglesa de dirigir uma casa, também acompanhavam a princesa, além do mestre de cerimônias, um mordomo, um copeiro, um cozinheiro, uma lavadeira, um lavador de pratos e um limpa-chaminés.

No dia 21 de Agosto uma terrível tempestade no golfo de Biscai levou-á de volta às costas da Espanha. Esfarrapada, e com muitos navios danificados, a frota real treve de se refugiar em Laredo, onde um mês se passou em reparações e consertos das galés. Foi lá que um dos mais famosos navegadores ingleses, Stephen Brett, de Dover, juntou-se às frotas para guiá-los até a Inglaterra.

Somente em 27 de Setembro Catarina conseguiria reembarcar para uma Inglaterra cada vez mais impaciente. A embarcação saiu de Laredo às cinco da tarde em uma Segunda-Feira, e agora eram conduzidos pelo barco de Brett, e haveria uma período de calmaria antes que os ventos se voltassem novamente contra as gáles. Catarina de Aragão nunca mais veria sua cidade natal novamente.

catherineA partida de Catarina de Laredo chegou na Inglaterra antes dela. Margaret Beaufort, preparando sua casa para uma festa de recepção, marcou a data de 27 de Setembro em seu Livro de Horas – um local onde os eventos mais importantes eram registrados. A tão esperada chegada de Catarina também foi marcada no dia 2 de Outubro. Todos ficaram muito aliviados. O rei Henrique VII temia que as tempestades e furacões tivessem afundado o navio, afogando suas esperanças e nora antes que elas pudessem sequer chegar na Inglaterra.

A embarcação finalmente conseguiu passar pela Baía de Biscay, finalmente calma, mas os problemas apareceram assim que as embarcações passaram a Ilha de Ushant. Um vento sul começou, através de relâmpagos, trovões e ondas enormes se repetiam a cada quatro ou cinco horas. ‘Era impossível não ficar amedrontado’, escreveu um dos que estavam a bordo.

Depois disso, não faltaram cronistas que alegassem que esses ventos fora de época eram um mal presságio para o futuro de Catarina. Mas embora fossem fora de época, tempestades no golfo não eram raros, e é provável que Catarina tivesse sofrido mais pela ‘fadiga do mar furioso’, como disse Henrique VII, do que pelos mau presságios.

As três da tarde de 2 de Outubro de 1501 seu navio finalmente chegou em Plymouth. A intenção era abarcar em Southampton, mas depois de tanto tempo em mar qualquer terra seca poderia ser bem vista. Catarina de Aragão e sua comitiva foram recebidos efusivamente na Inglaterra. ‘A princesa não poderia ter sido recebida com maior alegria se fosse a Salvadora do Mundo’, escreveu um dos integrantes de sua comitiva. Pouco mais de um mês depois, em 14 de Novembro, Catarina de Aragão finalmente estaria se casando com Artur Tudor, herdeiro do trono inglês.

Bibliografia:
HACKETT, Francis. Henrique VIII. Tradução de Carlos Domingues. São Paulo: Pongetti, 1950.
WATSON, Julia. ‘Catarina de Aragão’. Tradução de Maria Madalena Gomes Ferreira e Vitor Centeno – 2º Edição. Lisboa: Edições Dêagá.
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos Do Nascimento E Silva. Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
TEMLETT, Giles. ‘Catherine of Aragon: Henry’s Spanish Queen’. London: Faber and Faber Limited, 2010.
Catherine of Aragon Timeline‘. Acesso em 13 de Março de 2014.

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7 comentários sobre “Catarina de Aragão e sua longa viagem da Espanha para Inglaterra

  1. ja li que a catarina foi casada com Athur Tudor filho de Henrique VII, até porque Henrique VIII é irmão de Arthur e tornou-se marido da Catrina.

  2. Nesse caso, o rei permitiu criados e damas de companhia estrangeiros na corte inglesa? Geralmente eram mandados embora…

    • A maioria foi indo embora durante o tempo dela como rainha. Mas suas damas “principais” ficaram e se estabeleceram na Inglaterra com casamentos entre os cortesoes :)

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