O Espelho de Nápoles

O Espelho de Nápoles é uma das jóias mais famosas da História, mas ninguém sabe exatamente como ela parecia, ou o que aconteceu com ela. As descrições que temos desta gema são bastante vagos: era um diamante da largura de um dedo inteiro, e tinha uma pérola pendurada do tamanho de um ovo de pombo.

Marie d'Angleterre, reine de FranceA jóia entra no registro histórico como um presente dado por Luís XII a sua noiva, Maria Tudor, irmã de Henrique VIII. O rei depois argumentou que a jóia era um presente pessoal de Luís. Maria não seria Rainha da França por muito tempo. Idoso, Luís morreu poucos meses depois de seu casamento. Maria foi enviada para viver em um convento até que todos estivessem certos de que ela não estava grávida de um herdeiro do rei.

Henrique enviou então seu amigo, Charles Brandon, Duque de Suffolk, para buscar Maria e trazê-la de volta para Inglaterra. Antes que Maria casasse com o rei francês, ela extraiu uma promessa de seu irmão: de que ela teria permissão para escolher seu próximo marido. Henrique concordou, mas nunca teve a intenção de manter a promessa. Na verdade, ele já estava ocupado organizando o próximo casamento de Maria enquanto esperava seu retorno. Maria provavelmente percebeu que ele nunca teve intenção de permitir que ela se casasse com quem quisesse, e o homem que ela queria se casar era Charles Brandon.

O novo rei, Francisco I, ajudou a organizar a fuga de Maria e Brandon em 1515, dizendo que achava que era romântico, mas possivelmente porque queria remover um dos peões de casamento de Henrique. Após consumado o casamento, Maria e Brandon escreveram ao rei, implorando por perdão. Para suavizar a ira de seu irmão, Maria enviou o Espelho de Nápoles junto da carta. Mais tarde, quando partiu para a Inglaterra, Maria consigo mais jóias da coroa francesa.

O rei não podia acreditar que seu amigo mais confiável o havia traído, e os recém-casados tiveram que pagar uma dura multa. Eles deveriam pagar as 24 mil moedas gastas em seu primeiro casamento em parcelas anuais de 4 mil, ela deveria voltar com toda a prataria e as jóias que levou da França como dote, assim como os presentes que o rei Luís lhe dera.

Francisco I da França, por volta de 1530, por Jean Clouet.Francisco, para dizer o mínimo, não ficou muito satisfeito. Ele e sua esposa Claude exigiram que as jóias retornassem. Henrique enviou algumas peças pequenas de volta, mas manteve o Espelho. As cartas e documentos do reinado registram que Henrique disse que o Espelho era apenas “uma coisa pequena” e parte da indenização que lhe era devido como viúva do rei francês, e , de fato, Maria tinha direito a mais. Esse tipo de disputa sobre dotes antes e depois de casamentos de curta duração eram comuns – Henrique VII e Fernando de Aragão disputaram por anos o dote de Catarina de Aragão. Francisco, em seguida, tentou oferecer trinta mil coroas pelo Espelho, e Henrique simplesmente riu – seu joalheiro disse que valia, pelo menos, sessenta mil. Muito caro para Francisco, ele apenas lamentou a perda da gema, e não fez mais nada para garantir o seu retorno.

Em abril do mesmo ano, chegou na Inglaterra o Embaixador Veneziano e sua equipe, que fizeram as mais famosas descrições do belo e jovem Henrique VIII e sua corte. O rei queria impressionar, e usou roupas da moda francesa e suiça de veludo vinho e cetim branco. Curiosamente, uma das descrições de um colar do rei é muito parecida com o que sabemos do Espelho de Nápoles:

“um lindo colar, do qual pendurava um diamante redondo talhado, do tamanho da maior noz que já vi, e uma pérola realmente grande…”

Henrique VIII, por volta de 1530, por Joos van Cleve.Ainda diz-se que o rei usou a jóia novamente no Campo do Pano de Ouro, em 1520. Depois, não há mais nenhuma descrição de jóias usadas pelo rei que seja compatível com o Espelho. Supostamente, ele estava no inventário das jóias de Elizabeth I depois que ela morreu. Alguns dizem que a jóia foi vendida pela rainha Henrietta-Maria para pagar os suprimentos durante a Guerra Civil Inglesa. Em qualquer caso, ele desapareceu da história. Nenhuma jóia que corresponde à sua descrição sobreviveu, e é possível que o Espelho tenha sido cortado em pequenos diamantes, talvez para torná-lo mais fácil de vender. Ou ainda, talvez tenha se perdido e um dia voltará à superfície.

Bibliografia:
The Mirror of Naples. Acesso em 24 de Junho de 2014.
Mary Tudor (Queen of France and D. of Suffolk). Acesso em 24 de Junho de 2014.
WEIR, Alison. “Henry VIII: The King and His Court”. New York: Ballantine Books, 2008.

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2 comentários sobre “O Espelho de Nápoles

  1. Podiam também contar a estória de La Pelegrina, uma jóia que foi dada a Maria I por Felipe da Espanha, mas que atravessou os séculos e foi parar com Elizabeth Taylor!

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