O Batismo do Príncipe Eduardo

Cena do filme "The Private Life of Henry VIII” em 1933.O batismo do príncipe Eduardo teve lugar três dias depois de seu nascimento, em 15 de outubro de 1537, na capela de Hampton Court, em meio a cenas de adequado esplendor. Não houve nenhum batismo de um príncipe da Inglaterra por mais de um quarto de século, e todo o cuidado foi tomado para tornar o evento tão elaborado e impressionante quanto possível. Thomas Howard, Duque de Norfolk, Charles Brandon, Duque de Suffolk e o Arcebispo Cranmer foram os padrinhos, e Maria Tudor seria a madrinha. A Marquesa de Dorset tinha sido nomeada para carregar o príncipe em seu batismo, mas foi obrigada a enviar desculpas por que estava doente. Gertrude Blount, Marquesa de Exeter, foi em seu lugar. Outra irmã do bebê, Lady Elizabeth, chegou em vestes de estado, para carregar o robe do batismo. Esta tarefa se mostrou complicada para a menina de quatro anos, que foi carregada nos braços pelo irmão mais velho da rainha, Eduardo Seymour.

Os complexos preparativos que Henrique pôs em marcha para a cerimônia tinham um olho em questões práticas e outro na importantíssima pompa e circunstância da ocasião. Ele havia esperado por toda sua vida adulta por um herdeiro legítimo para o trono Tudor, e por isso não deixaria que nada prejudicasse o jovem príncipe. Alison Weir escreve sobre como ele ordenou que

‘cada sala, hall e pátio nos apartamentos do Príncipe fosse lavado com sabão e varrido diariamente. Tudo que fosse para perto da criança – vestuário, roupas de cama, brinquedos – deveria ser escrupulosamente limpo.’

Foi por causa do medo de uma epidemia que o número de presentes no batismo foram restritos, mas mesmo assim cerca de 400 pessoas participaram da ocasião. No interior da capela foi erguida uma pia baptismal em prata dourada, num estrado com degraus dentro de uma área coberta com tela, com uma sala temporária lateral a sul, aquecida com uma braseira cheia de carvão perfumado ‘para preparar o príncipe [para] o batismo’. Bacias de prata tinham águas mornas para ‘lavar o príncipe caso houvesse necessidade’.

A cerimônia durou horas. A fonte de prata maciça era guardada por Sir John Russel, Sir Nicholas Carew, Sir Francis Bryan, Sir Anthony Brown, todos com aventais e toalhas. O Conde de Wiltshire, pai de Ana Bolena e avô da deserdada Elizabeth auxiliou no rito, segurando uma vela de cera virgem. A Marquesa de Exeter carregou a criança sob um dossel, suportado pelo Duque de Suffolk, o Marquês de Exeter, o Conde de Arundel e o lorde William Howard. A ama de leite do príncipe andava perto, e depois dela vinha as criadas da Rainha, entre as quais a parteira. O Arcebispo Cranmer batizou o príncipe, que foi envolto num vestido de batismo branco ricamente bordado.
Eduardo Tudor na terceira temporada da série 'The Tudors'

‘A escolha que Henrique fez de um nome cristão foi altamente simbólica: a criança levou o nome do bisavô materno, o rei Eduardo IV, e também de Eduardo, o Confessor, santo padroeiro da família real inglesa, de especial memória devota e sagrada, com festa que se comemorava no dia a seguir ao do nascimento do príncipe.’

(LOADES, 2000, pág. 65)

No momento de dar o nome, as tochas de cera virgem transportadas por todos os escudeiros, fidalgos e cavaleiros da congregação de quatrocentas pessoas em pé na capela a abarrotar, acenderam-se em simultâneo. O rei armas, arauto-mor, proclamou então em voz alta:

‘Deus, na sua infinita graça e bondade, dá e concede boa e longa vida ao alto, excelente e nobre príncipe, príncipe Eduardo, duque da Cornualha e conde de Chester, filho tão querido e tão plenamente adorado do nosso tão venerável e gracioso senhor, rei Henrique VIII’

Depois, vinte e quatro corneteiros do rei fizeram soar uma fanfarra estidente que ecoou pelo teto.  Maria Tudor, como madrinha, ofereceu uma taça de ouro pelo batizado, que foi levado da capela pelo Conde de Essex como primeira das ofertas esbanjadas no jovem príncipe pela família real aduladora. Para assinalar a ocasião, o rei nomeou seis cavaleiros, entre os quais Thomas Seymour, irmão da rainha, e William Parr. O rei também ordenou a entrega de dinheiro para os pobres que se amontoavam nos portões de Hampton Court.

Embora Jane Seymour tivesse passado por um longo e difícil trabalho de parto, ela estava bem o suficiente para receber os convidados em seus apartamentos antes que a cerimônia começasse. Jane estava deitada na sua cama de damasco carmesim forrado de tecido de ouro, seus cabelos louros soltos ao redor de seus ombros, vestido um manto vermelho com arminho. O rei, seu marido, estava ao seu lado. Jane realizou sua tarefa tão bem que ninguém suspeitava que ela estava doente. Nove dias depois, Jane morreria deixando o único herdeiro masculino da Inglaterra.Após o batizado, o príncipe e herdeiro foi levado de volta ao apartamento da rainha com muita cerimônia.

‘Desta vez, Elizabeth caminhou, segurando a mão de Maria. Jane segurou seu filho e deu-lhe a sua benção, então orei segurou-o em seus braços, com lágrimas de alegria escorrendo pelo seu rosto, abençoando Eduardo em nome de Deus, a Virgem Maria e São Jorge. O príncipe foi, então, levado pela Duquesa de Suffolk para seus próprios apartamentos’.

Bibliografia:
GRUENINGER, Natalie. ‘Prince Edward Christened at Hampton Court Palace‘. Acesso em 14 de Janeiro de 2014.
Christening of Prince Edward‘. Acesso em 14 de Janeiro de 2014.
HUTCHINSON, Robert. ‘Os últimos dias de Henrique VIII’. Tradução de Gonçalo Praça. Portugal: Casa das Letras, 2010.

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