A tentativa de assassinato de Eduardo VI

Eduardo Seymour acusa seu irmão Thomas diante Eduardo VI.Thomas Seymour tinha um ciúme e inveja doentio de seu irmão, Edward. Ambos eram membros do Conselho de Regência, que governariam até que Edward alcançasse a maioridade. Obviamente, os membros concediam a si mesmos, em nome do rei, presentes e títulos. Thomas tornou-se o 1º Barão de Sudeley. Edward tornou-se 1º Duque de Somerset. Thomas viu a ascenção do seu irmão na política perigosa e controversa da Reforma Inglesa, alcançando o cargo de Conselheiro Chefe, com o título de regência de “Protetor”, sendo agora conhecido oficialmente como Lorde Protetor da Inglaterra; ou seja, regente no lugar do rei. Sem surpresa, a relação entre Thomas e Edward começou a esquentar, e embora tenha sido nomeado Lorde Almirante, Thomas ficou consumido pelo ciúme do poder e influência do seu irmão, trabalhando arduamente para substituí-lo como Lorde Protetor.

Apesar da riqueza e posição, Thomas não conseguiu o título de Protetor, e em sua luta com Edward, tentou conseguir as graças do rei, de apenas 9 anos. Eduardo escreveu uma carta apoiando o casamento de Thomas com Catarina Parr, a Rainha Viúva – possivelmente ditada pelo próprio Thomas, a carta deixou Edward furioso.

Na tentativa de obter uma lei no Parlamento tornando-o “Governador” de Eduardo, Thomas solicitou a assinatura do rei. No entanto, Eduardo estava incerto e relutando em aceitar algo sem conversar antes com Edwad, o Lorde Protetor. Para Thomas, a assinatura do rei e seu apoio pessoal desestabilizaria a posição de Somerset como protetor e como membro do Conselho. Em sua frustração e incapacidade de ganhar qualquer influência significativa sobre o rei, Thomas começou a pensar em uma rebelião. Embora fosse um menino, o rei não era ingênuo: em seu diário, refere-se a seu outro tio, William Parr, como “meu tio honesto”, indicando desprezo pelos seus tios Edward e Thomas. Fica claro neste momento que Eduardo estava começando a passar de criança para homem, e estava começando a ver as coisas sob outra perspectiva.

No verão de 1547, quando Edward estava na Escócia, Thomas aproveitou sua ausência para expressar abertamente sua desaprovação às habilidades administrativas de seu irmão. Como Lorde Almirante, Thomas era capaz de controlar a marinha inglesa, e pediu apoio “no caso” de haver uma rebelião. Ele ainda começou a se relacionar com os piradas das costas ocidentais para assegurar o seu apoio. Aparentemente, Thomas também esperava financiar a rebelião subornando o vice-tesoureiro de Bristol.

Em 1548, o Conselho de Regência já estava consciente da candidatura de Thomas ao poder. Assim, ele foi chamado a comparecer perante o Conselho Privado para explicar suas ações. Para Thomas, deveria parecer que tudo estava contra ele, e então ele pediu uma audiência com o rei, para explicar seu comportamento e apontar os erros de Edward. Ele queria, de uma vez por todas, colocar um fim ao protetorado de seu irmão. Não deu certo, e no final Thomas concebeu uma trama desesperada para ter acesso ao rei.

Thomas, tomado pela raiva, atira em um dos cachorros do rei. Doughty, C.L. (1913-85)

No dia 16 de Janeiro de 1549, Thomas invadiu a residência real, em Hampton Court, entrando pelo jardim privado. A história diz que, ao entrar no quarto de dormir do rei, o cachorro favorito do rei, um spaniel, começou a latir. Sem pensar duas vezes, Thomas silenciou o animal atirando nele com uma pistola. O tiro alertou os guardas, que enfrentaram Seymour e o levaram preso na Torre de Londres.  Não só era contra a etiqueta real e a lei portar uma pistola ou arma na presença de um rei, mas a morte de seu animal favorito selou o destino de Thomas.

Em 22 de Fevereiro, Thomas recebeu oficialmente trinta e três acusações de traição, entre elas a acusação de tentar raptar e assassinar o rei, e planejar se casar com a meia-irmã do Rei, Elizabeth, e colocá-la no trono no lugar de Eduardo. Já no reinado de Henrique VIII imaginar, tramar ou prever a morte do rei era punível com a morte.

O rei assinou a sentença de morte de seu tio e, em 20 de Março de 1549, Thomas Seymour foi executado. Para todos os seus defeitos e ações, Thomas era popular com muito dos seus contemporâneos: nas palavras de Sirt Nicolas Throckmorton, Thomas era “feroz em coragem, cortês nos modos, um personagem imponente, com voz magnífica, embora um pouco vazio na matéria”.  Houve tumultos após sua condenação e o Lorde Protetor foi chamado de “um sanguessuga e um lobo voraz”. Foram tomadas medidas para acalmar a situação, e o método mais eficaz foi o de acabar com o caráter do Almirante, que foi chamado de ateu, traidor, devasso, e começaram a circular rumores de que havia incentivado a rebelião, por escrito, ao incentivar Elizabeth e Maria Tudor a levantar-se contra o protetorado. Por ordem do Conselho, Hugh Latimer enfatizou que Thomas Seymour “era um homem mau, e o reino fez bem em livrar-se dele”.

Eduardo VI, por Eleanor e Herbert Farjeon, em 1932.Ao contrário de seu pai, Eduardo mostrava pouco interesse em esportes, preferindo passatempos intelectuais. Seu diário, por exemplo, não era um diário comum: fazia parte de um exercício desenvolvido por John Cheke, seu professor. Eduardo fora educado para governar. Em seu diário, é possível ler que, para ele, a morte de seu tio era apenas mais um negócio real. Pouco tempo depois, foi decidido no Conselho que Eduardo tomaria conta do país aos dezesseis anos de idade. Infelizmente, o único herdeiro masculino de Henrique VIII morreria em 6 de Julho de 1553, aos quinze anos.

Bibliografia:
ARNOPP, Judith. “The Admiral’s Tale: Thomas Seymour
Thomas Seymour, 1st Baron Seymour of Sudeley
Edward VI, King of England.

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3 comentários sobre “A tentativa de assassinato de Eduardo VI

  1. Matando o cachorro favorito do Eduardo foi uma “bela” forma de convencer o rei de que ele era confiável! Hahaha

  2. “Pera aí, vou entrar escondido na casa da pessoa mais poderosa do país e atirar pra acordar os guardas e ser preso como um regícida” – Belo plano he he he

  3. Acho que foi o nervosismo que o fez atirar… Não é possível que um homem tão inteligente fizesse de propósito.

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