Margaret da Áustria e sua influência em Ana Bolena

Ana Bolena é muitas vezes retratada como ambiciosa e determinada em uma época em que era esperado das mulheres serem obedientes e passivas. No entanto, Ana teve algumas modelos interessantes em sua juventude, entre elas, Margaret da Áustria, regente dos Países Baixos.

Margaret oferecia posições de prestígio em sua corte para jovens senhores e senhoras, descendentes das famílias nobres da Europa. Thomas Bolena tinha impressionado Margaret em missões diplomáticas, e ela ofereceu uma posição como dama de companhia para uma de suas filhas na corte em Mechelen, no que hoje é a Bélgica. Na primavera de 1513 Ana foi enviada para Margaret. A viagem por mar era difícil e aparentemente foi pior do que o habitual. Diz-se que Ana odiava viagens marinhas por causa desta viagem horrível em tão tenra idade.

Ana Bolena não poderia ter melhor mentora em Margaret. Ela era uma zeladora rigorosa e não esperava nada mais do que a excelência. Margaret ficou encantada com Ana, e passou a chamá-la de “la petite Boulin” (“a pequena Bolena”), um apelido carinhoso. Sem dúvida Ana deveria estar animada no Palácio de Malines, com suas belas pinturas e tapeçarias, que era visitada pelos melhores arquitetos, músicos, pintores, poetas, acadêmicos e escultores. Em uma carta a Sir Thomas Bolena, logo após a chegada de Ana, Margaret elogiou-a dizendo:

“Eu a acho tão brilhante e agradável para sua tenra idade que estou mais agradecida a você por tê-la mandado para mim do que você a mim”.

Margaret da Áustria. Artista desconhecido, entre 1500-1510.

Margaret da Áustria. Artista desconhecido, entre 1500-1510.

Em sua carta mais antiga, Ana mostra uma boa compreensão da língua francesa, em que viria a se tornar fluente. Ela era uma rápida aprendiz e melhorava suas habilidades rapidamente. Ana prosperou na corte de Margaret, onde ela testemunhava o poder real exercido por uma mulher carismática e inteligente. A rainha era interessada no humanismo e tinha sido muito bem educada, sendo uma governante bem-sucedida que regeu os Países Baixos de forma intermitente ao longo de sua vida.

Estar perto de Margaret ajudou Ana a obter conhecimentos que não estavam escritos nos livros e que eram necessários para viver e se comportar em uma corte. De fato, foi a arquiduquesa que aconselhou Ana que “confiar naqueles que estão a seu serviço; irá colocá-la na lista daquelas que foram enganadas”. Esse conselho de Margaret seguiria Ana para o resto de sua vida.

A influência da exposição precoce a Ana de uma mulher poderosa e política não pode ser subestimada. Margaret desafiava as expectativas de feminilidade. Aos vinte anos, tinha se casado três vezes e não tinha nenhum filho. Margaret não se casaria mais, desafiando seu pai, o Sacro Imperador Romano Maximiliano I, que não via razão do porque a carreira civil de sua filha não continuasse. Um possível noivo era o viúvo Henrique VII da Inglaterra. Margaret teve coragem, independência e autoridade para recusar a oferta.

Margaret ocupava a respeitável posição de viúva que, tradicionalmente, permitia às mulheres um grau de liberdade que suas contemporâneas casadas não tinham. Seu pai confiou a ela a regência dos Países Baixos para seu sobrinho, que viria a suceder o pai como Imperador do Sacro Império Romano em 1519. Ela provou ser uma governante capaz e bem-sucedida, trazendo prosperidade para os Países Baixos através de tratados comerciais com a Inglaterra.

Em nenhum lugar na Europa, exceto na França e nos Países Baixos existia tal modelo de regente feminina para servir de exemplo para jovens moças. Margaret não era só inteligente e ambiciosa, mas também era patrona das artes e de faculdades, promovendo também a reforma religiosa.

Ana Bolena permaneceu no serviço de Margaret da Áustria por cerca de 15 meses, porque a princesa Maria Tudor, irmã mais nova do rei Henrique VIII, iria se casar com o rei francês Luís XIII e Ana tinha sido solicitada para fazer parte da comitiva de senhoras escolhidas para acompanhá-la.

Bibliografia:
WARNICKE, Retha M. ‘The Rise and Fall of Anne Boleyn: Family Politics at the Court of Henry VIII’. Cambridge University Press, 1989.
ABBOT, Katelyn. ‘Anne Boleyn’s Early Life Part Two: Education at the Court of the Archduchess Margaret of Austria‘. Acesso em 30 de Março de 2014.
Some Early Female Influences on Anne Boleyn‘. Acesso em 30 de Março de 2014.

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