Thomas Seymour, o último marido de Catarina Parr

Thomas Seymour

Pouco antes de morrer, Henrique previa um subsídio de £7,000 por ano para que Catarina pudesse se sustentar. Ele ainda ordenou que, após sua morte, Catarina fosse tratada com o respeito devido a uma Rainha da Inglaterra, como se ele ainda estivesse vivo. Poucas semanas depois da sua morte, Thomas Seymour reapareceu na vida de Catarina Parr. Muito em breve ele foi visitá-la secretamente em Whitehall e e em seu palácio em Chelsea.

Seymour tinha quase quarenta anos, cerca de quatro anos mais velho do que Catarina. Dotado de charme, inteligência e boa aparência, curiosamente Seymour não se casou, e seu nome e da rainha nunca estiveram interligados enquanto ela estava casada com o Rei.

No dia 17 de maio de 1547, menos de quatro meses depois da morte do rei Henrique VIII, Thomas Seymour podia descrever a si mesmo à rainha Catarina Parr, no fim de uma carta, como “aquele que você jurou honrar, amar e obedecer sobre todas as coisas” e, em outra, como “aquele que é o seu apaixonado e fiel marido a vida toda, T Seymour”.

Catarina, entretanto, não poderia se casar tão rapidamente com Seymour. Após a morte de um rei, sua consorte deveria esperar um tempo não só de luto, mas porque era possível que a viúva estivesse grávida do rei e, portanto, não deveria casar-se enquanto a questão não estivesse resolvida, a fim de evitar que a paternidade do filho póstumo do rei pudesse ser posta em dúvida.

São nítidas as referências a uma casamento que já acontecera ou que ocorreria muito em breve. Não se pode saber ao certo a data exata do casamento de Thomas com a rainha viúva: no saldo das possibilidades, aconteceu em fins de maio. Quando se tornou público que ambos estavam comprometidos, foi um pequeno escândalo. Foi requisitada a ajuda de Lady Maria. Seymour escreveu a ela, diplomaticamente, pedindo-lhe que defendesse a sua causa. Recebeu uma resposta extremamente fria. No dia 4 de junho, Maria classificou a aliança proposta como uma “notícia estranha“. Recusou-se totalmente a “envolver-se nesse caso“, tendo em vista, escreveu ela, mordaz, “a esposa de quem Sua Graça fora há pouco tempo”.

Então eles partiram para um outro método: John Fowler, servidor do rei Eduardo, agiria como agente duplo. Fowler preparou terreno pensando em voz alta: ‘Fico admirado pelo fato de o lorde do Almirantado [Seymour] não ser casado. Então, perguntou ao rei: ‘Vossa Graça ficaria contente se ele se casasse?’ Eduardo respondeu afirmativamente, mas erroneamente – ele gostaria sim que Seymour se casasse, mas com ‘Lady Ana de Cleve’, mudando depois de idéia para sua irmã Maria. Finalmente, o rei menino foi levado a acreditar que o casamento entre seu tio e sua madrasta era algo que ele próprio escolhera. t1No dia 25 de junho, ele escreveu uma carinhosa carta à rainha Catarina que continha a seguinte benção oficial: “Nós agradecemos à senhora do fundo do coração, não apenas a delicada aceitação do pedido que lhe fizemos [para se casar com Seymour], mas também pelo carinhoso atendimento deste, no que a senhora declarou o desejo de nos agradar”.

A adolescente Elizabeth, filha de Ana Bolena e Henrique VIII, foi morar com Catarina Parr após a morte de seu pai em 1547, e assim ficou em constante contato com Thomas Seymour. Como já foi explicado aqui, mais de um escândalo aconteceu envolvendo Elizabeth e Seymour. Independente do que aconteceu, Catarina mandou Elizabeth para Cheshunt.

Em março de 1548, aos 35 anos, Catarina Parr ficou grávida pela primeira vez – o que foi uma surpresa, já que Catarina não tinha concebido durante seus três primeiros casamentos. Em uma carta escrita por Elizabeth descreve Catarina como “doentia”. Em junho de 1548, Catarina e Seymour mudaram de sua casa em Londres para Sudeley Castle, propriedade concedida a Seymour quando ele se tornou o barão de Sudeley. Ela daria à luz a sua única filha, Maria, em 30 de agosto de 1548, e morreria apenas seis dias depois, em 5 de setembro, provavelmente de febre puerperal – coincidentemente, a mesma doença que matou a terceira esposa de Henrique, Jane Seymour.

t2Com a febre, Catarina teve delírios e assumiu uma dolorosa forma de paranóicos acessos de raiva contra o marido e outras pessoas que a cercavam. Isso lançou uma terrível desgraça sobre os últimos dias de um casamento que acontecera, de algum modo dos dois lados, por amor. Catarina acusava as pessoas à sua volta por ficarem “rindo da minha dor”. “Eu não estou sendo bem tratada”, bradava ela. Quando Seymour tentava acalmá-la deitando-se ao seu lado e dizendo, carinhoso, “Ora, querida, eu não faria mal algum a você”, a pobre mulher respondia “Não, meu senhor, eu acho que faria” e sussurrava no ouvido dele muitos “insultos rudes”. Esse episódio permitiu que mais tarde fossem lançadas contra Seymour acusação de envenenamento – tão comum, naquele período, com relação a qualquer morte inesperada. Mas a acusação não tinha nenhum fundamento: felizmente para Seymour na época, o próprio comportamento da rainha no fim da vida a desmentiu.

Quando a rainha começou a caminhar para a morte, a febre foi embora. Ela ditou seu testamento com calma, revelando aquela mesma atitude de confiança e lealdade para com Seymour, não “apenas seu esposo e marido”, mas o grande amor de sua vida, que ela sempre sentira. A rainha Catarina, “doente de corpo mas com a cabeça boa”, deixou tudo para Seymour, desejando apenas que seus bens “fossem mil vezes mais valiosos” do que eram.

Bibliografia:
Catherine Parr‘. Acesso em 12 de Maio de 2014.
Thomas Seymour, 1st Baron Seymour of Sudeley‘.  Acesso em 12 de Maio de 2014.
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.

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2 comentários sobre “Thomas Seymour, o último marido de Catarina Parr

  1. Olá! Eu sou fascinada pelas histórias da época dos Tudor, em parte devido aos livros da Phillipa Gregory, que sempre me fazem buscar mais informações após termina-los. E foi assim que me deparei com seu blog, e tenho adorado ler seus posts! Parabéns!

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