A história por trás da imagem: O retrato Hampden

The Hampden PortraitEste retrato é da jovem Elizabeth I,  feito provavelmente pelo artista Stephen van Herwijck. O retrato está ligado a um breve período em 1563, quando Elizabeth convenceu o Parlamento que tinha se decidido em se casar e produzir um herdeiro. Este também é um dos primeiros retratos da rainha que inclui um significado político, desde que ela tinha recentemente sobrevivido a um encontro com a morte devido à varíola, e precisava reafirmar sua autoridade. Excepcionalmente, os estudiosos argumentam, este retrato apresenta Elizabeth como uma noiva fértil e elegível.

A existência do retrato foi documentado pela primeira vez no século 19, quando ainda fazia parte de uma coleção particular em Hampden House. O retrato foi vendido em leilão por Sotheby em Londres, em 22 de novembro de 2007. Foi comprado por  Philip Mould Fine Paintings of London (‘Philip Mould Pinturas Finas de Londres’) por meros £2.596.000 (cerca de R$ 8.759.502,00).

O retrato Hampden é pouco conhecido, tendo permanecido na Hampden House por muitos séculos. Por um tradição de família, o retrato foi dado de Elizabeth para Griffith Hampden, Xerife de Buckinghamshire, quando esta visitou sua mansão do século 16. Entretanto, é pouco comum que a rainha tenha dado um retrato de tal importância para alguém de tão pouco status. Em contraponto, o filho de Griffith, Richard Hampden, casou-se com Letitia, filha de William, Lorde Paget. Os Paget eram uma família com importantes conexões com outra família conhecida, os Knollys. É possível que através dessas conexões que a família de Hampden adquiriu este retrato e mais um conjunto de quatro retratos jacobeanos.

CorpeteEste é o primeiro retrato de corpo inteiro da monarca, e sua estatura é sem dúvida enfatizada pela magnificência de seu vestido. Elizabeth I usa um vestido vermelho e branco, e este foi provavelmente proposital, escolhido para simbolizar a unidade da Casa de York e a Casa de Lancaster, através do casamento de Henrique VII e Elizabeth de York, que trouxe a paz para a Inglaterra depois de anos de luta dinástica, e assim demonstrando seu compromisso de continuar a dinastia. Para reforçar ainda mais a mensagem, a rainha usa um corpete e um colar rosa Tudor. Pérolas adornam seu vestido e se alternam com pedras preciosas coloridas e pedras enormes em pingentes. Mas importante parece ser a primeira aparição da esfera armilar como um emblema real. Ele aparece na parte inferior de seu grande colar de pérolas. Embora pareça como um objeto de decoração, ele cumpre seu papel como um símbolo de sua devoção na manutenção da fé reformada.

Em abril de 1563, Elizabeth fez um discurso na Câmara dos Lordes, descrevendo-se como uma árvore pronta para dar frutos e confirmando sua intenção de se casar e produzir um herdeiro. Em 1562, um anos antes e apenas quatro depois do começo de seu reinado, Elizabeth pegou varíola. Ele entrou em coma, levantando a questão de quem iria suceder se ela morresse. Em sua recuperação, seus assessores haviam pressionado-a a escolher um marido e nomear um sucessor. O simbolismo no retrato de Hampden está significativamente conectado ao início de seu reinado.

FloresÉ bem possível que o retrato foi pintado com pretendentes em mente. Não se limita a enfatizar sua aparência jovem, mas o painel apresenta uma profusão de frutos maduros, como um símbolo da fecundidade da jovem rainha. Á direita da pintura é possível ver uma tapeçaria com flores, romãs maduras, uvas e ervilhas, todos símbolos de casamento e fertilidade. As flores madressilva, por exemplo, que é um símbolo de afeição, reforça o fascínio de uma jovem mulher. Ao contrário de alguns retratos deste período, a rainha não está olhando para a frente, e sim para o lado, como se esperasse a chegada de algum pretendente.

TronoOlhando de perto, é possível ver que a rainha está de frente a uma parede de que tem um pano de ouro com o brasão real. Ela descansa sua mão sobre um trono de ouro, ao lado de uma de uma almofada de pano de ouro, e sabemos que a Câmara do Parlamento na Casa dos Lordes, onde ela deu seu discurso, era decorado da mesma forma. A presença dos contornos de um trono vazio sobre o brasão real também pode ser o símbolo de que ainda está um lugar na sua vida para ser preenchido.

Apesar de uma grande quantidade de pretendentes – do nobre inglês Robert Dudley, mais tarde Primeiro Conde de Leicester, até Erik XIV, Rei da Suécia – e apesar de seu notável discurso, a rainha nunca se casou e morreu sem filhos. Havia muitas razões para isso: diferenças religiosas, o medo de perder o poder, uma incapacidade de encontrar um pretendente que lhe agradasse e a seus assessores. Em retratos posteriores, a imagem de Elizabeth como uma Rainha Virgem foi comemorada. Em sua mão direita a rainha também tem um cravo, símbolo do amor e noivado, e um sinal de sua vontade de se casar.

Robert DudleySotheby apresentou uma possível conexão entre o retrato Hampden e um retrato de Robert Dudley, Conde de Leicester, de c.1564, que agora está em uma coleção particular. Leicester é mostrado virado para a direita (enquanto a rainha está virada para a esquerda em Hampden) e, assim como a rainha, ele segura uma luva na mão esquerda. Isso poderia apontar para uma ligação entre os dois retratos, principalmente se considerarmos que ambas parecem luvas de falcoaria, e os casal frequentemente caçava e praticava falcoaria juntos.

Bibliografia:
Portrait of Queen Elizabeth I‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.
Bess to Impress: The Hampden Portrait‘, escrito por Ashlie Jensen. Acesso em 13 de Junho de 2013.
The Hampden Portrait of Elizabeth I‘. Acesso em 13 de Junho de 2013.

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4 comentários sobre “A história por trás da imagem: O retrato Hampden

  1. Custei a identificar essa cadeira no retrato. Parece que ela faz parte do painel atrás de Elizabeth, mas não.

    • Que bom que não fui só eu! HAHAHA No começo pensei que estavam falando de outra imagem, porque não achava o tal trono de jeito nenhum.

      • Eu me perguntava o porque do braço dela estar nessa posição. Depois de olhar atentamente foi que eu percebi a cadeira. O artista deveria ter usado outras cores nela.

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