Venenos da esterilidade: a contracepção na Era Tudor

Tudor

“[Aprendera] como as mulheres podiam envolver-se com um homem e, no entanto, não conceber filho algum a menos que ela própria quisesse.”

Tanto quanto sabemos, a única das esposas de Henrique VIII com algum interesse em contracepção foi Catarina Howard, que ficou famosa por confessar a sentença acima. Infelizmente, para os futuros curiosos ela não entrou em detalhes, mas a julgar pela literatura desse século e outros anteriores, ela teria poucas opções realmente efetivas. 

A contracepção era ilegal na Inglaterra Tudor, assim como o aborto. Como resultado, a maioria das informações disponíveis para as mulheres da época eram obtidas pelo ‘boca a boca’, e não a partir de fontes impressas. Há, no entanto, algumas fontes ainda disponíveis que nos dizem que a contracepção era conhecida por alguns e que era praticado por um número desconhecido de mulheres. Como resultado, esses métodos despertavam profunda desconfiança entre os homens, que sempre consideraram as atividades das mulheres como misteriosas e potencialmente ameaçadoras. Qualquer interferência com os processos naturais era considerado bruxaria, e mulheres (ou homens) que promoviam a contracepção ou mesmo ofereciam conselho a outros sobre os métodos poderiam ser acusados de bruxaria e executados.

A prática da contracepção, muitas vezes denotada pela frase ‘venenos da esterilidade’, pode ter sido oficialmente desencorajada, mas os casais faziam um grande esforço para evitar que a gravidez ocorresse, pois era pecado ter relações sexuais fora do casamento. Desde que era parte do plano de Deus que os casais deveriam procriar, tentar impedir que isso acontecesse era considerado um pecado contra Deus. obviamente, a Era Tudor não era um mundo ideal, e muito sexo ocorria fora do casamento, comumente entre homens e prostitutas, homens casados e suas amantes, jovens casais que não conseguiam esperar a santidade do casamento e, por vezes, mulheres casadas com homens jovens.

Os mais comuns e um dos únicos métodos legais disponíveis era, claro, o tão chamado ‘método do ritmo’ – usado ainda hoje, depende do conhecimento de uma mulher do seu corpo e de seu ciclo menstrual, baseando-se na mulher abster-se de relações sexuais quando seu ciclo está mais fértil, ou seja, no meio do seu ciclo menstrual, quando a ovulação tende a acontecer. Embora esse método possa ser usado com bastante eficácia hoje, porque há produtos no mercado para identificar quando uma mulher está fértil, naqueles dias era muito errática, dada a má compreensão da fisiologia reprodutiva feminina.

A amamentação prolongada e lactação podia reduzir a fertilidade e capacidade de conceber, sendo outro método legal e conhecido do século 16. Mulheres também podiam usar vários tipos de inserções vaginais (chamados pessários), feitos de substâncias ácidas para matar o esperma. Algumas mulheres também usavam lã embebido em vinagre ou feixes de ervas que visavam matar o esperma ou fazer o corpo da mulher menos hospitaleiro. Curiosamente, este último método poderia ser eficaz, já que resulta em um ambiente altamente ácido, que poderia ter um efeito espermicida. Outras inserções vaginais, especialmente pedras e blocos de madeira, também eram usados como ‘barreiras’ para o esperma, sendo não só ineficaz, como extremamente perigoso.

Alguns textos davam alguns ‘remédios’: colocar o ventre de uma cabra que nunca teve filhos contra a sua pele nua; remover os testículos de uma doninha macho antes de libertá-lo, e então colocá-los os testículos em seu seio, amarrado com uma pele de ganso; segurar, ou até mesmo comer, um pedaço de azeviche; depois de uma gravidez difícil, coloque na placenta o número de anos que você deseja permanecer estéril em grãos de alcaparra ou cevada – se você deseja permanecer estéril para sempre, jogue um punhado.

Tudor1Algumas mulheres chegavam a ingerir ervas e extratos de plantas para evitar a concepção ou provocar um aborto pós-coito – uma espécie de ‘pílula do dia seguinte’. Dois dos extratos vegetais mais conhecidos era o óleo de arruda e óleo de Savin (uma espécie de zimbro), embora ambos fossem raros e caros (sem dizer, ineficazes). Outro óleo usado era o de hortelã, que pode ser uma toxina mortal se ingerida em grandes quantidades.

Todas essas receitas, evidentemente, não tinham um alto nível de eficácia. Se as noivas ou amantes reais tentassem qualquer um desses métodos, não é de se surpreender que fossem espetacularmente mal sucedidas.

Bibliografia:
O’BRIEN, Anne. ‘Medieval Contraception‘.
Tudor contraception‘.
Poisons Of Sterility: Contraception In Boleyn Fiction

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Um comentário sobre “Venenos da esterilidade: a contracepção na Era Tudor

  1. Eu sempre quis saber como q as mulheres naquela época faziam pra “nao engravidar”, agora eu sei e gente, q coisa bizarra kk

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