Helen Mirren é uma rainha virgem em “Elizabeth I” (2005)

posterHelen Mirren está majestosa no papel de uma mulher que ainda cativa a imaginação do público, uma mulher que tinha tudo mas que deixou o casamento e a criação de uma família de lado a fim de cumprir seu dever como líder de uma nação. Ou seria porque todos os homens ao seu lado eram duas caras, com os olhos na coroa? É difícil dizer.

Cheio de paixão e pompa, a série da HBO ‘Elizabeth I’ narra os vários namoros, intrigas e escândalos que cercaram os grandes amoras da vida da Rainha Elizabeth: Robert Dudley, Conde de Leicester, Robert Devereux e, em menor medida, François, Duque de Anjou. A produção foca a mulher Elizabeth e não a rainha, e suas tentativas de conciliar sua vida privada com sua imagem pública. Elizabeth I começa em 1578, quando Elizabeth (Helen Mirren) governa um país onde católicos e protestantes se tornaram inimigos ferrenhos. Este é um elemento muito tratado no filme, um componente geralmente esquecido em outros filmes sobre Elizabeth.

Dividida em dois episódios, ambos se concentram em um tema: ‘a coisa mais difícil de governar é o coração’. Assim, vemos a Rainha Elizabeth Tudor em seu aspecto mais humano: a busca por um amor verdadeiro e relacionamentos leais. Tão orgulhosa quanto era em sua independência e seu poder, ela sofreu por ser condenada à solidão. A primeira parte lida com seu relacionamento conturbado com seu amigo e conselheiro, o Conde de Leicester. Irons investe tanta profundidade e complexidade quanto consegue em seu personagem: Leicester é um homem que passou sua vida em jogo de esgrima emocional com a mulher que ele ama e muitas vezes sentiu a dor de sua vaidade. No entanto, sua devoção e amor são reais, e de partir o coração.

Na primeira cena, vemos Elizabeth, em seus quarenta anos, sendo despida por suas damas de companhia para um exame ginecológico. Sob flutuantes cortinas de musselina, o médico da corte dá uma olhada superficial antes de declarar à corte que a Rainha ainda por ter filhos e é uma virgem intacta – essa é uma característica rara dos filmes de Elizabeth: já no início temos a fala de um doutor que atesta que a rainha é virgem, para acabar com as dúvidas que possivelmente surgiriam durante o filme. Enquanto o Conselho lhe pressiona para encontrar um marido a fim de garantir um herdeiro enquanto ela ainda é fértil, a Inglaterra e Elizabeth são ameaçadas por aqueles que querem colocar Maria Stuart no trono. Para proteger a Inglaterra de um monarca papista, os conselheiros de Elizabeth querem que ela se case com o Duque de Anjou, irmão do rei da França. Isso garantiria uma aliança das duas nações contra as ambições crescentes da Espanha. O problema é, lógico, que Anjou é católico e francês, e o casamento não é concluído.

Elizabeth IO seu amor/amizade com Leicester sobreviveu quando ela contemplava o casamento com o relativamente jovem e bonito Duque de Anjou, quando Leicester se casa secretamente com Lady Essex e este é exilado da corte. Ainda na primeira parte, Elizabeth se encontra com a sua prisioneira e prima, Maria Stuart, onde Elizabeth pronuncia as palavras ‘Nós duas somos prisioneiras de nosso tempo’. Embora este encontro tenha inspirado muitas obras de ficção, ela nunca aconteceu.

A parte dois segue Elizabeth através de seus últimos anos, durante o qual ela tem um caso amoroso com o enteado do Conde de Leicester, o Conde de Essex, cujas ambições políticas frequentemente entram em conflito com sua devoção e lealdade a monarca. Também temos várias cenas em que Leicester tenta, sem sucesso, seduzir a rainha para sua cama. Hugh Dancy consegue interpretar com maestria as diferentes nuances do comportamento do Conde (ele foi, inclusive, indicado para o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie).

Embora tenha muito Elizabeth, não há muito da Era Elizabethana. Francis Bacon é pouco mostrado e Shakespeare não é mencionado, embora trechos de seus sonetos, por vezes, escorregam para o diálogo: furiosa com a traição de Essex, Elizabeth sussurra para ele: “amor não é amor se se altera quando encontra alterações”. Há também algumas cenas intensamente violentas, como convém a uma idade em que a tortura era uma forma pública de entretenimento. Há breves, mas vívidas, cenas de torturas e execuções públicas por estripação, assim como decapitações.

Elizabeth e EssexEntre as imprecisões históricas, o roteiro menciona explicitamente que Gilbert Gifford (Simon Woods) tentou assassinar Elizabeth I por esfaqueamento (no primeiro episódio, onde Leicester salva sua vida). Ele então é visto sendo torturado e interrogado, mas reaparece na segunda parte do episódio para desempenhar o seu real papel histórico. Esta parte do episódio incluir até mesmo uma cena em que Gifford encontra a rainha e ela o reconhece como o perpetrador do assassinato falhado de sete anos antes. A tentativa de assassinato nunca aconteceu e, se tivesse, teria inevitavelmente resultado na execução do agressor.

Alessandra Stanley, do The New York Times, escreveu que Elizabeth I foi mais historicamente preciso do que Elizabeth de 1998, embora ela tenha sentido que ‘as interpretações, como tantas outras, se esbanja na auto-piedade de uma mulher poderosa e que está envelhecendo ansiando por um amor verdadeiro’. De acordo com o diretor Tom Hooper, Mirren ‘estava a bordo antes do roteiro ter sido escrito, porque o sentimento era de que só valia a pena fazer [a série] se ela fosse interpretá-la [Elizabeth I]’. O projeto original era que Elizabeth I fosse um filme de duas horas e que se concentrasse no relacionamento da rainha com o Conde de Essex, mas Mirren ‘sentiu que deveria ter mais política’, sendo o escritor Nigel Williams.

A série foi altamente premiada, tendo ganhado 9 Emmy Awards (entre eles ‘Melhor Atriz’ para Helen Mirren, Melhor Ator Coadjuvante para Jeremy Irons, Melhor Série, Melhor Diretor de Minissérie, Melhor Figurino, Melhor Penteado, Melhor Direção de Arte), 3 Globos de Ouro (Melhor Minissérie ou Filme para Televisão, Melhor Atriz em Minissérie ou Filme para Televisão para Helen Mirren e Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie ou Filme para Televisão Para Jeremy Irons), 2 Screen Actors Guild Awards e 1 prêmio BAFTA por Melhor Trilha Sonora Original de Televisão.

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