Todo artista pinta a si mesmo? Edgar Degas e seu retrato de Ana de Cleves

Ana, Cópia de DegasA maioria dos estudiosos da arte do século XX alegaram que o retrato de Ana de Cleves de Degas era uma cópia exata do retrato original de Hans Holbein. Mas no final da década de 1970 a história implausível sobre ‘cópias’ começaram a se desvendar: estudiosos começaram a perceber que as chamadas ‘cópias’ tinham diferenças significativas das obras originais; e acadêmicos de outras disciplinas aproveitaram a oportunidade para usar a arte para seus próprios fins. Interpretando as pinturas como se fossem documentos históricos, esses novos estudiosos começaram a usar as imagens para ilustrar seus próprios assuntos. Mas fazendo isso, eles não notaram as inconsistências visuais de suas histórias, observando apenas como uma imagem era diferente da original e não o porque. Mas como o famoso Edgar Degas disse: “Nenhuma arte é menos espontânea que as minhas, o que eu faço é o resultado da contemplação e estudo dos grandes mestres.”

A “cópia” que Degas fez do retrato de Holbein é uma armadilha: a palavra cópia sugere que ele apenas pintou o que viu e faz com que você não faça maiores investigações sobre o quadro. Mas Degas era um grande artista: se ele quisesse copiar o quadro exatamente como ele era, ele iria fazer isso, mas não foi o que aconteceu.

Degas x holbeinColocando lado a lado a cabeça de Ana de Cleves e a cabeça feita por Degas (a esquerda), podemos ver como ele mudou a curva do capelo para que ele pudesse aumentar o tamanho do nariz de Ana – ele o tornou mais bulboso e os lábios mais cheios, aumentando ligeiramente o tamanho de seus olhos.

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As razões do porque ele fez essas alterações podem ser vistas em uma comparação da sua versão de Ana de Cleves com seu próprio auto-retrato feito em 1855. Todas as ‘transformações’ que ele fez em Ana – seu nariz mais comprido com ponta circular, seus lábios carnudos e olhos maiores e um pouco vesgos – são todas características suas.

Poucos estudiosos já notaram isso nessa obra de Vegas. Luzius Keller observou que os retratos dele mostram pessoas diferentes com características semelhantes, tornando-os assim reconhecíveis como ‘retratos de Degas’. Mas ele observou também que o pintor ‘sempre retrata a si mesmo’, embora ele não atribua essa frase à Degas. Na sua cópia de Ana de Cleves, Degas se tornou a faculdade criativa feminina de Henrique VIII, o rei inglês a quem Ana iria se casar em breve. A principal razão para a aliança era fertilidade, fazendo com que o rei fosse capaz de fazer mais um herdeiro (acreditava-se que a fertilidade e a criação de filhos era apenas por conta da mulher, e não do homem). Assim, no original, ela representa a mente de Holbein – Degas sabia disso e, usando Ana, ele clama a mente de Holbein, a mente do grande mestre universal, como sendo sua própria. Degas, na época, tinha 25 anos e ainda não havia criado nenhuma obra famosa.

Traduzido do artigo “Degas’ Copy after Holbein’s
Anne of Cleves (c.1860)
” escrito por Simon Abrahams.
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