Elizabeth I e a jóia dos três irmãos

A Jóia dos três irmãosAs monarquias Tudor e Stuart eram famosas por suas coleções de pedras preciosas legendárias, incorporadas para refletir a glória da Coroa Inglesa. A jóia dos três irmãos, um dos tesouros da casa de Borgonha, teve seu primeiro registro nas mãos do Duque John, o Destemido (1371 – 1419). Foi chamado de “Três Irmãos” depois que três grandes rubis, memoráveis por sua aparência e peso idênticos, foram adornados em volta de um magnífico diamante com quatro grandes pérolas, dessa vez pelo Duque Filipe, o Bom (1396 –1467).

Carlos, o Temerário, bisneto de João, o Destemido, herdou diversas jóias dos Duques de Borgonha. Em uma Batalha em 1477, Carlos foi morto. Suas jóias, inclusive Os Três Irmãos, foram escondidos pelo Bispo de Basel. Depois de 14 anos, ela foi vendida secretamente para Jacob Fugger, um grande financista e banqueiro. Ele vendeu a jóia para um cliente desconhecido que por sua vez o vendeu para Eduardo VI em 1551. Assim como outras jóias da família Borgonha, as negociações foram secretas e é possível que tenham sido começadas no reinado de Henrique VIII. Elizabeth I

É provável que Maria I tenha herdado a jóia, mas foi somente em 1585 que um membro da família real inglesa foi retratado usando-a: arainha Elizabeth posou para um retrato usando o pingente e seu sucessor, James I, também aparece usando a jóia. Nesse retrato, Elizabeth senta-se com o arminho, cuja pele era símbolo de realeza – o próprio animal está usando no seu pescoço uma coroa dourada, simbolizando também a majestade e a pureza. Além do vestido preto – a cor favorita de Elizabeth, junto do branco – o fundo preto também reforça a gravidade simbólica da pintura. Além de usar a jóia, uma espada de Estado repousa sobre a mesa ao lado da rainha, simbolizando a justiça; além como um ramo de oliveira, simbolizando a paz.

JamesEm 1623, escrevendo para seu filho Carlos, prestes a viajar para a Espanha para procurar uma esposa; James I lhe contou que estava enviando diversas jóias, entre elas Os Três Irmãos. Em 1625, quando Carlos, agora Rei, enviou para o Duque de Buckingham e Lorde Holland como Embaixador Extraordinário dos Estados das Províncias Unidas. A jóia supostamente deveria ser entregue para Lorde Conway, mas todas as referências à jóia e a ele desaparecem.

No entanto, após o casamento do rei Carlos com Henrietta Maria, a jóia começou a aparecer nos inventários dela. Em Fevereiro de 1643, a jóia aparece descrita em seus registros indicando Henrietta tinha ido com ela para a Inglaterra. No entanto, a descrição da jóia mostra que ela foi mudada para três rubis, quatro pérolas, um diamante triangular e mais dois diamantes pontiagudos. Logo depois começam a aparecer referência a uma jóia chamada de Três Irmãs, sugerindo que a jóia dos Três Irmãos tenha sido desmontada e renomeada.

Bibliografia:
STRONG, Roy. Three Royal Jewels: The Three Brothers, the Mirror of Great Britain and the Feather. The Burlington Magazine. Vol. 108, No. 760 (Jul., 1966), pp. 350-353.
HUMPHREY, David. To Sell England’s Jewels: Queen Henrietta Maria’s visits to the Continent, 1642 and 1644. Acesso em 18 de Maio de 2015.
NORRIS, Herbert. Tudor costume and fashion. Courier Corporation, 1997.
Sancy Diamond. Acesso em 18 de Maio de 2015.
The Beau Sancy Diamond. Acesso em 18 de Maio de 2015.
1585 “Ermine” portrait by Nicholas Hilliard (Hatfield House, Hatfield UK). Acesso em 18 de Maio de 2015.

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