A agradável aparência de Catarina Parr

ParrA última esposa de Henrique VIII, Catarina Parr, nunca foi descrita por ninguém como sendo uma beldade – até mesmo o termo de “beleza mediana” usado para classificar Ana de Cleves e Jane Seymour não lhe foi aplicado. Os adjetivos mais usados para lhe descrever eram “agradável”, “animada”, “bondosa” e “graciosa”. Até mesmo Ana de Cleves, quando soube que Henrique VIII se casaria com Parr, exclamou que era muito mais bonita do que ela – coisa que o Embaixador Chapuys, ávido por fofocas, não se preocupou em contradizer. O Duque de Najera, servidor do rei Carlos V, que foi para a Inglaterra no início de 1544 por razões desconhecidas, a descreveu como:

“Uma [mulher de] aparência vívida e amável e é louvada como uma mulher virtuosa”.

Parece razoável supor que Catarina era atraente – Henrique VIII era muito suscetível a aparência física, tanto é que rejeitou Ana de Cleves por não gostar de sua aparência. Além da aparência, a amabilidade, humanidade e, principalmente, o potencial reprodutivo e o status político e social importavam para o Rei. Talvez a maior atração de Catarina estava em sua vivacidade e alegria de viver: ela parece ter sido uma mulher animada, amante da dança e música, assim como gostava dos prazeres que uma vida como rainha lhe proporcionava: roupas finas, jóias magníficas e inúmeros sapatos. Suas cores favoritas de roupa eram vermelho, preto e violeta. Todos os tecidos eram feitos para impressionar os espectadores, bem como enquadrar seus próprios encantos.

O único retrato contemporâneo confirmado que temos de Catarina Parr mostra uma mulher de nariz e boca pequenos, e uma testa larga que os contemporâneos admiravam. Os cabelos tinham a cor parecida com as de Catarina de Aragão: castanho-claro avermelhado, matizado com fios dourados. Ela era a esposa mais alta de Henrique VIII – acredita-se que, medindo pelo tamanho de seu caixão, Catarina teria por volta de 1,77 metro, o que lhe dava sem dúvida um aspecto majestoso. Tanto quanto pode ser dito através das pinturas, seus olhos eram marrons ou castanhos.

Através de um raio-x e análise infravermelho de um famoso retrato de Catarina Parr feito por volta de 1545, podemos ver que o rosto de Catarina sofreu algumas alterações no desenho original antes de ficar como o conhecemos: os olhos foram movidos ligeiramente para a direita do desenho origina, o colar foi colocado mais perto do queixo, o nariz foi reposicionado e o corpete pode ter sido originalmente um pouco maior – ou seja, Catarina pode ter sido um pouco mais gordinha do que imaginamos. Também podemos ver as olheiras da rainha, que parecem bem claras, foram drasticamente reduzidas, assim como um pequeno sorriso que ela estava dando.

raio x

Embora não possamos saber com certeza se Catarina Parr era ou não bonita e qual era sua aparência exata, a sua preocupação com higiene foi notada pelos contemporâneos (e com certeza por Henrique VIII, um homem ávido pela higiene): Catarina tomava banho com leite, comprava óleos caros, perfumes e ungentos, e sempre andava com flores ou licores que lhe  davam um hálito agradável.

Bibliografia:
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
Katherine Parr: Appearance. Acesso em 3 de Junho de 2015.
Katherine Parr. Acesso em 3 de Junho de 2015.
PORTER, Linda. Katherine the Queen: The Remarkable Life of Katherine Parr, the Last Wife of Henry VIII. Macimillan, 2010.
CARNEY, Jo Eldridge. Fairy Tale Queens: Representations of Early Modern Queenship. Palgrave Macmillan, 2012.

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