A morte de Ana de Cleves

Ana de ClevesEm 16 de Julho de 1557, 17 anos após o seu divórcio do rei Henrique VIII, Ana de Cleves, ex-rainha da Inglaterra, morreu aos 41 anos em sua mansão de Chelsea – uma das muitas casas que a antiga esposa do rei ganhou como parte de seu acordo de divórcio. Seguindo o conselho de sua enteada, a Rainha Maria I, Ana havia se convertido ao catolicismo, e em seu leito de morte, pediu que tivesse os ritos da Igreja Santa de acordo com a fé católica. Não sabemos quais eram os verdadeiros pensamentos de Ana quanto à religião: ela foi educada no protestantismo desde sua infância, então é possível que Ana tivesse continuado protestante se esse fosse o desejo da Rainha.

A ex-Rainha e esposa de Henrique VIII estava em más condições de saúde, e havia ditado seu testamento para seus advogados poucos dias antes. A causa de sua morte é desconhecida, embora Antonia Fraser acredita que tenha sido câncer. Ana passou seus anos após o divórcio de Henrique VIII em sua casa com sua pequena corte, que aparentemente era um local feliz e bem governado. Ana era muito amada por suas serviçais que a atenderam bem em seus últimos anos, que foram passados com dificuldades econômicas. Seu testamento parece muito ingênuo, mostrando que Ana teve uma minuciosa atenção a todas as coisas que poderiam beneficar as pessoas que faziam parte de seu mundo.

“Eu, Ana, filha de John, o falecido Duque de Cleves, e irmã do excelente príncipe WIlliam, agora Duque de Cleves, Gulick e Barre, doente de corpo mas sã de mente e memória, agradeço ao Deus Almirante, e declaro que este é meu último desejo e testamento. 1º: Eu doô minha alma a Santa Trindade, e meu corpo para ser enterrado onde agrace a Deus. 2º: Eu oro de coração para meus executores [do testamento]… e que a Rainha, nossa Excelente Majestade, que minhas dívidas sejam debitadas e meus credores sejam pagos… 3º … Que os executores sejam bons senhores e mestres para todos meus pobres serviçais… 4º …. Que sejam dadas jardas [de tecido negro] para a construção de vestidos e capelos, a todos os gentis homens e mulheres… a todos os yeomen, gromms e crianças da nossa casa… e nossa câmara privada… assim como para a lavadeira Elizabeth Eliot e sua mãe Lovell [que cuidou dela em seu leito de morte] que me atendeu nesse momento de doença”…”

Além disso, Ana pedia que fosse dado a seu irmão um anel de ouro com um bom diamante; a sua irmã, um anel com uma grande pedra de rubi e esmalte preto. Ela também deixou para Elizabeth Tudor algumas jóias na esperança de que Dorothy Curson, uma de suas damas de companhia, pudesse se juntar à equipe de Elizabeth. A Rainha Maria recebeu dela suas melhores jóias. Dois dias depois de ditar seu testamento, a repudiada rainha da Inglaterra morreu pacificamente no seu Palácio em Chelsea.

 A Rainha Maria apontou que seu enterro deveria ser na Abadia de Westminster, e seu corpo foi movido de Chelsea para lá, onde uma missa de réquiem foi celebrada para ela no dia 4 de Agosto. Elizabeth Paulet, a chefe enlutada de seu funeral, e seu marido William, 1º Marquês de Winchester, deram um banquete em Londres em honra sua memória. Um grande funeral aconteceu e ela foi enterrada perto do altar, um lugar de grande honra.

Ana foi a última das esposas de Henrique VIII a morrer e também foi a única a ser homenageada com um enterro monárquico em lugar sagrado e de prestígio – a Abadia de Westminster: Catarina de Aragão está na Catedral de Peterborough; Ana Bolena e Catarina Howard estão na Capela de Torre de Londres; Jane Seymour foi enterrana na Abadia do Castelo de Windsor e Catarina Parr no Castelo Sudeley. Hoje, o túmulo de Ana é mais difícil de ser encontrado, mas encontra-se perto do santuário de Eduardo, o Confessor.

Bibliografia:
WARNICKE, Retha M. ‘The Marrying of Anne of Cleves: Royal Protocol in Early Modern England’. United Kingdom: Cambridge University Press, 2000.
STRICKLAND, Agnes; STRICKLAND, Elizabeth. Queens of England, from the Norman Conquest. London: Colburn & CO., 1851.
RUSSEL, Gareth. July 16th, 1557: The Death of Anne of Cleves. Acesso em 15 de Julho de 2015.

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