O curioso caso de Mary Baynton, a jovem que fingiu ser Maria Tudor

Mary Tudor

Dizem que a imitação é a maior forma de elogio. Mas no século XVI fingir ser uma pessoa, particularmente uma pessoa importante, era perigoso. Em 1533, uma garota de dezoito anos chamada Mary proclamou em público que sua tia, Maria Tudor, filha de Henrique VII e irmã de Henrique VIII, ex-rainha da França e atual esposa de Charles Brandon, tinha dito uma profecia para ela:

“Sobrinha Maria, eu sinto muito por você, pois eu vejo que sua fortuna será muito difícil, e você terá que mendigar uma vez em sua vida, ou na sua juventude ou depois”.

No entanto, a menina que proclamou tais profecias não era Maria Tudor, a filha de Henrique VIII e sobrinha de Maria. Ela provavelmente nunca sequer conheceu Maria Tudor, a ex-rainha da França. O nome dessa contadora de histórias era Mary Baynton, e por alguns meses ela se fingiu de Maria Tudor nas vilas de Yorkshire e Lincolnshire. Ela clamava que tinha sido colocada para a rua por seu pai, e ia de casa em casa pedindo esmolas para que pudesse pegar um navio e ir para a casa de seu tio, o Imperador. Aqueles que a acolheram a trataram como se ela fosse realmente a princesa.

Mas por que Mary Baynton decidiu fingir ser Maria Tudor? Infelizmente sabemos pouco de sua vida – apenas de que ela era filha de Thomas Baynton, de Bridlington, em Yorkshire, e que aos 18 anos fingiu ser Maria Tudor – por essa altura, Henrique VIII tinha se casado com Ana Bolena, o casamento com Catarina de Aragão foi declarado nulo e sem efeito, e o rei havia se estabelecido como a figura suprema de autoridade no reino. Em suma, Mary Baynton vivia em um momento turbulento. No entanto, ela escolheu se envonver nesses eventos – se ela estava propagando como um objetivo político e religioso é incerto, assim como se ela realmente acreditava que era a princesa.

Sabe-se que Mary estava pelo menos informada do que estava acontecendo na vida de Maria: ela alegava que o rei a havia abandonada completamente e ela estava à sua própria sorte, uma referência ao rebaixamento do status real de Maria. Sabemos que nos tempos antigos era relativamente fácil criar uma nova identidade em um novo local. Por exemplo, Lambert Simnel e Perkin Warbeck, proclamaram, no reinado de Henrique VII, serem o filho mais novo de Eduardo IV (e, portanto, os legítimos reis da Inglaterra). Sem passaporte ou identidade, o Estado Tudor tinha pouco controle de sua população – por isso os séculos XVI e XVII estão cheio de dramas de pessoas que voltaram depois de mortas ou desaparecidas.

Maria Tudor2Obviamente, ela se tornou uma preocupação para as autoridades e foi devidamente acusada e interrogada por Nicholas Robson, Thomas Brown e Robert Pulvertoft. Aparentemente, ela se retratou de suas reivindicações e desapareceu, provavelmente levando um estilo de vida mais modesto.

Essa história indica a simpatia prevalecente e generalizada para o povo com o sofrimento de Maria mesmo no norte da Inglaterra – um local que ela nunca havia visitado. Curiosamente, dois anos após Baynton declarar ser a princesa Maria, surgiu uma insurreição em Lincolnshire, alimentada pelo descontentamento com as ações do monarca. Uma de suas reivindicações era que Maria fosse novamente proclamada legítima e lhe fosse concedido um lugar na sucessão. Obviamente a farsa de Bayton não foi uma ameaça tão grave para o governo quanto a Peregrinação da Graça, embora ela sem dúvida tenha agido como um pequeno aviso para os grandes eventos de 1536 e 1537.

Bibliografia:
ERICKSON, Carolly. Bloody Mary. Cambridge University Press, 2007.
The strange case of Mary Baynton. Acesso em 26 de Junho de 2015.

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2 comentários sobre “O curioso caso de Mary Baynton, a jovem que fingiu ser Maria Tudor

    • Pois é! Pelo jeito, todo mundo acreditou, já que naquela época não dava pra saber direito como as pessoas realmente pareciam.

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