Nostradamus e sua influência na Inglaterra de Elizabeth I

Catarina de Médici, Nostradamus e Elizabeth

De todos os místicos que exerceram influências no século XVI, Nostradamus é o mais notório. Ele tem sido objeto de centenas de livros e vários documentários, sendo ainda retratado por Rossif Sutherland em um papel-chave na série Reign.

Historiadores acreditam que Michel de Nostredame veio de uma família da Provença forçados a se converter do judaísmo para o cristianismo. Depois de anos de censura, tributos e violência contra os judeus na Espanha e na França, o rei Luís XII ordenou o exílio de todos os judeus de Provença em 1500. Uma família chamada Gassonet não precisou: eles já haviam se convertido ao cristianismo, mudando seu sobrenome para Nostredame. Um dos filhos dessa família, Michel, nasceu em 1503.

Em 1555, a primeira obra de Nostradamus predizendo a história do mundo foi publicada. A Rainha da França, Catarina de Médici, que passou para a história como uma envenenadora, também era uma apaixonada pelas artes e arquitetura, e assim como muitos outros patronos renascentistas, ficou muito intrigada com a profecia. A Rainha convocou Nostradamus para a corte francesa, e ele a aconselhou até sua morte em 1566. Sob o patrocínio e proteção de Catarina, Nostradamus viveu confortavelmente, sendo celebrado em toda a Europa e sendo um incômodo para Elizabeth I da Inglaterra, para quem ele previa diversas coisas através de suas profecias.

Catarina de Médici e Nostradamus na série “Reign”.

Não se sabe se a comando ou não de Catarina, Nostradamus previu diversas coisas para Elizabeth. Uma delas foi quando a Rainha da França estava tentando um casamento da Rainha inglesa com seu filho, Charles. Poucos meses depois, em Janeiro de 1566, Nostradamus publicou uma profecia de que “será celebrado grandes núpcias e casamentos de grandes consequências. E serão muito felizes…”. O casamento, como sabemos, não aconteceu. Nostradamus também previu que Elizabeth se casaria com Carlos IX da França.

A publicação das profecias de Nostradamus aconteceu pouco depois da coroação de Elizabeth I em 1558, e Nostradamus foi quase imediatamente atacado por sedição religiosa e ameaça a estabilidade da Igreja anglicana. Um contemporâneo escrevendo dois anos depois afirmou que a publicação trouxe grandes tribulações ao reino da Inglaterra, com suas profecias demoníacas e enigmáticas. Apesar do Arcebispo Parker e William Fulke, outros contemporâneos, terem afirmado que quase ninguém deu crédito as profecias, o governo tomou medidas legais contra os livreiros que estavam vendendo os livros de Nostradamus.

Nostradamus era então visto na Inglaterra como um perpetrador da má ordem, interrompendo o trabalho da verdadeira religião. O governo não visto nada errado na astrologia ou na profecia em si mesmas: afinal de contas, a Rainha tinha astrólogos e alquimistas em sua corte. O problema era que tais profecias nas mãos de pessoas comuns poderiam ser prejudiciais. Curiosamente, uma das profecias dele – de que Elizabeth morreria aos 70 anos – realmente se concretizou. O que estava errado, em outras palavras, não eram as profecias e sim o fácil acesso a elas – ou seja, a impressão delas. Apesar da proibição, os livros de Nostradamus continuaram a ser impressos na Inglaterra.

Acredita-se também que uma vez Catarina levou Maria Stuart, sua nora, para apresentá-la a Nostradamus. Ela perguntou a ele: “Você vê algum infortúnio pendente sobre essa bela cabeça?”. Nostradamus estendeu a mão em direção à jovem Maria e respondeu: “Senhora, eu vejo sangue”. Sabemos que Maria foi decapitada em 1587 por conspirar contra a Rainha Elizabeth.

Muitos acreditam que o sucesso posterior de suas profecias residem no detalhe que sua escrita era tão ambígua que poderia ser interpretada como significando qualquer coisa que alguém pudesse desejar: dessa forma, ele foi capaz de prever o grande incêndio de Londres de 1666, a ascensão de Adolf Hitler, a revolução iraniana de 1979 e os acontecimentos do 11 de Setembro de 2011. No entanto, as supostas previsões de Nostradamus sempre aconteceram após o fato, nunca tendo sido observado um caso que uma profecia de Nostradamus tenha de fato previsto um evento antes que esse acontecesse.

Bibliografia:
LEONI, Edgar. Nostradamus and His Prophecies. Courier Corporation, 2000.
SMITH, Jo Durden. Nostradamus & Other Prophets and Seers. Arcturus Publishing, 2009.
WILSON, Ian. Nostradamus: The Man Behind the Prophecies. St. Martin’s Press, 2014.
Prophecies of Nostradamus.
BILYEAU, Nancy. Secrets of the Tudor Age Seers.

DAVID, Alex. Royal Quotes: Nostradamus on Mary Queen of Scots. Acesso em 18 de Junho de 2015.

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5 comentários sobre “Nostradamus e sua influência na Inglaterra de Elizabeth I

  1. O texto afirma que Mary Stuart foi decapitada por conspirar contra Elizabeth, mas na verdade ela foi à Inglaterra fugindo de seu filho que havia tomado o poder na Escócia e, chegando lá, foi presa devido a ter clamado pelo trono antes de Elizabeth ter sido coroada. Posteriormente foi executada mas ela nem tinha estrutura, na ocasião, para pensar em depor Elizabeth, que estava bem estabelecida no poder à época. Quanto à Nostradamus, figura alegórica da corte francesa, que tem muitos adeptos até hoje, mas nunca falou coisa com coisa.

    • Na verdade Elizabeth nunca esteve bem estabelecida no poder, pois sempre houveram revoltas e tentativas de assassinato e rebelião, que ficaram ainda mais frequentes quando Maria Stuart chegou á Inglaterra. Tanto é que Maria foi julgada e executada por ter participado de uma conspiração para depor Elizabeth. E, realmente, lendo o que Nostradamus escreveu, é difícil ver algum sentido (apesar de, durante a pesquisa para esse artigo, eu ter encontrado diversos livros sobre suas profecias).

      • Só não concordo que tenha tido uma conspiração de Mary Stuart nessa oportunidade, pois ela foi para lá para fugir e não para tentar tirar Elizabeth do poder.

    • Verdade Raphael! Já tinham me dito isso antes, mas não em que post. Obrigada por ter comentado, já arrumei :)

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