O relacionamento de Margaret Beaufort e Elizabeth de York

Elizabeth de York e Margaret Beaufort

Mesmo após o casamento de seu filho, Henrique Tudor, Margaret Beaufort continuou exercendo influência considerável sobre ele. Henrique permitiu que sua mãe mantesse funcionários em seu nome e casos judiciais fossem delegados a ela.  Margaret gostava de independência jurídica e social, o que mulheres casadas não poderiam ter. Além de receber títulos, o primeiro parlamento de seu filho reconheceu seu direito de manter suas propriedades independente de seu marido, como se ela fosse solteira.

Margaret parece ter desempenhado muitas das funções que de outra forma poderiam ter sido relegadas à consorte. Ela estava extremamente bem a nível financeiro, tinha um grande número de dependentes, concedia muito patronato e parece ter vivido de forma quase independente do terceiro marido, o Conde de Derby.  Margaret usava vestes da mesma qualidade das da rainha consorte e andava apenas meio passo atrás dela. Margaret assinava como ‘M. Richmond’ desde a década de 1460, mas em 1499 ela mudou sua assinatura para ‘Margaret R’, talvez para mostrar sua autoridade real (R significa Regina, que em latim quer dizer Rainha, sendo habitualmente empregada pelas monarcas mulheres), muitas vezes adicionando a linha “et mater Henrici septimi regis Angliæ et Hiberniæ” – Mãe de Henrique VII, Rei da Inglaterra e Irlanda; apesar disso, alguns historiadores acreditam que o “R” de sua assinatura seria pelo seu título, Condessa de Richmond.

Apesar da diferença de idade,  Antonia Fraser acredita que a relação entre Elizabeth e Margaret parece ter permanecido totalmente harmoniosa. Por exemplo, Henrique esperou cinco meses para se casar Elizabeth e a coroar Rainha da Inglaterra. Nesse tempo, Elizabeth ficou em Coldharbour, a casa de Margartet. Neste aspecto, como em muitos outros, Elizabeth parece ter permanecido fiel ao seu lema – ‘humilde e reverente’ . No entanto, alguns historiadores acreditam que Margaret se ressentia pelas honras dadas a Elizabeth e sua mãe, Elizabeth Woodville, a Rainha Viúva, enquanto ela era apenas  ‘Minha senhora, mãe do rei’.  Tecnicamente, na hierarquia real Margaret tinha menos status que sua nora, Elizabeth de York e Elizabeth Woodville, a mãe viúva da rainha. Muitos acreditam que a ida da Rainha Viúva para a Abadia de Bermondsey foi, em parte, por influência de Margaret. Muitas senhoras nobres procuravam reclusão monástica para fins de saúde espiritual e corporal, mas não sabemos se essa era a vontade de Elizabeth. De qualquer forma, suas terras foram confiscadas e sua pensão reduzida.

As representações ficcionais de Margaret mostram-na como tendo um amor doentio e obsessivo por seu filho, além de maníaca e fanática. Mas não existem evidências que Henrique favorecia mais sua mãe do que sua esposa. Por exemplo, uma carta do Papa Alexandre advertiu Margaret de que Henrique já havia prometido a Elizabeth que ele iria nomear o candidato dela como o próximo Bispo de Winchester; portanto, o candidato de Margaret teve que ser abandonado. Aqueles que falam sobre a posição dominante de Margaret na corte são os embaixadores espanhóis:

“O rei está muito influenciado por sua mãe e seu seguidores em assuntos de interesse pessoal e em outros. A rainha, como geralmente é o caso, não gosta. Há outras pessoas que têm muita influência no governo, como, por exemplo, o Senhor do Selo Privado, o Bispo de Durham, o Chamberlain, e muitos outros”.

Uma outra nota comovente é a carta do sub-prior de Saint Cross para Fernando e Isabel da Espanha.

“A Rainha é uma mulher muito nobre e muito amada. Ela é mantida submissa pela mãe do Rei. Seria uma coisa boa escrever muitas vezes para ela, e mostrar a ela um pouco de amor.”

Podemos ver nas duas notas que Elizabeth queria um pouco mais de respeito e atenção, mas isso seria puramente especulativo. O relacionamento de Margaret e seu filho era obviamente íntimo, pois ele era o seu filho único, e Henrique a honrava: ela era a maior proprietária de terras na Inglaterra, atrás apenas do rei e da rainha. Mas é necessário notar também que as mães dos reis geralmente eram uma presença constante na corte. Se sabe, por exemplo, que Cecily Neville vivia na corte de seu filho, Eduardo IV.

Alguns escritores de ficção chegam na teoria interessante de que Elizabeth usava de Margaret como uma estratégia para parecer irrepreensível, santa e popular, enquanto Margaret fazia todo o trabalho sujo. Talvez a jovem Elizabeth tenha observado que ser como sua mãe, uma rainha política ativa, poderia atrair muitos sentimentos, comentários e reações negativas. Por exemplo, sua antecessora, Margaret de Anjou, também foi uma rainha de grande papel político, o que resultou numa imagem desastrosa para a causa dos Lancaster. Elizabeth poderia, então, intencionalmente se voltado para uma mulher submissa e externamente infeliz, enquanto na verdade sua sogra é que fazia tudo. Com um papel de mulher ‘impotente’, ninguém realmente poderia culpá-la por resultados judiciais e políticos negativos, e ela poderia prosseguir tranquilamente com sua vida de Rainha consorte.

Também existem registros que Elizabeth frequentemente se rebelava contra os protocolos reais escritos por Margaret. Por exemplo, um dos protocolos sobre o confinamento de gravidez mostrava o tamanho exato dos lençois, almofadas, a cama, assim como os tecidos e seus tamanhos; a grávida também não deveria receber visitas de homens. Contrariando sua sogra, em 1502 Elizabeth encomendou 27 almofadas, e durante seu confinamento em 1489 Elizabeth recebeu um Embaixador da França, um homem chamado François Monsieur de Luxemburgo, o Pior de Saint Mattelyns, e vários outros. Não se sabe quais foram os pensamentos de Margaret quanto a isso, mas uma vez que alguns desses homens eram ligados a Elizabeth Woodville, Margaret pode ter culpado a Rainha viúva. Outros protoclos de Margaret eram como seriam os batizados de seus netos, assim como a educação deles.

Montagem The White QueenMas publicamente as duas mulheres se colocavam em uma frente unida e colaboravam em vários projetos. Por exemplo, foi Margaret quem interveio quando a irmã mais nova de Elizabeth, Cecily, irritou Henrique ao se casar com um plebeu. Margaret cuidou de Elizabeth durante a Batalha de Bosworth, reformando seus quartos para mantê-la confortável e permitndo-lhe a privacidade para conhecer seu futuro marido. Outros registros mostram que era para Margaret quem Elizabeth se voltava quando havia problemas em sua família.

Bibliografia:
FRASER, Antonia. As Seis Mulheres de Henrique VIII. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva – 2º Edição – Rio de Janeiro: BestBolso, 2010.
HUGHES, Olga. Elizabeth of York and her Kings – Henry VII. Aceso em 17 de Junho de 2015.
SILVA, Maria Helena Alves. Margaret Beaufort, a mãe de Henrique VII e sogra de Elizabeth de York. Aceso em 17 de Junho de 2015.
Character of Henry VII and Elizabeth of York. Acesso em 17 de Junho de 2015.

NORTON, Elizabeth. Margaret Beaufort’s Ordinances for a Royal Birth. Acesso em 17 de Junho de 2015.

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