Por que Henrique Fitzroy não foi colocado na linha de sucessão de Henrique VIII?

The Tudors

Durante dezessete anos, Henrique Fitzroy foi o único filho homem do rei Henrique VIII. Bastardo, nasceu em Junho de 1519, dez anos após o casamento do rei com Catarina de Aragão, e era filho de Elizabeth Blount, uma das amantes mais famosas do rei. Henrique VIII não precisou escolher entre Henrique Fitzroy e seu filho legítimo Eduardo Tudor, pois Eduardo nasceu três meses depois que Henrique havia morrido. Mas se Eduardo não tivesse nascido, ou Henrique não tivesse morrido, havia alguma chance dele ter entrado na linha sucessão?

Pode parecer inconcebível para os tempos modernos que um bastardo fosse declarado rei da Inglaterra, mas no momento a idéia poderia parecer viável para Henrique. Afinal de contas, Afonso de Aragão foi capaz de tornar seu filho ilegítimo, Ferdinando, Rei de suas conquistas na Itália; o Papa Clemente VII fez de seu filho ilegítimo Duque de Florença; e outros bastardos reais na Espanha e em Portugal tinham grandes laços reais. Tudo dependia da atitude dos nobres, a fraqueza dos rivais, a situação internacional e nacional, bem como a legitimidade dos instrumentos do Estado que colocaria Fitzroy como herdeiro, além, é claro, da influência de Henrique como rei e a própria personalidade de Fitzory.

A vida de Fitzroy não é muito documentada nem muito explorada, mas ele era muito bem conhecido pelo povo naquela época. Ele tinha tato diplomático – em 1527, ele ficou sabendo que James V da Escócia queria cães de caça. Imediatamente, ele enviou 20 cães e um caçador para o rei. Ele também foi feito Lorde Tenente da Irlanda, e um de seus títulos escoceses fez com que ele tivesse o governo do norte da Inglaterra em suas mãos.

A melhor chance que Fitzroy teve em sua vida de ser o herdeiro de Henrique foi em 1536, logo após a execução de Ana Bolena. Infelizmente, ele já estava doente nessa época. Em 8 de Julho, Chapuys relatou:

“A notícia muito comum é que o Rei vai declarar Maria sua herdeira, mas ele mudou de idéia e passou um estatuto que deve estar em seu poder que em caso de não haver filhos legítimo, ele pode declarar quem lhe aprouver como herdeiro, e que esse referido estatuto deve ser tão boa quanto uma lei de Parlamento, e que há um pouco de medo desse lote cair na Princesa, especialmente depois que o Duque de Richmond, após o julgamento dos médicos, está com uma doença incurável…”

Apenas 15 dias depois, Chapuys relatou alegremente a notícia de que Henrique tinha morrido, e que aquilo não era ruim para a princesa (Maria). Mas não foi apenas o Embaixador Espanhol que havia ouvido os rumores de que Henrique provavelmente entraria na linha de sucessão se não tivesse morrido: em 17 de Agosto de 1536, Dr. Pedro Ortiz, um teólogo espanhol, afirmou que o rei estava decidido a fazê-lo seu herdeiro:

“O Parlamento foi reunido quatro dias antes, no dia 18 de Julho, mas os estatutos ainda não foram impressos. Tanto a princesa [Maria] quanto a filha de La Ana [Elizabeth] foram declaradas ilegítimas e que os filhos do novo casamento [com Jane Seymour] sejam declarados sucessores do trono. Ele tinha determinado que seu filho bastardo fosse seu sucessor, o Duque de Zuhamont [Richmond], mas ele morreu em 22 de Julho”.

Sabemos que Fitzrou morreu (embora exista um romance vampiresco que afirme que ele não morreu, mas pasmem, virou vampiro!), mas acredito que seja muito legal divagar sobre o que teria acontecido se ele tivesse sobrevivido. Ele poderia ter entrado na sucessão depois de Maria ou Elizabeth (o rei tinha que considerar que Maria tinha um grande apoio no exterior e que a extensa família Howard apoiava Elizabeth), pois Fitzroy tinha apenas a família Blount; mas se uma campanha destacando seu ‘protestantismo’ tivesse sido feita, é provável que ele fosse um candidato mais forte que Maria e Elizabeth.  Ainda há um último item a ser avaliado: durante o curto reinado de Ana Bolena, Henrique Fitzroy foi casado como uma Howard. Eles não viveram juntos e não tiveram filhos, mas caso isso tivesse acontecido, poderia ter havido um viés substancial a seu favor, tanto entre a nobreza quanto aos comuns – nem Eduardo, nem Maria e nem Elizabeth eram casados, logo nenhum deles tinha filhos.

Mas e se Henrique não tivesse morrido na época do nascimento de Eduardo? Teria sido muito problemático para o rei fazer de Fitzroy o herdeiro do trono e, em seguida, quando Jane deu à luz a um filho, relegá-lo a ter precedência ou ficar depois de Eduardo na linha sucessória. Será que Henrique poderia pensar que seu filho bastardo pudesse ser uma ameaça para a vida de seu filho natural e legítimo? Ou será que ele teria favorecido a sucessão de Fitzroy, que teria por volta de 30 anos na morte de Henrique VIII em 1547, ao invés de delegar seu filho de 9 anos para ser rei? É muito provável que o povo escolhesse um filho ilegítimo (possivelmente com filhos, e casado com uma das famílias mais poderosas do país) ao invés de escolher Maria, de ascendência espanhola, com quase 40 anos, católica, solteira e sem filhos.

Bibliografia:
Henry Fitzroy’s possible place in the succession. Acesso em 8 de Janeiro de 2015.
Henry FitzRoy, 1st Duke of Richmond and Somerset. Acesso em 8 de Janeiro de 2015.

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8 comentários sobre “Por que Henrique Fitzroy não foi colocado na linha de sucessão de Henrique VIII?

    • A questão não era ele. Alterar a linha de sucessão precisaria de uma autorização do conselho privado e do Parlamento. E a grande maioria não queria um bastardo no trono. Haviam outras pessoas, com uma linhagem melhor do que a dele :/

      • Sim, mas ele sempre fez valer suas próprias vontades. Era um manipulador obstinado. Acredito que teria “comprado” esses nobres para ter apoio sim.

        • O problema não era nem os nobres, e sim o povo. Todos ficaram revoltados, por exemplo, quando Jane Grey assumiu o trono depois de Eduardo VI. Mesmo os que eram protestantes e não apoiavam Maria Tudor, prefeririam ela no trono do que uma outra garota que não estivesse legalmente na linha de sucessão.

          • Sim sim, porem para Henrique nem o povo pôde persuadi-lo a , por exemplo, se manter casado com Catarina, haja vista o amor do povo pela rainha.

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