O travestismo na Era Tudor

GenevieveSe travestir pode muitas vezes ser visto como um fenômeno moderno, mas tem ocorrido há séculos, e as pessoas do início da era Tudor na Inglaterra tinham objetivos práticos e eróticos com essa prática.

Entre 1450 e 1553, 13 mulheres foram perseguidas pelo ato: algumas usavam chapéus de homens ou vestidas de padre, enquanto algumas usavam o cabelo curto  – descrito como sendo “um grande desagrado a Deus e uma abominação para o mundo”. Mas apenas duas se fizeram passar por homens por um longo período de tempo: as outras foram descritas como vestindo roupas tipicamente masculinas temporariamente, em situações sexuais ou eróticas.

Em 1490, dois anos depois de Henrique VII ter se assentado como rei da Inglaterra, uma mulher chamada Joan White confessou estar “acostumada a dançar e fazer orgias na casa de seu mestre, às vezes com roupas de homem e às vezes nua”. Em 1493, uma mulher chamada Thomasina havia alojado uma mulher que usava roupas masculinas e era uma “concubina”, um termo usado para designar um indivíduo que está envolvido em uma união ilícita a longo prazo. Uma vez que nenhum homem foi apontado como o “proprietário” da concubina, este pode ter sido um caso entre duas mulheres.

Para os moralistas e para a maioria das autoridades, a mudança de gênero era um potente símbolo de desordem social e moral, frequentemente associados com os teatros públicos, que em países como Inglaterra e Espanha, atravessavam as fronteiras da classe e permitiam que o público se imaginasse em diferentes papéis.

Embora mulheres fossem proibidas em peças teatrais – e portanto os personagens femininos tinham que ser interpretados por homens; muitos ingleses demonizavam os atores que se travestiam. Um panfleto anti-teatral argumentou que um homem que usasse as roupas de uma mulher adulterava a origem de seu próprio gênero e que as mulheres que o faziam deveriam ser chamadas de hermafrodites, “isto é, monstros de dois tipos, metade mulheres, metade homens”. É importante notar que mesmo com a desaprovação oficial, a prática de se travestir continuava a ser popular.

Judith M. Bennet, da Universidade do Sul da Califórnia, disse que as pessoas geralmente pensam que as mulheres se travestiam por razões práticas, como viajar, servir nos exércitos ou para ter empregos bem remunerados. No entanto, é possível que as mulheres também se travestiam por diversão e prazer. Alguns homens que gostavam da ambiguidade sexual oferecido por mulheres que se vestiam como homens. Apesar de 13 casos serem um número pequeno, a evidência deste período é sempre escassa. Curiosamente, ainda não foi encontrados nenhum caso inglês fora da cidade de Londres, e cinco dos casos eram de mulheres nascidas foram da Inglaterra. Como Bennet afirma, nós temos a tendência de pensar que todas as formas de flexão de gênero são modernas, mas as idéias medievais e Tudor sobre gênero e sexualidade também foram flexíveis.

A travesti mais famosa da Era Tudor foi, provavelmente, Mary Frith, nascida em 1585, e que usava gibões e calças largas em público, geralmente fumando um cachimbo. Embora sua casa fosse bastante feminina por causa dos esforços de seus três empregados, Mary usava roupas masculinas e era muito vaidosa, tendo espelhos em vários pontos de sua casa. Embora as mulheres que se vestiam com roupas de homens eram geralmente consideradas “sexualmente desenfreadas e descontroladas”, Mary tinha alegado ser desinteressada em sexo.

Curiosamente, Mary parece ter recebido um grande quantidade de liberdade em uma sociedade que via com tão mals olhos mulheres que agiam de forma não-convencional. Em 1611, ela se apresentou no Teatro Fortune, com suas roupas masculinas de sempre. Embora sua apresentação e brincadeiras feitas pudessem ter sido de cunho obsceno, já é surpreendente o quanto que estava desafiando as convenções da época. Sua notoriedade resultou em duas peças sendo escrito sobre ela: The Madde Pranckes of Mery Mall of the Bankside por John Day e The Roaring Girl por Thomas Middleton e Thomas Dekker.

Rudolf M. Dekker, a decisão de se travestir era uma opção real e viável para as mulheres, e que as razões para mulheres se travestir poderiam ser tanto material, tais como a pobreza, ou emocional, como o fervor patriótico ou o amor por outra mulher, assim como uma combinação desses motivos.

Bibliografia:
WATSON, Brian. “Crossdressing, Crossculture: Conceptions and Perceptions of Crossdressing in Golden Age
Madrid and Tudor-Stuart London”. Keene State College.
Mary Frith“.
Revealed: the secrets of the Tudor cross-dressers

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