Todo artista pinta a si mesmo? Isaac Oliver e o retrato de Elizabeth I

Esse retrato da rainha Elizabeth I conhecido como o “Rainbow Portrait” foi pintado nos últimos três anos de seu longo reinado, entre 1600 e 1602, e a retrata no auge de sua vida como rainha imortal e Mãe Virgem de seu povo. Com a abolição do catolicismo sob Henrique VIII, as imagens da outrora Virgem Maria tinham desaparecidos e ela foi deslocada, parcialmente, na consciência nacional, para Elizabeth. Apesar de em 1600 já era esperado uma semelhança entre a pessoa no retrato e a pessoa de verdade, a Inglaterra lentamente adotou inovações renascentistas nas artes visuais. Além disso, a rainha já tinha 60 anos, e poucos lembravam qual era a aparência da rainha em sua juventude. Vestindo uma traje régio e cabelos vermelhos soltos, Oliver provavelmente imaginou-a também como ele gostaria que ela fosse. Obviamente, Oliver também estava em uma posição perigosa: ele não poderia pintar a rainha com um aspecto envelhecidos e correr o risco de perder seu emprego. Mas o que surpreende é que Oliver pintou suas próprias características físicas na rainha.

Nesse caso, as simbologias do retrato são até mesmo secundárias: a rainha usa um vestido coberto com olhos e ouvidos, simbolizando que a rainha podia ver e ouvir tudo (acredita-se que este vestido foi imaginado pelo artista, talvez com uma ‘ajudinha’ do governo – é improvável que a rainha usasse um manto desses em público). Já a serpente em sua manga é possível de ter sido realmente usada pela rainha: era um sinal de sabedoria.

oliver

Mas sobrepondo o rosto de Elizabeth e o rosto de Oliver, em um retrato seu feito por ele mesmo em 1592, nota-se que seus olhos, nariz e linha da testa são idênticos. Obviamente, um rei ou um nobre não ficava dias e semanas posando para um retrato – eles eram muito ocupados e se sentavam por no máximo três horas. O artista tinha então que copiar algumas características suas de outras pessoas – o melhor exemplo disso eram as mãos: os artistas tinham vários rascunhos de mãos em diversas posições que eles mais tarde poderiam copiar.

Embora alguns estudiosos ainda lançam dúvidas sobre quem realmente pintou o retrato do arco-íris, podemos ter quase certeza agora que foi Isaac Oliver quem realmente o pintou – ou que, pelo menos, o artista baseou-se em um retrato de Isaac Oliver.

Traduzido do artigo “Isaac Oliver’s Rainbow Portrait of Queen
Elizabeth I (c.1600)
” escrito por Simon Abahams.
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4 comentários sobre “Todo artista pinta a si mesmo? Isaac Oliver e o retrato de Elizabeth I

  1. Maria Helena, retratos de Elizabeth I existem muitos, já o seu…kkkkkk. Seria possível você atualizar sua foto no blog. Tem este rostinho de adolescente mesmo?
    Abraços.

    • HAHA, tenho sim André! Essa foto é do ano passado, e acho que não envelheci tanto a ponto de precisar mudar rsrs.

  2. Isto faz-me lembrar as teorias que dizem k La Gioconda pode ser um auto-retrato de Leonardo da Vinci ou um retrato do seu jovem amante. Mas , Boullan – Tudo sobre Ana Bolena e a Era Tudor, bem interessante este seu artigo. De facto, são demasiadas as semelhanças entre o retrato de Elizabeth I e o pintor….

  3. Hoje mesmo passou o episódio que Elizabeth exigia que seu narigão, dentes podres, e pele cheia de cicatrizes da varíola fossem omitidos em seu retrato.

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